segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Revisão de 45 mil km


Hoje estou no Hospital Sarah para a revisão anual, desta vez de 45 mil quilômetros (afinal, acabei de fazer quatro anos e meio de cadeira de rodas). Antes que alguém fale que estou rodado, aviso que eu já era muito rodado antes da cadeira. É que eu era ciclista e já vivia sobre rodas (pensou bobagem, heim?).
Vejam como fiquei fofo nessa roupinha que eles nos dão para exames. Isso porque não viram a calça pega frango com meias pretas. Vou fazer aquele ultrassom abdominal total, fundamental para lesados medulares, pois como temos pouca ou nenhuma sensibilidade, com ele dá pra saber se há algum problema "interno". É o mesmo ultrassom de grávida, mas não perguntem se estou grávido devido à barriga proeminente, não vão gostar da resposta (olha a perninha saindo... não resisto).
Mas já adianto que meu fígado deve estar detonado, depois de anos de bebedeiras. Meus pulmões devem estar indo pro saco, devido ao ar "puro" da cidade. Meus rins e bexiga devem estar bichados, pois tive 500 infecções urinárias, e meu intestino deve estar uma bosta. Bem, espero que meu pâncreas esteja legal. Pra que que ele serve mesmo?

UPDATE: apesar do meu tenebroso prognóstico, a primeira impressão do médico sobre o exame foi positiva, disse que está tudo bem. Mas que o resultado do exame só sai daqui uma semana... E, a pedidos, abaixo uma foto da calça "pega frango" no Sarah. Pra quem não sabe, isso é gíria pra calça curta aqui em Minas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Se perdoando

Acabei de assitir, "Comer, Rezar, Amar" (eu sei, demorou, heim?) e fiquei pensando em uma das lições do filme e sua relação com quem passou por um grande trauma na vida que mudou tudo e foi "culpada" por isso - como eu, vítima de um acidente de moto por imprudência que me tornou deficiente físico.
A lição é a pessoa aprender a se perdoar ao invés (ou além) de se preocupar que os outros a perdoem. Pegando meu exemplo, uma pessoa que se acidentou fazendo merda (correndo em uma moto a quase três vezes a velocidade permititda) e as consequências o deixaram paraplégico, sem movimentos e sensibilidade do peito pra baixo, uma das coisas que inevitavelmente passa pela cabeça é "porque fiz isso comigo?". Acredito que este seja um dos motivos que leva tanta gente à depressão, mau humor, e sentimentos deste tipo. A pessoa não se perdoa.
Ou mesmo em um caso que a culpa não foi dele, alguém entrou na frente, alguém atropelou, ou outra pessoa participou da culpa (no meu caso, o tratorista sem carteira que atravessou na minha frente sem olhar) por mais que se fique revoltado com a pessoa que "contribuiu" para a tragédia, é importante a pessoa se perdoar. Porque de alguma forma ela contribuiu, estava no lugar errado na hora errada, saiu com quem não devia, e no fundo acaba se sentindo responsável e culpado por ter "estragado" sua vida. Nesse momento, é importante saber se perdoar, para seguir em frente e se adaptar à nova realidade buscando ser feliz - sem nenhuma culpa ou sentimento ruim martelando sempre na cabeça.
No meu caso, me perdoei rapidinho, pois queria mais que tudo continuar a viver e ser feliz. Sem nada pra atrapalhar, além das limitações, que podem ser "dribladas" com força de vontade e planejamento.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pai cadeirante

Nesta foto estão o Gregori Iochpe, Helene e o recém nascido Gustavo, filho dos dois. Gregori me contatou há algum tempo e contou sua história, que reproduzo abaixo.

"Minha historia como cadeirante começou em uma tarde quente de 02 de outubro de 2002, saí da empresa onde eu trabalhava para ir à academia treinar um pouco de tênis, na época eu estava com 23 anos e fazia exercício todos os dias, tinha recém sido selecionado para gerenciar a filial de uma empresa de grande porte do ramo têxtil e no dia seguinte teria uma reunião na matriz desta empresa em Blumenau, que fica 180 km de minha cidade (Lages-SC).
Eu estava com uma moto esportiva Suzuki 750, quando um carro atravessou a preferencial e eu não consegui frear, bati contra o carro e caí no chão, no momento não senti mais minhas pernas, apenas uma dor muito forte no ombro esquerdo que quebrou no acidente, pedi que tirassem meu capacete e fiz a ligação para os bombeiros, e depois para um médico amigo meu.
Quando cheguei ao hospital, estava com o pulmão direito estourado (pneumotórax), o médico meu amigo abriu o jogo comigo e disse que a situação era grave, e que provavelmente eu havia lesionado a medula. Fizemos a cirurgia da coluna, coloquei duas hastes e 16 pinos nas costas, segundo os médicos ortopedista e neurologista, minha medula havia sido cortada ao meio pelos estilhaços de ossos das vértebras que eu fraturei (L12 e L1).
Depois veio tudo aquilo que você sabe, muitas visitas (umas boas e outras chatas), e com 45 dias de lesão consegui uma vaga no Hospital Sarah de Brasília, e na primeira internação fiquei 45 dias, os quais acho que foram os dias mais difíceis de minha vida, pois lá caiu a ficha que eu poderia ficar na cadeira de rodas para sempre.
Estive três vezes no Sarah e apenas 3 meses após meu acidente eu já estava morando sozinho, com 4 meses de acidente comprei um Corolla, adaptei com alavanca Cavenaghi e comecei ir na fisioterapia de carro.
Chegando na fisioterapia, conheci uma outra fisioterapeuta, não a que me atendia, era uma menina recém formada que era especialista em neurologia, fui ficando amigo dela e após alguns meses ela se tornou minha fisioterapeuta, nossas conversas batiam, nossos gostos também, ela entendia o que eu sentia, me apoiava e acabei me apaixonando, e após dois anos nos casamos.
Estamos casados faz quatro anos e meio, após um ano de casados resolvemos ter filhos e procuramos ajuda de especialistas, fomos a uma clínica em Florianópolis, fizemos duas fertilizações, mas sem sucesso, então resolvemos buscar ajuda em uma clínica muito famosa de Porto Alegre (Centro de pesquisa e fertilização Nilo Frantz), e lá conseguimos engravidar.
No dia 24 de Janeiro o nosso querido e aguardado Gustavo nasceu, o parto foi realizado em Passo Fundo-RS, no hospital PRONTO CLINICA, que se adaptou todo para atender o primeiro pai cadeirante daquele local.

Me colocaram em uma suite completamente adaptada para cadeira de rodas; há uns 15 dias atrás ligaram perguntando o que deveria ter no quarto e quais as larguras e alturas que eu desejava, quando cheguei estava do modo que pedi, e isso foi um alivio.
O Gustavo nasceu de 7 meses e meio com 2.330 gramas e 46 cm, depois de 4 fertilizações.
Ele nasceu saudável e forte, não foi necessário ir para o oxigênio, o que nos deu um grande alivio."

Essa é mais uma história de coragem, superação e "final feliz", de um cara que encarou os problemas e "correu atrás" de seus sonhos, sem dar bola para as adversidades. Parabéns à família, e desejo tudo de bom nessa nova fase da vida, com um lindo bebê pra curtir. Aguardo também o nascimento da Ana Sofia, minha "sobrinha" gaúcha, de outro pai cadeirante, do blog Sem Barreiras.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Excesso de zelo

Faz tempo que quero falar sobre isso. É um dos fatores que mais atrapalha na reabilitação de um lesado medular ou uma pessoa que passa um grande trauma na vida, que causa limitações (vou chamar de "estrupiado" pra facilitar). A família ou companheiro(a) (vou chamar de "quem cuida") fica sensibilizado com a situação e faz de tudo pra ajudar, veste, dá banho, carrega no colo, tudo pra evitar que a pessoa faça qualquer esforço. Não acho isso errado, o problema é o excesso. Por medo de acontecer alguma coisa e piorar a situação, não deixam o estrupiado nem tentar fazer alguma coisa, transferir sozinho, se vestir, e às vezes nem comer.
Quando acontece o excesso, é tão prejudicial para o estrupiado, que acaba ficando mesmo mais dependente, não fortalece os músculos que funcionam nem estimula outros músculos; quanto pra quem cuida, que acaba dedicando muito tempo e preocupação para fazer coisas que o próprio estrupiado poderia estar fazendo.
E fica pior quando algum profissional de saúde explica que o estrupiado é capaz de fazer as coisas e mesmo assim quem cuida continua com excesso de zelo, tratando como se fosse uma porcelana. E é isso que quem cuida, junto com o estrupiado, devem fazer: se informar com profissionais sobre as reais limitações e o que deve ser estimulado, e passarem a deixar o estrupiado tentar se virar mais sozinho. Sei que no início é muito ruim, corta o coração de quem cuida ver o estrupiado fazendo uma força enorme pra realizar tarefas que poderiam ser mais fáceis com uma ajudinha; e para o estrupiado é difícil, e passa muita raiva nas primeiras tentativas, mas depois dá uma enorme satisfação pra todos descobrir que o estrupiado não é tão estrupiado assim e pode se virar bem sozinho.
Não me crucifiquem por criar um apelidinho exdrúxulo pra quem tem limitações, lembrem-se que me incluo na categoria. Já tô imaginando minha mãe me ligando depois de ler este post pra me zoar: "cadê o estrupiadinho da mamãe?"

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Notícias envolvendo cadeirantes

Nos últimos dias li tristes notícias envolvendo cadeirantes. Primeiro, foi o caso do porteiro proibido pelos condôminos de ajudar uma cadeirante a subir uma rampa em Juiz de Fora. Depois, foi o caso do advogado cadeirante agredido por um delegado em São José dos Campos. E agora, um colégio daqui de BH rejeitando a matrícula de um cadeirante de 11 anos.
Até quando veremos estes absurdos de desrespeito a pessoas que já passam tantas dificuldades na vida? O "lado bom" é que pelo menos aparecendo na mídia, causa a reflexão de muitos e a vergonha dos envolvidos. E estimula a todos continuarem lutando pelos seus direitos. Como diriam alguns revolucionários, "a luta continua, companheiros!!"


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Situação atual

Esse post é pra atualizar minha situação e avaliar os novos equipamentos da cadeira. Acho muito legal saber que tem gente que nem conheço que se preocupa comigo. Acho muito bacana também quando ajudo alguém de alguma forma.
Quanto à minha luta para acabar (ou pelo menos minimizar) a dor crônica, passei apertado ontem. Voltei a trabalhar e já saí de casa com dor forte, que senti a noite toda, e mal dormi. Encarei o trampo assim mesmo, já entrando com um tilex no café da manhã, mas ele não fez nem cosquinha. Fui pra hidro no começo da tarde e melhorei um pouco, masmo porque não fiz exercício, só relaxamento. Mas no fim da tarde voltei a ter crise e fui parar no hospital de novo, pra tomar tramal na veia e outro analgésico que não lembro o nome. Assim que comecei a "viajar" voltei pra casa. Dirigindo...
À noite melhorei e consegui dormir, mas estava tão cansado que nem a dor me impediu de apagar. Hoje acordei melhor, tomei lyrica e metadona, e consegui passar o dia menos dolorido. Agora estou deitado e com menos dor. Vou tentar outra alternativa, voltar a fazer acupuntura, já marquei pra semana que vem.
Quanto às rodas, estou gostando muito delas, os pneus maciços não são tão ruins em terreno irregular, hoje fui almoçar e passei por calçadas de pedra e com buracos, quica um pouco mais, mas não chega a incomodar. A almofada Roho ajuda a minimizar os impactos. Os pneus maciços também ajudam nas manobras, não agarram em carpetes ou tapetes e deixam a cadeira mais rápida.

A propósito, a Roho é mesmo muito gostosa. Ontem à noite eu e Gi fizemos a regulagem do ar de acordo com o manual. E hoje passei a usá-la na cadeira do escritório, afinal é onde passo a maior parte do tempo sentado. Quando começa a doer é só movimentar um pouco que os pontos de pressão mudam e volta o conforto.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Resultado da enquete

Hoje finalizou a enquete que fiz para saber o que os cadeirantes acham mais importante na hora de escolher um carro, e o resultado me surpreendeu. Foram 164 votos, e a maioria (83 votos - 50%) acredita ser mais importante escolher um carro que tenha facilidade para entrar. Eu acho mais importante o câmbio automático, mas acredito que o resultado se deve ao fato de grande parte dos cadeirantes não dirigir, portanto valorizam mais o acesso. O resultado ficou assim:
- Câmbio automático/automatizado: 51 votos (31%)
- Porta malas grande: 20 votos (12%)
- Espaço interno: 10 votos (6%)
- Facilidade para entrar: 83 votos (50%)
Sei que todos os itens são importantes, mas identificamos aqui a preferência da maioria. Já falei sobre acesso ao carro em um post anterior, demonstrando que existe uma tábua, que ganhei no Hospital Sarah, que ajuda a entrar no carro, pois basta encaixar na cadeira e deslizar até o banco. Existem também outros equipamentos que facilitam a entrada no carro.
Quando comprei meu carro, fiz questão de ir nas concessionárias testar os carros que eu tinha em mente, entrando e saindo deles. Essa é uma recomendação que sempre dou, fazer o "test drive" de entar e sair do carro e ainda pedir alguém pra colocar a cadeira no porta malas pra ver se cabe fácil. Faço ainda outra sugestão, entrar no carro e colocar a cadeira no banco do passageiro sozinho, para identificar a dificuldade no processo. Muita gente me pergunta sobre como colocar sozinho a cadeira, em breve vou fazer um vídeo mostrando minha técnica, pois cada um tem um jeito de fazer isso. Não é fácil, mas com um pouco de paciência a gente aprende a melhor forma.
Entre os equipamentos que facilitam a entrada no carro, tem um que é como se fosse uma tábua retrátil que fica ao lado do banco, e quando o deficiente vai passar ele "arma" a tábua, e depois recolhe. Mas o mais eficiente, na minha opinião, é o banco giratório, que se projeta para a lateral do carro e depois volta à posição original. Tem um mais avançado que este, que sai completamente no carro e se encaixa na base de uma cadeira motorizada, e o cadeirante sai rodando no mesmo banco que anda de carro. É interessante pela praticidade, mas é um equipamento caro. Conicidentemente falei hoje com o Léo, da Hélio Adaptações daqui de BH, e ele está instalando um sistema desses em um carro, assim que ficar pronto vai deixar eu testar pra fazer uma matéria aqui pro blog.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...