sábado, 13 de março de 2010

Cadeirante na fábrica da M3 faz melhorias na cadeira

A Sandra, minha amiga de Petrolina, realizou um sonho de muito cadeirante e de muito consumidor: foi à fábrica da Ortobrás no município de Barão, no Rio Grande do Sul, só pra fazer os ajustes necessários à sua M3, que estava causando irritação e muita dor de cabeça, já que não veio de acordo com a encomenda. Como a cadeira não vem com manual, e é quase impossível encontrar um técnico que entenda bem do assunto, ela resolveu bancar do próprio bolso essa cansativa viagem para por um ponto final nos seus problemas. E ainda levou a fisioterapeuta a tiracolo!
A empresa providenciou hospedagem para ela e se dispôs a acompanhá-la no processo de ajustes e fazer todas as adaptações que ela sugerisse. E ela tinha mesmo uma ideia muito boa: um novo tipo de braço, já que o que vem na M3 não é prático, nem funcional. Quando comprei a minha, vi um braço na loja, e como já não era mais recomendável para mim, pedi sem. Mas confesso que achei bem estranho. O braço dela ficou ótimo, vou reproduzir aqui o relato e as fotos dela para que entendam tudo que foi feito. Ela traz também novidades e boas notícias em relação aos planos da empresa para o futuro. Acompanhem:
"- O apoio para braços disponível como acessório original, pareceu-me impraticável visto que além de ser rígido, redondo, não tinha firmeza, nem praticidade para colocar e retirar. Em poucos dias apresentou folga e desisti dele. Diante dessas observações, o pessoal da Ortobrás trabalhou o "protetor de roupas", elevando-o e apoiando sobre ele um braço convencional. O design não ficou dos melhores, prometi pra eles que faria um adesivo que resolveria isso, ainda não fiz, mas a funcionalidade do braço valeu a pena, ficou muito bom. Para que ficasse mais resistente a base de suporte, foi refeita em alumínio (fig 2 e 3).
- Embora as rodas soft roll sejam muito charmosas, não absorvem metade do impacto que a inflável de 6". Essa substituição foi fundamental para andar com segurança em solos irregulares, visto que a soft, além dos problemas que vem apresentando no Brasil, de romper a borracha, nos lança para frente, tombando em pequenas elevações.
- Como tenho pernas curtas, o apoio para pés foi elevado em 7 cm, eu achava que 2 cm eram suficientes e aí valeu a equipe técnica, que detectou e trabalhou essa medida cortando o alumínio da estrutura da cadeira, pois a possibilidade de ajuste não era suficiente.
- Outra alteração foi o encosto que foi elevado, aí ja foi uma observação de Suzy, (fisioterapia) e Ileane, (acupuntura), elas acharam que eu teria maior apoio, tirando a sobrecarga da cervical. Bem que eu achava charmosinho aquele encosto baixo, mas tb ficou muito mais confortável. E como era unânime o pedido dos amigos que elevasse a altura do punho de conduzir a cadeira, isso teve uma pequena elevação para que não interfirisse nos movimentos laterais, todos gostaram. Sobre o punho, Anderson, gerente de vendas da Ortobrás, adiantou que em breve estarão utilizando um novo punho dobrável, que faciltará nos porta-malas da vida.
- O demais foram ajustes no que não funcionava bem, como o quick para retirar as rodas traseiras, agora ficou muito bom e o aço que puxamos para dobrar o encosto, esse veio bem, mas já rompeu de novo, nada difícil de resolver.
- Uma avaliação da viagem é que foi muito legal, a cadeira ficou muito boa sem perder suas principais características de leveza, e conforto. Segundo Anderson, a partir de 2011 as cadeiras de rodas estarão submetidas à ANVISA e terão MANUAL dentro das normas internacionais, o que certamente facilitará nossas vidas."

Parabéns à Sandra e obrigado pelo depoimento, este tipo de atitude pode ajudar muita gente, a empresa pode tirar várias lições desta interação e aperfeiçoar o produto, ouvir o cliente é fundamental para que todos fiquem satisfeitos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Jangadinha

Logo que comprei a M3, meu primeiro impulso em relação à minha antiga cadeira X foi doá-la. Mas na primeira tentativa descobri um empecilho: precisava encontrar alguém com tamanho compatível, pois colocar uma pessoa em uma cadeira que não seja do tamanho adequado pode acabar de entortar o infeliz.
A coisa é séria, uma cadeira de rodas deve se encaixar perfeitamente nas medidas da pessoa, é como uma roupa, ou melhor, é mais do que uma roupa, pois a pessoa usa todo dia, o tempo todo a mesma cadeira. Quando fui encomendar a minha, os especialistas do Sarah mediram pernas, tronco, quadril e até braços (??). Deve ter a altura ideal de encosto de acordo com a lesão, deve fazer um ângulo correto nos joelhos e deve encaixar bem o quadril pra não ficar "dançando" ou escorregando.
Mas hoje percebo o quanto é importante ter uma outra cadeira de "back up". O título do post, é o apelido carinhoso que a Gi deu pra minha antiga cadeira, de tão grande e desengonçada, ela acha que parece uma jangada (vai entender), mas até que achei bonitinho. E realmente a bichinha é um desengonço, não sei como aguentei tanto tempo com ela. As monobloco são outra coisa pra tocar, pra manobrar, dão outra qualidade de vida, nem compara com essas X trombolhas. Mas ainda são caras comparativamente.
O fato é que está sendo uma mão na roda ter duas cadeiras, deixo a jangadinha na garagem de casa e vou trabalhar, na hora do almoço deixo a M3 na garagem do prédio da empresa, uso a jangadinha em casa, e pego a M3 na empresa de novo. Menos trabalho pra mim e pra quem me ajuda. Na garagem do prédio da empresa o pessoal já acostumou, tem um quartinho onde eles guardam minha cadeira enquanto estou almoçando.
E tem a maior vantagem de ter uma cadeira extra: se por acaso uma estraga (Deus me livre), a outra taí pra me manter rodando enquanto ela vai pra oficina!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fazendo compras

Ontem fiz o papel que se espera de um bom marido (no caso, namorido): fazer compras com a namorada. E descobri uma coisa interessante: é possível empurrar um carrinho de supermercado tocando a cadeira de rodas. É só tocar com uma mão e compensar com a outra. Não é fácil, nem rápido, mas possível. Dá pra fazer compras com uma certa dose de paciência. Mas divertido mesmo foi a namorada me empurrar e eu empurrar o carrinho, que nem trenzinho.
O problema é alcançar as prateleiras mais altas. Se estivesse sozinho teria que pedir ajuda a cada produto do alto que quisesse comprar. Taí a vantagem das empresas que conseguem se posicionar nas prateleiras mais abaixo: pelo menos dos baixinhos e dos cadeirantes já ganham a preferência!
Mas o fato é que fazer compras é mais um desafio pra cadeirantes. Empurrar carrinho tem jeito, se forem poucas compras tudo bem, põe uma cestinha no colo, mas e na hora de levar as compras pra casa? Se puder levar o carrinho até o carro, tudo bem, passa as sacolas pro porta-malas. Mas e se for embora de ônibus? Como o cara sai carregando sacolas em uma cadeira de rodas? Se colocar no colo, cai tudo. Comigo já aconteceu muito. Nenhuma sacola para no colo quando as mãos estão ocupadas tocando as rodas. Se pendurar nos "empurradores" (por onde nos empurram, sei lá o nome daquilo) corre o risco de neguinho catar metade das compras. A saída, acredito, é mochila. Ou mala mesmo. Mas não dá pra sempre ter uma à mão, então pode saber que sacolas e cadeira de rodas, é mico certo, compras pelo chão.
A propósito, não reparem na quantidade de bebida no carrinho, é que passei na seção preferida primeiro, e aquilo não é papel higiênico, é papel toalha. E eu acho o maior barato papel toalha!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cadeirante passando raiva com ônibus

Quem tem carro não faz ideia da raiva que passa quem anda de ônibus. Quem é cadeirante então, não faz a menor ideia do que passa um cadeirante andando de ônibus. Mas ontem tive uma amostra do que é ser cadeirante, depender de ônibus, e ainda passar raiva por causa disso. Vou reproduzir aqui na íntegra o e-mail que o Thiago Helton, cadeirante daqui de BH, mandou pro blog Sem Barreiras, da minha amiga Tânia e depois ele me autorizou publicar aqui:

“A luta do meu dia a dia com o transporte público… Como sabem sou tetra C6 ha 1 ano e 3 meses. Desde o ano passado comecei a me preparar para concursos públicos, uma vez que esse era meu hobby antes de ficar “quebrado”. Na luta pra voltar a vida ao normal, consegui uma bolsa no preparatório do TJMG no cursinho do PROLABORE (menciono sem propaganda, pois é o que há no quesito acessibilidade em BH). Até ai tudo bem, matriculado num curso de qualidade comecei as aulas, no entanto dependo do transporte público adaptado pra frequentar o cursinho.
Sem fugir da história, porque é necessário contar isso, moro no 1 º andar num apartamento que esta em obras, aquelas mudanças até hoje… Aqui na minha rua só passavam microônibus e sem espaço reservado até janeiro, quando de tanto pedir e mandar milhões de e-mails colocaram 3 veículos com elevador que passam na porta da minha casa, (show de bola ônibus adaptado na porta de casa, muitos problemas resolvidos, ou não?) Na primeira semana o elevador de um dos carros já deu seu primeiro estrago, não baixava por completo, depois fomos percebendo que nenhum motorista recebeu treinamento para manusear os elevadores já teve dias que pelo fato de o motorista não saber mexer, já fui carregado em ônibus “novo”. Mais e-mails, reclamações… Sem falar na demora porque são só 3 com o elevador, o fator sorte também conta nessa linha, pois eles não seguem horário padrão para veículos adaptados…
Mas retomando a história vamos pro cursinho de ônibus eu e meu pai (na hora do desespero só ele aguenta carregar).
Hoje de manhã foi o cúmulo, manha chuvosa, vamos pra aula, o concurso esta chegando, fico no hall do prédio coberto e meu pai no portão esperando pra sinalizar, incrivel que hoje, em 5 minutos veio bonitinho de elevador, (ja esta suspeito), saí na chuva rápido pra entrar no onibus, o elevador baixou entrei e meu pai ainda colocava o cinto de segurança na cadeira enquanto o motorista penava pra recolher o elevador. Mais uma vez deu problema travou no meio da escada, mais de 30 minutos tentando recolher pra fechar a porta do onibus. Então surge outro atrás, microõnibus sem elevador, simplesmente todos sairam pulando pelo elevador enguiçado ficando só eu no ônibus, sai carregado de novo, me molhei todo, voltei pra casa.
Olha que legal, o ônibus ficou quase 1 hora parado na porta da minha casa!!! Lutei e consegui o ônibus, mas não era pra ficar estacionado na minha casa né? Parecia até particular…
A bendita linha é a 1950 do DER-MG.”
O Thiago tirou também fotos do elevador travado:
Que dureza, heim Thiagão? Mas não perde as esperanças não, pelo menos tem buzão adaptado né? Agora, imagina no interior, onde o jeito é carregar na charrete? Vamos ver se a BHTrans dá uma melhoradas nesses carros aí. Força garoto!

domingo, 7 de março de 2010

Cuidando dos pés

Ontem fui ao shopping e aproveitei para satisfazer um dos maiores prazeres da minha namorada: me dar presentes. Eu estava precisando de sapatos novos - não que os meus estejam gastos, pois essa é uma vantagem de ser cadeirante, não gastar sapatos - mas é que estou com poucas opções mesmo. Aí sugeri discretamente (na lata) que ela me comprasse um par e entramos na loja pra escolher.
Nesse momento eu satisfiz um dos meus maiores prazeres: assustar vendedores de sapatos:
- Boa noite, o senhor gostaria de ver sapatos?
(eu pensando em responder: "não, vim aqui comprar sorvete de baunilha")
- Sim, queria ver um modelo destes, destes e daquele ali.
- Qual número o senhor calça?
Pausa dramática....
- 45. Bico largo.
A cara dos vendedores é impagável. E a explicação a seguir, melhor ainda.
- Bem, hehe, acho que não tem daquele modelo não, hehe, mas vou ver, e do outro também só vai até 44, mas tenho outro modelo....
E o cara vai se enrolando até eu quebrar o galho:
- Cara, busca o que você tiver de 45, só não traz bico fino nem sapatênis.
Quinze minutos depois o cara trouxe quatro pares (uau!). Um deles, marrom, descartado de imediato. Outro, horroroso, também. Sobraram dois, experimentei um deles, e tive que ouvir:
- Não tá apertando não, né?
Ai ai. Claro que se estivesse eu não sentiria, mas apertei com os dedos na ponta e senti meu dedão no limite, não parecia estar apertado. Experimentei o outro, entrou com certa dificuldade, mas ficou bom também, não apertou na ponta. Os dois modelos bonitos, bem parecidos, a diferença é que um era mais acolchoado por dentro, e este era mais caro cinquenta reais. Qual deles levar?
A resposta óbvia, de pobre, é levar o mais barato, pois não sinto muito os pés e não piso, portanto não irá incomodar meu pé. Por outro lado, achei que devia cuidar bem dos meus pés, pois se um dia voltarem a funcionar devem estar em bom estado de conservação (parece até carro usado). Mas no fim das contas levou a lógica e a economia: o modelo mais barato tinha ficado também mais certo no pé, e de fato eu não piso, não fico de pé em horário comercial, em casa uso tênis ou papete para ficar de pé. Foi uma boa compra, estou satisfeito e acho que meu pé também. Pelo menos na hora ele não reclamou.

sábado, 6 de março de 2010

Mudanças de clima

Semana passada houve queda de temperatura de 10º em Minas e até 14º em São Paulo de um dia pro outro. É praticamente Verão num dia e Inverno no outro. E pra alguns "artrodesados" (pessoa sofreu uma cirurgia de artrodese na coluna) como eu e tem doze parafusos de titânio e ainda uma estrutura de ligação, estas mudanças bruscas de temperatura são uma facada. Parece mesmo uma facada nas costas, o metal esfria e a musculatura enrijece de tal forma que parece rasgar. Mas a gente acostuma, ou veste uma camiseta por baixo pra dar uma esquentada extra, ou os mais barangos aderem a um coletinho de lã que a vovó fez quando ele era adolescente.
Se fosse só isso, tudo bem, o problema é que a lesão medular costuma ter também outro "efeito colateral", a dor crônica (que por acaso eu tenho) e estende este reflexo para o resto do corpo. O resultado é que a musculatura do corpo todo sente a mudança e fica dolorida, latejando. Sabe quando você dá uma martelada no dedo? É aquela sensação, só que do peito pra baixo no corpo todo. E não vai diminuindo, fica o tempo todo daquele jeito. Muitas vezes fico tremendo de dor, e tenho que tomar remédios pesados para segurar a onda. Mas são os ossos do ofício. Ou melhor, são os músculos.
Por falar em onda, essa semana deu uma chuva torrencial aqui em BH, e quando saí do serviço (coisa de peão) passei por uma esquina que achei que meu carro fosse boiar. Estava alagando que é uma beleza, a água já estava batendo na porta do carro. Mais tarde vi no jornal que teve um ponto da cidade em que um carro ficou totalmente coberto pela água, dava pra ver só um pedaço do teto do carro. Aí eu te pergunto: e se fosse eu? Como é que um cadeirante sai do carro numa dessas? Tudo bem que aprendi a nadar sozinho, sempre me virei bem na água, mas na hora do aperto, com cinto, vai que a porta do carro não abre... Será que alguém vai mesmo tirar o infeliz de lá? Por via das dúvidas, já coloquei meu snorkel no porta-luvas do carro. Aqui em BH não tem utilidade mesmo...

terça-feira, 2 de março de 2010

Morrinho nosso de cada dia

Como passei a almoçar na rua com mais frequencia ultimamente, passei também a tocar mais a cadeira e (infelizmente) conviver mais com as calçadas esburacadas e as subidas e descidas tão presentes nas ruas mineiras.
Busco sempre o restaurante mais acessível possível (bonito isso) e mesmo assim enfrento um leve morro pelo menos duas vezes por semana (já que quarta e sexta minha empregada vai e faz comida e acabo indo na segunda comer sobras de domingo - pobre é foda). E desde então percebi o quanto estou despreparado fisicamente e o quanto estava mesmo precisando de um exercício físico. Dirigir é muito importante pra cadeirante, mas te deixa preguiçoso. Quem é normal já sente isso quando compra carro, eu não passei por isso antes porque sempre fui esportista, mas a cadeira me trouxe pra essa realidade.
Na maioria das vezes aparece alguém pra dar um empurrãozinho, o que por um lado também é ruim, pois fico sem fazer o tal do exercício. Mas muitas vezes tenho que tocar na ida e na volta e depois fico todo dolorido pelo esforço. É, me arrependi de ter burlado os treinos de tocar cadeira no Sarah. Lá, vai todo mundo pro estacionamento, fazem um trajeto de ida e volta e mandam os cadeirantes dar várias voltas para treinar força e controle da cadeira. Como não dá pra controlar todo mundo, eles olham por alto e os "espertinho" fingem algumas voltas, como eu. E depois compram carro e não treinam nunca mais, como eu. E depois ficam chorando no blog, como eu. Quem manda ser espertinho...

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...