terça-feira, 15 de setembro de 2009

Hotel adaptado em Ouro Branco

No último fim de semana estive no Hotel Serra Palace, em Ouro Branco, a 100 km de Belo Horizonte. Procurei me informar antes e disseram que havia um quarto adaptado pra deficiente, fui lá conferir. O acesso ao hotel é ótimo, tem rampa nos acessos e o hall não tem obstáculos.
Porém o estacionamento é muito ruim, não tem vaga específica pra deficiente, perto da entrada, e as vagas são todas descobertas e aleatórias, não são dedicadas exclusivamente aos hóspedes. Portanto, se alguém vai lá só para almoçar (o restaurante é liberado) e o estacionamento lotar, os hóspedes ficam reféns das vagas que sobrarem, se sobrarem. Peguei a última vaga disponível, mais longe da portaria, e com risco de algum descuidado pegar a traseira do meu carro, que ainda por cima ficou no sol.
O acesso ao quarto é bom, porta ampla, e tem um sistema de chave moderno, daquelas tipo cartão que a gente coloca num suporte para acender as luzes. A entrada para o banheiro só é acessível se a cama for arrastada e ficar bem próxima à bancada, tipo mesa de escritório, que ocupa toda a parede, mas isso não atrapalha em nada. O espaço no banheiro é muito bom, a cadeira de rodas entra no box, mas não há cadeira própria para banho, tive que colocar a cadeira de plástico que havia na bancada. Há duas pias, uma mais baixa para cadeirante, o que é muito importante e me surpreendeu, nunca havia visto antes. Mas o vaso não tem as barras para apoio e transferência, ainda bem que não precisei utilizar. De acordo com funcionários, fui o primeiro cadeirante a usar o quarto, e que o mesmo ainda está em fase de adaptação. Espero que seja finalizado em breve.
O hotel conta com uma piscina com cascata na área externa ao restaurante, e aí sim eles pecaram na acessibilidade. Há um degrau para a piscina e não há nem uma rampa móvel para descer com cadeira de rodas, tem que descer e subir na mão mesmo, o que é desonfortável e perigoso.
A cidade tem atrativos naturais, como a serra de Ouro Branco, com mirantes e cachoeiras. Tem também uma igreja no estilo das de Ouro Preto no centro da cidade, em frente a uma praça que preserva um coreto. O evento mais importante da cidade é a Festa da Batata, em outubro, que dura uma semana e termina em 12 de outubro, com presença de artistas de renome nacional. O hotel é bem próximo ao centro de eventos onde ocorre a festa. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Resultado da enquete

Há aproximadamente três meses lancei a enquete com a pergunta "O que mais te incomoda por ser cadeirante?" e o resultado pode ser conferido abaixo:

Deixar de ir a alguns lugares
21 (23%)
Falta de oportunidades de trabalho e diversão
9 (10%)
O jeito que as pessoas olham para você
15 (16%)
Falta de controle da bexiga
45 (50%)


Foram noventa votos e agradeço a todos que votaram e participaram da enquete. Como eu suspeitava, a grande maioria, metade dos votantes, se incomoda com o fato de não controlar a bexiga. É também o que mais me incomoda, apesar de raramente ocorrer um "acidente" na rua, em casa é comum o coletor soltar ou a bexiga se manifestar mais cedo, e aí molha sofá, cadeira, cama, onde quer que eu esteja.
No dia a dia, tenho uma segurança de três horas depois que faço o cat, a não ser que eu tome muito líquido, aí tenho que colocar o coletor mais cedo. Algumas vezes sinto a bexiga cheia e consigo segurar, mas não por muito tempo. Mas é sempre chato ter que colocar coletor, ou ficar preocupado se vai "vazar" ou não. Até que minha bexiga melhorou, no início precisava ficar o tempo todo com o coletor. Eu tomo de oito em oito horas o Retemic, que ajuda a diminuir a espasticidade da bexiga, mas ainda assim tenho algumas surpresas "molhadas". Mas esta prevenção é o melhor que encontrei até hoje para diminuir as urinadas de 15 em 15 minutos, e até que surja outro meio, só o coletor salva.
Em segundo lugar na enquete ficou a opção "deixar de ir a alguns lugares", e também concordo que isso é muito chato. Tenho alguns amigos e parentes que moram em prédio sem elevador, e a não ser que eu leve alguns "carregadores" comigo, não tem jeito de visitá-los. E ainda tem muitos lugares que eu gostaria de ir, como alguns restaurantes e botecos, que pelo tamanho da escadaria me desanimam. Mas no fim das contas, quando alguém marca alguma coisa em lugar com escadas, é só contar com a ajuda de duas pessoas que dá pra subir numa boa, não é também um bicho de sete cabeças.
As outras opções não me incomodam, a terceira, "o jeito como as pessoas olham pra você" já não me incomodava antes da cadeira, agora então, não faz diferença. O problema é das pessoas, não me incomodo com ninguém me olhando torto ou diferente. O que importa é me sentir bem, onde quer que seja. E a última, "falta de oportunidades", a cada dia aparecem mais, e quando não aparecem, botamos a boca no trombone e garimpamos nosso lugar ao sol!
Em breve lanço outra enquete, dêem ideias que serão bem vindas!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aeroporto de capital de estado sem estrutura

É gente, não tem jeito, todo mundo sabe que é importante atender a todos, que são milhares de cadeirantes no Brasil mas além de encontrarmos até mesmo repartições públicas sem adaptação para cadeira de rodas, até os lugares mais direcionados ao público EM GERAL, como rodoviárias e aeroportos, não atentam para este detalhe e tomam uma providência concreta para atender e aumentar a segurança deste público.
No último fim de semana fui de avião para Vitória, capital do Espírito Santo, e apesar de não ser a primeira vez (estive lá a pouco mais de um ano) ainda me impressionei com a falta de algum equipamento para auxiliar o embraque e desembarque de um cadeirante. É terrível ter que esperar até conseguir alguém "forte" o suficiente para carregar o cadeirante escada abaixo (ou acima) e ainda assim correr o risco de um acidente no percurso (reparem a cara de força que o cara está fazendo, teve hora que achei que fosse todo mundo pro chão).
Não estou cobrando uma passarela móvel ou um elevador, mas um equipamento como o que existe no aeroporto de São Paulo, que experimentei no ano passado, como o da foto abaixo. Deveria ser um equipamento obrigatório em todos os aeroportos do país, afinal não pode ser tão caro assim, e mesmo que seja, os responsáveis pelos aeroportos tem que zelar pela segurança e bem estar de todos. Não tem?
Mandei e-mails com o ocorrido para ANAC e governo do Espírito Santo. Vamos ver se alguém toma alguma providência. Aproveito para parebenizar os amigos do Sem Barreiras, que através de denúncia e divulgação, conseguiram mudanças na rodoviária de Porto Alegre nesse sentido.

Cadeirantes na praia

Quando estive no Sarah presenciei um auto-preconceito. Estávamos na aula sobre as cadeiras de rodas, modelos, forma de desmontar, essas coisas, quando a instrutora falou que existem cadeiras de rodas próprias para ir à praia, que bóiam e permite até uns mergulhos. Na hora um dos cadeirantes falou: "que praia o que, se eu achar um de vocês na praia dou muita pancada. Que ideia, cadeirante não tem que inventar moda não."
A instrutora tentou explicar que o cadeirante deve pensar justamente o contrário, que é capaz de ir a qualquer lugar, bastam algumas adaptações. Mas o cara era desses radicais e continuou dizendo que quem arriscar vai passar é raiva, e que ia rir muito quando visse uma cadeira atolada na areia.
Nunca mais vi esse cara, apesar de morar aqui em BH, mas acredito que deve estar muito insatisfeito e recluso dentro de casa, sofrendo. Pior que preconceito alheio é o preconceito que a pessoa tem com ela própria. Por achar que vai incomodar, por achar que as pessoas vão ficar olhando, por achar que por estar em uma cadeira de rodas deve ficar em casa, as pessoas não vivem.
Este fim de semana fui a Guarapari, nova morada dos meus pais, e me surpreendi com algumas coisas. De positivo, a orla das praias em que estive está totalmente urbanizada, com calçada larga, boa iluminação (inclusive na praia - foto abaixo) e quiosques de alvenaria. As orlas agora tem bastante espaço para andar ou rodar com segurança, são bem arborizadas e tem lixeiras por todo o trajeto. De negativo, nem todas as esquinas tem rampa e as calçadas são muito irregulares e apertadas em alguns pontos.
Então, porque um cadeirante não pode ir à praia? Estou falando aqui só de passear pela orla ou parar em um barzinho pra comer um peixe e tomar uma cerveja, pois nunca fui muito fã de ficar tostando na areia, mas o banho de mar eu sempre gostei. E se der na telha, vou pro mar, mesmo sem uma cadeira adaptada, desde que não tenha muita onda e nem seja fundo. O problema com essas cadeiras "anfíbias" é o preço, mas nas grandes cidade como o Rio de Janeiro, já há algumas unidades compradas pelas barracas de praia, de acordo com o post que vi no Mão na Roda.
Então meu amigo, não tem essa de ficar em casa não, cadeirante é gente como todo mundo e tem direito de fazer o que gosta, onde quer que seja.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cadeira para cadeirante fazer sexo

Um dos assuntos mais polêmicos envolvendo cadeirantes, paraplégicos, tetraplégicos e mamulengos em geral é o sexo. Quem não é deficiente não sabe se é possível, alguns que são às vezes ficam com medo de tentar e piorar sua situação e outros não estão nem aí e querem mais é se divertir. Me encaixo no último grupo e afirmo que problema não traz não, pelo contrário, algumas vezes sinto até melhora de sensibilidade em alguns pontos e até alguma resposta muscular.
Para auxiliar e incentivar pessoas que tem alguma dificuldade motora, já existe nos Estados Unidos uma empresa que desenvolve uma série de produtos que facilitam a vida tanto de cadeirantes quanto de pessoas com outros problemas físicos ou musculares, é a Intimate Rider. Para se ter uma ideia, o vídeo abaixo mostra uma cadeira própria para praticar sexo com cadeirantes, sejam paraplégicos, tetraplégicos ou atrofiados. O vídeo está em inglês, mas basicamente diz que a cadeira auxilia nos movimentos e exemplifica algumas posições sexuais que ela facilita.
Mas convenhamos, não é necessária uma cadeira própria pra isso, basta criatividade, amor, e, às vezes, um pouco de paciência. Mas fica a dica, pode ser bom até para apimentar a relação!
De brinde uma linda cena de amor de uma novela mexicana chamada Mientras Haya Vida (Enquanto há vida) que retrata a vida de uma cadeirante.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

CENTAC

O trabalho é proporcionar ás pessoas que utilizam cadeira de rodas o melhor equipamento em termos de postura, eficiência, segurança e conforto. No CENTAC o processo de avaliação das necessidades do cadeirante é prioritário, para isso contamos com profissionais especializados trabalhando com uma tecnologia única, o SPMS – simulador da postura e mobilidade assistida em sentado.
Tendo conciência da importância da cadeira de rodas enquando meio transformador para o desenvolvimento adequado da postura e da mobilidade em sentado, o CENTAC atravéz da tecnologia e do estudo da biomecânica oferece um novo conceito em adaptações para cadeira de rodas.
Inaugurado em Novembro de 2007 e localizado no coração de Moema, o CENTAC oferece um ambiente clínico totalmente voltado para o estudo e a avaliação das necessidades do paciente com relação ao seu equipamento.

O CENTAC foi desenvolvido com o objetivo de levar qualidade de vida para crianças especiais, adultos e idosos que dependem da cadeira de rodas para se locomover e/ou para se manter na postura em sentado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Paciência em questão

No Brasil o indivíduo não pode se dar ao luxo de ficar doente. Por incrível que pareça, a frase faz todo sentido, quem tem alguma enfermidade ou situação que demande cuidados, certamente terá problemas para resolver seu problema.
Pra mim o mais impressionante é a sala de Emergência dos hospitais, públicos ou privado. Se a pessoa se dirige à emergência, é porque está em uma situação limite, de urgência. É claro que os funcionários do hospital tem o dever de fazer uma triagem e priorizar alguns casos, pois não há pessoal nem recursos suficientes para atender a todos de uma vez, além do fato de ter muita gente que por qualquer coisinha corre para uma emergência. Mas algumas vezes é difícil determinar as maiores urgências, há dias que se vê várias pessoas sofrendo com dores e cólicas fortes e tem que esperar de qualquer forma.
Mas o que mais me surpreende é chegar ao guichê de uma emergência e receber uma senha. E mesmo sendo uma senha de prioridade, espero uns vinte minutos pra fazer a ficha. E mais vinte para ser atendido.
Pensam que estou falando de hospital público? Antes fosse. O relato é de ocorrências no Hospital Belo Horizonte, onde a maior parte dos atendimentos é com plano de saúde. No último domingo passei cinco horas (e alguns minutos) dentro do hospital pois estava com suspeita de pneumonia e ainda com a escara nas costas. Tudo bem que metade desse tempo foi esperando um exame ficar pronto, mas para não piorar minha escara pedi para deitar em uma maca, e depois de uns vinte minutos conseguiram pessoal para me ajudar a subir na maca, para que eu ficasse de lado um pouco. Ah, detalhe: estava com febre esse tempo todo.
É, nem quem tem alguma condição pode se dar ao luxo de adoecer. Que dirão as pessoas sem condição, que enfrentam hospital público.
No fim das contas o paciente, na maioria das vezes, se torna um sobrevivente.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...