O primeiro desafio é a viagem de avião. Chegando ao aeroporto, já rola uma tensão sobre o embarque. Será que vou viajar mesmo na primeira fila? Será que vão saber me ajudar na transferência para a poltrona? Quanto à primeira pergunta, por incrível que pareça, pode ser um problema. Eu geralmente fico tranquilo, mas a Gi sempre fica tensa. Acontece que a primeira fila não tem como reservar na compra, pois ela é "bloqueada" para pessoas com deficiência ou outra dificuldade de locomoção. Bloqueada entre aspas, porque nem sempre é assim. Tanto que este foi um problema que tive. Chegando ao check-in, me disseram que as poltronas seriam na fila 15. Eu disse que tudo bem, só que teriam que me carregar até lá, pois eu não ando. É por isso que fico tranquilo, quando falo isso e eles olham para meu tamanho, correm atrás de mudar o assento logo. E foi o que fizeram, alteraram o assento para a primeira fila. Tudo bem, sentei ali, iniciamos a viagem, mas na escala, em Santo Domingo, na República Dominicana, tive que sair do avião, junto com todo mundo, para uma vistoria que é obrigatória naquele país. E na volta para o avião... apareceu outro dono do assento. A aeromoça explicou que eu era cadeirante e precisava viajar ali. Meio emburrado, o passageiro foi lá para a 15ª fila.
Aí vem o vôo. Enfrentar mais de dez horas de vôo não é fácil para ninguém, ainda mais para um cadeirante. Isso porque a gente não tem como dar aquela esticadinha no corpo, levantar um pouquinho, esticar as pernas, ou mesmo sentar de ladinho. O máximo que conseguimos é mudar um pouquinho a posição. Como viajamos na primeira fila, costuma ter um pouco mais de espaço, e a dica é colocar o pé na parede e esticar as pernas. Outra dica: fazer elevação na poltrona frequentemente. Para quem não sabe, elevação é apoiar nas laterais e levantar o corpo. Isso ajuda bastante a minimizar a pressão nas nádegas e as dores. Eu devo ter feito umas 20 elevações na viagem.
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| Mini cadeira para deficiente ir ao banheiro |
Outro problema grave é o banheiro. Como ir a um banheiro de avião sem andar? Vou contar um pouco sobre isso. Na viagem de ida, fui ao banheiro na escala, em Santo Domingo. Foi bom porque estava bem na hora de fazer outro cateterismo (faço de seis em seis horas). Sem problema. Mas na volta... A parada na escala foi com duas horas e meia de vôo. E ainda tinha mais quase sete horas pela frente... Após reembarque, outro dono do assento apareceu. E a comissária novamente teve que convencer que eu precisava ficar ali porque não andava. Mas as poltronas não são bloqueada? Que nada, o cara mostrou as passagens (ele e mais um) exatamente na primeira fila. Sacanagem né?
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| Pelo menos funciona, mesmo para um gigante |
Dali a três horas, precisei ir ao banheiro. Solicitei ao comissário de bordo e ele explicou que há uma cadeira própria, e ele me ajudaria na transferência para dentro do banheiro. Aceitei o desafio e ele trouxe a cadeira. Ou melhor, a mini-cadeira. Ela é muito pequeninha, mas funciona. Transferi para ela e fomos tentar entrar no banheiro. Foi um desafio. Dois comissários ajudando, mais uma comissária no apoio moral. Me apoiei na pia do banheiro, e o comissário segurou no meu braço e me empurrou para dentro. Senti falta de uma alça mais colocada na porta do banheiro, ajudaria muito na transferência. Enfim, o comissário meio sem jeito conseguiu me ajudar e sentei na beirada do vaso. Aí consegui acabar de sentar. Minha namorada entrou comigo e me auxiliou no cateterismo. Não pensem bobagem, afinal é um fetiche transar no banheiro do avião, mas pelo tamanho daquilo, nem contorcionista consegue. Ela coube em pé entre minhas pernas, mas ajudou pacas.
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| O espaço é beeeeem apertado! |
A volta foi diferente. O comissário sugeriu que eu me "pendurasse" no pescoço dele e aí me puxaria para fora. Fiz isso, e deu certo, mas foi meio desconfortável, afinal eu quase abracei o cara. Enfim, é difícil o processo, mas possível. A ideia que tive foi levar um banquinho daqueles dobráveis, tipo de praia, de alumínio, pequenininho, e colocar em frente ao vaso. Aí o cadeirante transfere para ele, e depois para o vaso. Isso resolveria o problema, para não precisar de ajuda. Se houvesse um banquinho assim no avião, resolvido.
Detalhe interessante: no nosso vôo, na ida e na volta, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, estava presente. Na ida, só descobri porque o comissário estava meio nervoso e nos contou. Já na volta... o avião precisou fazer uma escala para abastecimento em Brasília, que não estava programada, e chegando lá perto, ele se levantou e foi lá na frente dizer quem era, e que estava ali para ver como estava essa rota, e saber os problemas que os passageiros estavam enfrentando na viagem. Corajoso o cara. Logo que o avião pousou em Brasília, umas quinze pessoas "voaram" nele para reclamar. E ele com um iPad anotando as reclamações. Até o fim da viagem, em Guarulhos, o cara ouviu muuuuito. Até da Gi, que ficou esperando minha cadeira chegar e eles não a encontravam no porão. Ele perguntou e ela: "não encontram a cadeira dele, é novinha, de titânio!" Por sorte encontraram ela depois...Mas foi tenso!
No fim das contas, essa escala em Brasília atrasou a viagem, que durou mais de 13 horas no total! Cheguei extremamente cansado, com muita dor e com sono, afinal não consigo dormir naquelas poltronas minúsculas. Mas valeu a pena, me diverti muito e trouxe minha Ti Lite. Vou contar mais nos próximos posts!
Achei ela bem legal, nada confortável, mas eficiente. Para circular em locais estreitos, é ótima!
ResponderExcluirNunca senti incômodo anormal devido a pressurização, só mesmo aquela dorzinha chata no ouvido!
ResponderExcluirA ideia do blog é justamente contar a intimidade de um cadeirante, e através disso tenho ajudado diversos cadeirantes de todo o país. Se te agride esta postura, é só não ler o blog. Aceito plenamente minha condição, o que defendo é justamente que o cadeirante se integre na sociedade de forma que sua condição não seja evidente em nada. Tenho muito contato com pessoas com deficiente, todos os dias, seja através de e-mail, chat, facebook, etc, tenho uma colega de trabalho e outros conhecidos na minha cidade, só não nos encontramos mais por falta de tempo. Enfim, se está incomodado(a), é só não ler o blog.
ResponderExcluirVocê faz afirmações como se me conhecesse bem e aos que me cercam, e não poderia estar mais equivocado. Não tenho necessidade de mostrar que sou capaz, simplesmente faço o que gosto e tenho vontade e mostro no blog para servir de inspiração a pessoas que acham que não são capazes. Quanto a cansar as pessoas do meu convívio, dê uma olhada no meu perfil do Facebook para ver se encontra alguém com esta característica.
ResponderExcluirVocê faz afirmações como se me conhecesse bem e aos que me cercam, e não poderia estar mais equivocado. Não tenho necessidade de mostrar que sou capaz, simplesmente faço o que gosto e tenho vontade e mostro no blog para servir de inspiração a pessoas que acham que não são capazes. Quanto a cansar as pessoas do meu convívio, dê uma olhada no meu perfil do Facebook para ver se encontra alguém com esta característica.
ResponderExcluirOlá! Obrigado pela contribuição, ajudou bastante! Não sabia que tinha como solicitar auxílio pelo Facebook, boa dica. E sobre a Noruega também, quem diria! Quando for por aqueles lados incluo na minha rota. Abraços!
ResponderExcluirOi José, acho que você quis dizer 737, esse sem dúvida é melhor para viajar, pois é mais fácil aproximar a cadeira do assento para transferir e tem mais espaço para as pernas.
ResponderExcluirJosé, tem sim, dependendo do modelo de aeronave e da disposição das poltronas. Alguns 737 da Gol não tem a primeira fileira do lado esquerdo, portanto dá para chegar com a cadeira até perto da poltrona da janela e transferir com segurança.
ResponderExcluirAcho que esse cara só quer te trolar. Nada a ver o comentário dele. E eu resumiria a resposta que você deu a ele assim: FODA-SE!
ResponderExcluirEsse mala ainda não entendeu que o seu público-alvo são outros cadeirantes, como é o meu caso, e pessoas bem próximas que também querem saber das suas experiências, para tirar dúvidas ou compartilhar experiências também. Eu mesmo pretendo viajar ao exterior pela primeira vez e estou cheio de dúvidas quanto à viagem de avião, em razão das longas horas, tendo que fazer o cateterismo, aliviar a pressão sentado por tanto tempo, etc.
ResponderExcluirOlá Paulo, na solicitação do visto não sei te dizer. Fui com a esposa ew não houve problema.
ResponderExcluirPoooxa nada a ver o cara falou, meu marido tem distrofia muscular e não anda sozinho. Queremos viajar para a Europa e minha maior preocupação é o banheiro, ou seja, esclareceu uma enorme dúvida. Muito obrigada por compartilhar sua experiência.
ResponderExcluirObrigado! Nem presto atenção a este tipo de comentário, com certeza não é deficiente nem faz ideia das nossas prioridades. Abraços
ResponderExcluirOi! Pretendo viajar para Portugal, com a TAP.Alguém já viajou pela Tap?
ResponderExcluirDenise