sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Manobras radicais com cadeira de rodas.


É difícil opinar neste tipo de "atividade", pois eu sempre curti esportes radicais, sempre adorei adrenalina, nunca tive muito medo de arriscar, mas foi essa falta de medo que me deixou paraplégico. Portanto, os argumentos que eu sempre usei favoráveis aos esportes radicais, como a emoção, a sensação de superação de limites e a descarga de adrenalina no sangue, que provoca sensação de êxtase e felicidade, soam um pouco fúteis perto da consequência que a falta de responsabilidade me causou. Mas aí é que ainda encontro argumento para defender esportes radicais e emoções: feito com responsabilidade e segurança, a probabilidade de ocorrer acidentes é minimizada.
Mas ainda assim me assusto um pouco vendo esses meninos praticando "Hard Core Sitting" - Extreme Wheelchair, ou em bom português "manobras radicais em cadeira de rodas". Não que eles não façam com segurança, usam capacete e roupas de manga comprida, mas é que uma pessoa que já sofreu um acidente (ou levou uma bala) e ainda se arrisca mais, sabendo do quanto pode piorar sua situação, acho um pouco de irresponsabilidade. Mesmo porque a pessoa está amarrada na cadeira de rodas, em um tombo a chance da cadeira virar por cima e machucar ainda mais o indivíduo é grande. De qualquer forma eu não condeno, se eu tivesse ficado paraplégico mais novo não duvido que eu buscasse este tipo de aventura. Mas tem que ter muita, muita responsabilidade pra não ultrapassar os limites e provocar mais uma desgraça na vida já sofrida de um cadeirante. E também tem a questão da inclusão, para esses garotos é uma forma de se integrar e participar das atividades normais desta faixa etária.

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