quinta-feira, 30 de julho de 2009

Acidentes com moto


Todo mundo sabe que moto não é brincadeira, que todo dia morre um monte de gente em acidentes de moto e os que não morrem tem sequelas severas, como no meu caso, por exemplo, a paraplegia. O pior é que eu sempre disse que não dá pra dar mole, que moto é tampa de caixão e que o para-choque de motociclista é a testa. Mas acabei seguindo o lema "faça o que eu falo, não faça o que eu faço" (a foto acima é do capacete que eu estava usando no acidente, e a abaixo é do que sobrou da moto).

No Jornal Hoje de ontem saiu uma reportagem sobre os acidentes com motocicleta no Brasil, as estatísticas, as consequências e os custos disto para o governo. Depois de assistí-la, descobri que, comparativamente, caí de um prédio de uns 18 andares e sobrevivi. Abaixo transcrevo parte da matéria e destaquei em negrito as frases mais marcantes, mas a que traduz o "resumo da ópera" pra mim é a segunda frase. Se houvesse um "test-drive" de paraplegia para aplicar nestes motoqueiros malucos aposto que ninguém mais corria. A reportagem:

"Negligência ou falta de informação? O que parece é que os loucos por uma moto não se dão conta do que os espera em caso de acidente.

E não é exagero. Na queda, o asfalto vira uma lixa no atrito com a pele do motociclista. E quanto maior a velocidade da moto, pior. O professor de física faz o cálculo. Se o piloto estiver a 60 quilômetros por hora, na queda ele vai rolar 17 metros pelo chão.
E o professor vai além. Cair de moto a 36 quilômetros por hora equivale a uma queda aproximadamente do segundo andar de um prédio. Se o motociclista estiver a 72 quilômetros por hora e cair, é o mesmo que ele despencar do sexto andar. Já para os pilotos de corrida, que podem se acidentar a 144 quilômetros por hora, a queda é igual a altura de um prédio de 20 andares.

“No caso da moto, o próprio piloto é o para-choque, diferente do carro, que tem amortecimento natural, por conta da lataria, que tem o efeito sanfona”, explica Beraldo Neto, professor de física.
Nos últimos dez anos, o número de mortes em acidentes de moto aumentou mil por cento, de acordo com o Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito. No ano passado, foram cerca de dez mil motociclistas e caronas mortos em todo o país. E mais de 500 mil feridos.

A maioria dos motociclistas acidentados é jovem. E quando sobrevivem, custam caro ao estado. “Em média esses doentes levam de três a quatro meses de internamento hospitalar. Tem um custo social importantíssimo e um custo também financeiro elevado pro estado porque as orteses e próteses usadas para essas cirurgias são materiais caros”, revela Hélder Corrêa, diretor do Hospital da Restauração."

Bem, falta de aviso não é, se os motoqueiros ainda acham que "comigo isso não acontece", acreditem que a grande maioria dos acidentados também pensava assim. Eu inclusive.

10 comentários:

  1. Tive duas quedas leves e com pouca velocidade, pórém os ferimentos foram graves: um braço quebrado e muitos ralados. Tive muita sorte, fico pensando se estivesse com maior velocidade o que teria acontecido. Moro em SP, Tenho 37 anos, ando de moto desde os 14. O perigo é constante, e o meu recado para moçada é exatamente esse: Não abuse da velocidade, infelizmente ela é nossa inimiga número 1. Lembre-se, se você estiver com uma velocidade compatível com a permitida ou coerente com a situação, sua chance de frenagem é muito maior. Belo blog, vou espalhar pra muita gente. Muita força a todos, valeu.

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  2. Olá amigo, sou apaixonado por motos, sempre tive moto hoje tenho carro nao me arrependo mas ainda morro de vontade de ter uma pra dar umas voltinha mas ai me vem na cabeça as quedas que sofri quando eu tinha a minha, infelizmente a maioria dos acidentes envolvendo moto sao imprudencia de outros motoristas que na maioria das vezes nao respeitam os motoqueiros. teu trabalho de divulgação do seu acidente e mto bom isso ajuda as pessoas a manerar na velocidades das motos e abrir os olhos de jovens como eu, meu nome é Newton tenho 24 anos.parabens.

    como aconteceu seu acidente?
    newton_ricci@hotmail.com (email e msn)

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  3. Olá!
    Gostei muito do seu depoimento.
    Parabéns!!

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  4. Olá, achei muito interessante seu blog.

    Eu gosto de motos, ainda não tenho uma, mas estou começando o processo de adição de categoria A na minha Habilitação B.

    Os acidentes acontecem por uma sequencia de eventos que vão se somando e potencializando as possibilidades.

    Penso que é importante ir com calma na direção de qualquer veículo, principalmente motos.
    Motos são perigosas, mas, grande parte da evitabilidade de um acidente cabe ao piloto. Li um estudo feito no Piauí, sobre acidentes de moto e lá aparece que a maioria dos motoqueiros que se envolveram em acidentes estavam alcoolizados, tinham o ens. medio incompleto e estavam sem capacete ou com um capcete de qualidade questionável. O EPI (Jaqueta com proteção, bom capacete, luvas, botas ou sapato reforçado) é fundamental caso ocorra um acidente.

    Vou contar um exemplo. Um amigo meu foi andar na chuva e a noite. Nesse momento um carro o acertou em cheio e foi embora semprestar auxilio. Meu amigo sobreviveu, sem nenhuma sequela. Pq? Pq ele estava usando EPIS.

    Moto pode ser perigoso, mas certa vez eu estava no meu carro e por uma diferença de 2 segundos um outro cara em um carro não entra na minha porta, ele queria passar no sinal amarelo, quando ele passou pela minha frente não tive reação nenhuma. Nem deu tempo pra buzinar. Passou bem perto. Sorte minha que eu não sou afobado.

    Então, acredito que motos são perigosas, acidentes acontecem, mas, a experiência, o seu lado emocional, o uso de equipamentos (nisso não pode haver economias), atenção, prudência e principalmente medo (não pânico), são os fatores principais para se pilotar uma moto com certa segurança, já que a idéia de segurança é ilusória.

    Mas assim é a vida.

    Quer correr? O lugar certo é o autodrômo.

    Bem, é isso que eu acho.

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  5. Cara lamento pela sua queda e seque-las mas pelas fotos e a paraplegia a velocidade foi determinante. A qualidade do capacete que usava tb sem comentários. Moto pesada e de cilindrada alta, alta velocidade e equipamento barato de baixa qualidade. Lamento cara, mas poderia ter sido diferente. Fica o alerta para os corredores economicos de plantão. Abraço a todos e boa sorte!

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  6. é amigo, tambem pensava que nunca aconteceria comigo... e acabou acontecendo o inesperado, PARAPLEGIA, belo blog, cara, tiro muita lição.

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  7. Vilson Godoi da Silva30 de julho de 2011 às 15:45

    Vilson sou cadeirante a 37 anos nao por moto e sim acidente de caminhao,eu era caminhoneiro e me acidentei em Sao Paulo na Via Dutra isso em 1974 nao tinha socorro,fui mal socorrido,para ter uma ideia eu fui arrancado debeixo do caminhao e colocado em um Maverc centado no banco da frente.se eu tivesse sido bem socorrido acho que eu estaria andando.Hoje nao pode colocar a mao no acidentado,so Bonbeiro e profisional na area.Tive 1 ano e 6 meses no Hospital em Sao Paulo,hoje e tudo mais rapido e tem muito mais recurso naquela epoca era tudo no grito nao sei como eu sobrevivi estes trinta e sete anos na Cadeira.Alessandro aprendi muito com seu Blog Deus te de saude para voce continuar nos infomando aas novidades no mundo dos Cadeirantes.Abraço

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  8. Sam,
    Parabéns pelo post!
    Que DEUS ilumine vc e te conceda muita saúde pra vc continuar nos informando.
    Acho maravilhoso ver alguém disposto relatando e informando pra outras pessoas com a criativade e inteligência que vc escreve...
    Parabéns!
    Adoro seu site!
    Abraço!

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  9. Eu já comprei uma moto financiada e estou com medo, mas vou tentar. Vou tomar todos os cuidados que eu puder. O uso de "mata-cachorro" faz diferença?

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  10. Mata cachorro ajuda apenas para a proteção das pernas

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