quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mobilização Passiva

É importante movimentar os membros afetados para manter a integridade e elasticidade
Fiz um post sobre isto em 2009, sem muito destaque, e pouca gente deu bola. Depois disso sempre quis voltar ao assunto e explicar melhor o quanto é importante fazer a mobilização passiva. Mas afinal, do que se trata? Porque é importante? Porque e por quem deve ser feita? Para tentar responder estas questões, resolvi fazer um vídeo sobre o tema, e ainda demonstrar alguns exercícios de mobilização passiva que faço todos os dias.
A mobilização passiva consiste no movimento de uma articulação em todas as direções possíveis sem contração muscular voluntária. No caso de quem tem lesão medular, como eu, é pegar as pernas, pés e dedos e movimentá-los para todos os lados. Todo mundo que tem lesão medular deve fazer a mobilização passiva, de preferência todos os dias. Se a pessoa tem limitações para fazer estes movimentos, o ideal é buscar um fisioterapeuta para fazê-los. Aliás, antes mesmo de começar a fazer os exercícios é importante consultar com um fisioterapeuta para que ele determine os exercícios certos para cada caso.
A mobilização passiva é importante para manutenção da integridade e elasticidade das articulações e músculos. É importante também para ativar e manter a circulação sanguínea, além de auxiliar na redução dos espasmos. E ainda previne o surgimento de trombose.
Sei que não é fácil fazer exercícios repetitivos todo dia, mas já que é importante não dá para deixar de fazer. Eu faço todos os dias logo que acordo, e ainda faço mais à noite. Não dá para descuidar da saúde, senão os prejudicados somos nós mesmos!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Alegrias e perrengues

Após o nascimento dos gêmeos, primeira foto da família completa
O mês de janeiro foi marcante para minha família, sob dois aspectos. Foi o mês em que tivemos a maior emoção de nossas vidas: o nascimento de Anne e Max, os gêmeos que estivemos esperando nos últimos oito meses, após fazermos uma inseminação artificial. Mas também foi o mês em que passamos um dos maiores perrengues de todos: uma "internação coletiva".

Poucos dias antes do nascimento dos gêmeos apareceram "erupções" nos meus braços, machucados semelhantes a espinhas que foram crescendo e inflamando. Aí veio a febre, na primeira vez que passou de 38 eu tomei Tylenol para baixar e deu certo. No dia seguinte, voltou a febre, e fiz a mesma coisa. No terceiro dia, véspera do nascimento dos gêmeos, mais uma febre de quase quarenta e uma dor no corpo intensa. Como eu iria ao hospital no dia seguinte mesmo, segurei a onda e aguentei.

Fomos então para o hospital ter nossos filhotes. O parto foi de manhã, chegamos cedo ao hospital e fomos para o bloco obstétrico. Senti o corpo quente mas aguentei para acompanhar de perto o nascimento dos meninos, e logo me chamaram para a sala de parto. Assisti ao nascimento dos dois com muita emoção, é incrível ver eles saindo da barriga da mãe e acordando para o mundo. Max nasceu com 1.685 gramas, e Anne com 2150 - nasceram prematuros, de 35 semanas e meia. Foi cesariana porque a gestação era de risco, a Gi chegou a ter sangramentos que nos assustaram bastante. Assim que os prepararam, foram levados para o berçário, e eu fui atrás. Lá, ficaram na incubadora para observação. Max, apesar de pequeno, nasceu bem formado e bem forte, mas precisou de sonda de alimentação para ganhar peso, pois poderia não aguentar sugar o peito. Anne também nasceu forte, mas teve dificuldades respiratórias devido à formação incompleta dos pulmões - coisa comum em bebês prematuros - e precisou seguir para o CTI Neonatal do hospital.



Após acompanhar o desenrolar do destino dos bebês, desci para o Pronto Atendimento do hospital para cuidar do meu caso, pois a febre já estava aumentando. Acabei internado também, e sem possibilidade de ver como estavam os bebês e nem a Gi. A sorte é que meus pais estavam nos acompanhando e me mantinham informado, e lá pegava celular e pude continuar em contato com a Gi. Entrei no antibiótico e a febre reduziu, mas precisaria ficar dez dias internado tomando antibiótico. Nesse meio tempo a Gi também teve complicações, identificaram uma infecção bacteriana na ferida da cesariana, e precisou tomar antibiótico também. A esta altura, quatro dias após o nascimento dos gêmeos, eu estava internado no PA ainda, pois não havia quartos disponíveis ainda, a Gi estava internada no quarto, a Anne estava no CTI e o Max no berçário pegando peso. A família inteira internada no mesmo hospital e sem contato. Somente o Max ia até a Gi para mamar e voltava para a incubadora. Não aguentei e consegui fugir para ver a Gi e o Max, e depois consegui autorização para ver a Anne no CTI. É de cortar o coração ver seu bebê com sonda na boca, respirador no nariz, acesso no braço e vários fios ligados ao corpo para monitorar batimento cardíaco, saturação, etc.

A Gi precisava de máscara até para ver a Anne no CTI
Depois de onze dias internado, recebi alta. O Max também teve alta do berçário assim que atingiu 1,8 Kg. Porém a Anne continuou no CTI e a Gi continuou internada tomando antibiótico, e para piorar teve febre e precisaram colocá-la em isolamento e mudaram o antibiótico. Para pegar o Max ela tinha que colocar uma capa estéril, luvas, máscara e toca. Era triste não poder nem tocar no seu filho, sem contar as restrições de contato com as pessoas. Ela não podia nem me dar um beijo. Foi bem sofrido, mas felizmente passou, e o antibiótico novo fez efeito. Finalmente, após quatorze dias de CTI, a Anne teve alta e subiu para o quarto. O clima ficou bem mais tranquilo para nós, eu podia sair de casa e passar a tarde com a Gi e o bebês. A Gi estava prestes a ter alta e nossa casa estava preparada para recebê-los. Mais quatro dias e finalmente a Gi teve alta, e fui buscar a turma toda no hospital. Foi uma grande alegria chegar com todos em casa e colocá-los finalmente em seus berços no quarto que preparamos com carinho para eles. Fiz uma adaptação no armário para instalar um trocador que eu pudesse entrar com a cadeira embaixo e manusear os meninos com segurança. Deu muito certo, vejam no vídeo acima. Depois farei outro mostrando como ficou na prática. Agora estamos todos em casa curtindo os bebês e dormindo quase nada... E tem valido a pena!
Agora os bebês estão em casa, curtindo sonecas e mamadas
Aproveito para agradecer aos meus pais, que deram um apoio fundamental, e a todos que nos mandaram mensagens e orações para nossos bebês!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Abrindo e fechando portas

Às vezes a porta atrapalha na entrada, às vezes na saída
Abrir e fechar as portas são um desafio no dia a dia de um cadeirante. Se a porta abre para dentro, o cadeirante tem que posicionar a cadeira em uma distância que consiga alcançar a maçaneta, puxar e abrir a porta toda para conseguir passar com folga. Só que para fechar... dependendo da estrutura do apartamento, é até perigoso. Se precisar se esticar muito, ou se tiver algum ressalto entre a porta e o corredor, dá para desequilibrar.
Muita gente faz o processo em etapas, o que demora mais, mas é mais seguro. Funciona assim: puxa a porta um pouco, empurra a cadeira um pouco, puxa mais, empurra mais, até conseguir fechar completamente. O mesmo processo pode ser adotado para abrir portas mais difíceis. É mais demorado, mas muitas coisas que fazemos devem ser feitas assim, com paciência.
Mas um dos maiores desafios é abrir portas de elevadores. Isto porque elas tem molas para se manterem fechadas e muitas são bem pesadas. A técnica que uso é tentar "ancorar" a cadeira de rodas em uma parede ou apoio próximo para conseguir puxar a porta com mais facilidade. Puxo um pouco a porta, travo na parede, e aí fica mais fácil puxar o restante e abrir a porta completamente. Outra alternativa é usar o mesmo método que descrevi acima, em etapas, puxando um pouco e acertando a cadeira, até abrir a porta toda. O ideal é quando não há "segunda porta" no elevador, a própria porta interna abre a porta de fora e dá acesso ao exterior. Estas portas a gente vê mais em prédios públicos. Em prédios residenciais geralmente há a segunda porta para abrir.
De qualquer forma, precisamos encontrar sempre alternativas para tornar nosso dia a dia mais fácil. Até o dia em que criarem portas com controle remoto, para abrir e fechar com apenas um toque. Ah, se eu tivesse grana...

Italmobility

Carros feitos especialmente para cadeirantes
O novo parceiro do blog é a Italmobility, que projeta carros acessíveis para pessoas com deficiência ou baixa mobilidade, oferecendo conforto e segurança. A empresa surgiu em 2014 da união da italiana Focaccia Group e da brasileira Engesig. 
Sua missão é melhorar e tornar acessível a vida das pessoas, desenvolvendo produtos e componentes de vanguarda que ajudem os veículos a superarem limites, somando design e tecnologia italiana aliada à criatividade, além da paixão brasileira por carros. 
Com veículos exclusivos para pessoas com deficiência ou com baixa mobilidade, a Italmobility desenvolve projetos específicos para cada adaptação em parceria com as maiores montadoras do Brasil, sempre respeitando os mais rígidos critérios de projetação e construção conforme os regulamentos e homologações nacionais e internacionais. Em seu portfólio, a Italmobility possui desenvolvimentos, como: Chevrolet Spin WAV com Piso Rebaixado, Fiat Dobló Teto Alto, além de vans acessíveis capazes de transportar mais passageiros sem perder o conforto. 
Pensando em projetos que atendam as necessidades de pessoas com deficiência ou baixa mobilidade, a Italmobility trabalha nos veículos com piso rebaixado ou com plataforma elevatória para que essas adaptações facilitem a entrada e saída de pessoas com cadeira de rodas dos veículos, sempre preservando o máximo conforto e a segurança. 
Elegância, versatilidade, design, segurança e conforto são características que nossos engenheiros preservam em cada projeto para garantir as características de um veículo comum e resguardar a privacidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Com unidades em São Paulo e Mogi das Cruzes, a Italmobility tem capacidade para atender projetos em diversos estados do Brasil. Saiba mais sobre a Italmobility e conheça nossas soluções no site www.italmobility.com.br. Faça contato também pelo telefone (11) 2988-8219 ou pelo e-mail contato@italmobility.com.br.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Já deu uma rodadinha hoje?

O blog agora tem seu canal no Youtube
E aí pessoal, tudo tranquilo? A partir do mês de janeiro, o blog passará por mudanças. Na verdade, já vem passando. Quem acessa com frequência percebeu que o layout (mais conhecido como leiáut) mudou um pouco. Alterei o menu de forma a apresentar os principais assuntos, agilizando a busca por determinada postagem.
Alterei também o logotipo. Busquei aliar o novo logotipo da acessibilidade à palavra blog, o que mostra bem o que procuro sugerir aqui no blog, que a pessoa não se deixe abater, não deixe de fazer nada por ser cadeirante e se mantenha em movimento. Mudei também a barra principal, coloquei fotos em uma linha do tempo, desde que sofri o acidente. A primeira é no hospital, a segunda na fisioterapia, a terceira trabalhando, a quarta dirigindo, a quinta e a sexta são andando de handbike, na sétima estou voando de parapente, na oitava estou andando de kart, na nona mergulhando, na décima rodando de triciclo, na décima primeira estou em Paris e na décima segunda em Fernando de Noronha. A ideia é mostrar uma evolução, e também as possibilidades que um cadeirante pode vislumbrar.
A outra novidade do Blog é que ele agora tem um canal próprio no Youtube. Eu já publicava vídeos no meu canal pessoal, mas agora passarei a publicar os vídeos relacionados ao blog no canal do Blog, assim não mistura com outros vídeos que eu queria publicar. Vou passar a publicar pelo menos um vídeo por semana, sempre às terças feiras. Por isso, não deixem de se inscrever no canal do blog, para receber as novidades em tempo real!
Desejo a todos meus leitores um 2016 com muitas realizações e muitas rodadas!!

sábado, 28 de novembro de 2015

Banheiro adaptado diferenciado

Materiais de alto nível em um projeto bem executado
Quem disse que banheiro adaptado tem que ter cara de hospital? Porque tem que ser sempre brancos? A partir destes questionamentos, o paulista Paulo Di Mello, que é designer de interiores, resolveu criar um conceito de banheiro adaptado diferente, aliando as necessidades de uma pessoa com deficiência a um ambiente com bom gosto e elegância, aliado ao seu conforto. 
Vejam abaixo o processo nas palavras do Paulo:
"Quando escolhi este espaço para adaptá-lo para um banheiro para uma PCD funcional, não tinha as medidas necessárias para dar maior mobilidade dentro do espaço, mas consegui que ficasse usável e conceitual para que as pessoas tenham uma outra visão de PCD. Após elaboração do meu projeto para a Mostra Viver São Paulo, a qual estou participando e que tem o patrocínio da Deca louças e metais, meu desafio seria fazer a empresa abraçar a causa através de meu projeto pelo fato de não existir barras de apoio douradas somente cromadas, inox ou brancas o que me faria utilizar uma outra linha de metais.
Com o apoio da Deca utilizei bacia suspensa com caixa acoplada de embutir, sendo o acabamento da válvula com Braille e metais da linha Red Gold com as barras de apoio com o mesmo banho as quais ainda não existem no mercado para venda feitas exclusivamente para meu projeto. Através de outros fornecedores utilizei mármore café imperial na pia e soleira para dar elegância, cortinas para dar um ar de conforto e também produtos sustentáveis como um painel de madeira reflorestável e porta em madeira de demolição. Acredito através deste projeto ter contribuído para que as pessoas passem a enxergar o cliente PCD igual a qualquer outro que tenha gosto e opinião."
Parabéns ao Paulo por pensar que pessoas com deficiência também tem bom gosto e prezam pela qualidade. Gostaram do banheiro projetado por ele? Reparem que seguiu todas as normas de acessibilidade, o espelho é ligeiramente tombado para a frente e a lixeira é do tipo basculante. De alto nível!
Quem quiser entrar em contato com o Paulo, o e-mail dele é contato@paulodimello.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Cadeirante mineiro é escolhido para levar a tocha olímpica

Felipe treinando em sua handbike
O mineiro Felipe de Souza Lima, de Juiz de Fora, é meu parente e conta em entrevista ao Blog do Cadeirante (BdC) como participou e venceu dois concursos para levar a tocha olímpica em dois trechos de sua peregrinação pelo país até chegar ao Rio de Janeiro em agosto de 2016. Confiram:

BdC: Qual seu nome, deficiência e de onde você é?
Felipe: Meu nome é Felipe de Souza Lima, minha deficiência é a Mielomeningocele, sou de Juiz de Fora, Minas Gerais.


BdC: Que esportes você pratica?
Felipe: O esporte que eu pratico hoje em dia é a corrida de rua.


BdC: De onde surgiu a ideia de carregar a tocha olímpica?
Felipe: A ideia de carregar a tocha olímpica veio depois que eu vi a propaganda da Promoção da Coca-Cola chamada "Isso é Ouro" e a propaganda do Banco Bradesco que são patrocinadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Como foram as promoções que você participou?
Felipe: As promoções funcionaram da seguinte maneira eu deveria me cadastrar no site da Coca-Cola e do Banco Bradesco, mas eu teria que ser indicado por alguém, e esse alguém foi meu primo por parte de mãe, que me indicou ele teve que escrever nos dois sites a minha história e falar porque mereço ser selecionado para carregar a tocha. Isso já faz uns 2 a 3 meses, há mais ou menos duas semanas atrás a Coca-cola me ligou confirmando meus dados, me fazendo algumas perguntas e disseram que no prazo de 72 horas o contrato chegaria pra eu assinar, escanear e mandar pra eles de volta, e isso aconteceu e fiz, dois dias depois quando fui abrir meus emails, vi um email do Banco Bradesco dizendo a mesma coisa, que eu tinha sido pré-selecionado para carregar a tocha olímpica, a diferença entre as duas promoções é que na Promoção da Coca-Cola o contrato demorou 72 horas para chegar mas o dia e o local que eu vou carregar se eu for selecionado eu já estou sabendo, será no dia 15 de Maio de 2016 ante véspera do aniversário da minha mãe,aqui mesmo em Juiz de Fora  já na promoção do Banco Bradesco eu recebi o contrato no mesmo dia porém, não sei o dia e nem o local que vou carregar a tocha olímpica agora o processo de seleção passará para o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Que recado você deixa para quem tem vontade de participar de uma para olimpíada?
Felipe: O recado que eu deixo para aqueles que tem vontade de participar de uma Paralimpíada, é que não desistam dos seus sonhos, corram atrás desse objetivo, treinem bastante, disputem bastante campeonatos para cada vez mais melhorar na sua performance, mas principalmente tenham fé em Deus, porque sem Deus nós não somos nada e não deixem o comodismo, a depressão e outros males pegarem vocês.

Parabéns e boa sorte Felipe, iremos acompanhar sua participação!

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...