domingo, 31 de julho de 2011

Boas notícias sobre cadeirantes

Dá gosto ver que tem gente que luta muito em prol dos direitos dos deficientes e em busca de mais qualidade de vida para pessoas que já enfrentam tantos obstáculos. E é com prazer que divulgo aqui as vitórias e conquistas destas pessoas. Abaixo, duas boas notícias de vitórias de cadeirantes:

Mineiros na paraolimpíada escolar
Os atletas Ângelo, Rosiane e Camila e o Alexandre ao fundo
O Fábio, de Ribeirão das Neves, me contou sobre uma grande vitória do pessoal de lá: três atletas foram chamados para participar da paraolimpíada escolar que vai ocorrer em São Paulo entre os dias 26 e 31 de agosto. Eles conseguiram o convite depois de entrar em contato com a Rosana Bastos, representante do esporte adaptado do governo federal. Os atletas serão acompanhados pelo Alexandre, que já acompanha o pessoal há um bom tempo. Os meninos jogam pingue-pongue, e lá há também atletas de basquete, como contei nesse post aqui. O pessoal luta bastante e com poucos recursos e apoio.
Treinando para arrasar em São Paulo

Cadeirante será indenizada após queda no DF
O Distrito Federal foi condenado a pagar R$ 20 mil para uma portadora de necessidades especiais. A mulher caiu da cadeira de rodas e quebrou uma das pernas devido a um desnível da calçada na Esplanada dos Ministérios. A cadeirante sofreu fraturas no fêmur de uma das pernas. Ainda cabe recurso para a decisão.A mulher, Cicera da Silva, acusou o estado de ter responsabilidade pelo ocorrido. O DF alegou que o acidente aconteceu por falta de cuidados da vítima e informou que o desnível seria para facilitar a circulação de cadeiras de rodas. Apesar do argumento, a decisão foi para que o DF compense Cicera por danos morais e materiais.
A Justiça entendeu ainda que a administração Pública demonstrou descaso em relação às pessoas portadoras de necessidades especiais.
Mais detalhes, clique aqui.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dois encostos

Não, não estou falando do meu cunhado e do meu irmão (mesmo porque é mais fácil eu "encostar" neles do que o contrário) e nem de duas entidades de Exú que estão me rondando (sai de mim, encosto!). Falo dos encostos da minha cadeira de rodas que quebrou, como contei aqui, e da minha handbike, que devolvi para a fábrica para aumentarem o tamanho.
Esse encosto aí não faz mal a ninguém
O encosto da cadeira foi enviado pela Ortobrás depois que mandei e-mail para eles contando da quebra prematura do encosto (a cadeira tinha só um ano e meio), mas fiquei sabendo que não foi novidades para eles, pois me contaram de pelo menos mais três casos idênticos, no mesmo local e com menos de dois anos de uso. Taí um feedback legal para a fábrica pensar em reforçar este local, evitando dor de cabeça (e acidentes) a outras pessoas.
Achei bacana a fábrica me mandar um encosto gratuitamente, mas faltaram dois detalhes: não veio furado, para parafusá-lo no tubo, e nem o velcro para fixar a almofada. Para resolver o primeiro, levei a um serralheiro perto da minha casa, mas mesmo furando no lugar certo não deu encaixe e não consegui parafusar. Para o segundo, a Gi colou faixas de velcro com Super Bonder, resolvendo o problema. Pior que agora ela pode falar que "colou velcro" e vou ter que concordar. kkkkk
Como estava antes - assim fica fácil me dar um pescoção
O encosto da handbike, eu havia mandado de volta para a fábrica pois ficou muito baixo e estava me dando dor no pescoço. Demorou bastante para voltar (pelo jeito a produção está bombando), quase dois meses, e fiquei sem pedalar esse tempo todo. Minha pança deve ter crescido uns cinco centímetros nesse meio tempo, agora vou ter trabalho dobrado para voltar à forma (de barril). Não vejo a hora de colocar os pneus na estrada de novo e ouvir o barulhinho da corrente girando, girando... É Gi, acho bom nunca perguntar se eu prefiro casar ou ficar com a bicicleta, senão vou sentir saudades de você... 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Bar da Neca e Mercado Central, bons programas para cadeirantes

No último sábado, como parte das comemorações pelo cinco anos como cadeirante, e para aproveitar o habeas corpus de liberdade provisória que consegui no fim de semana (já que a Gi estava viajando), saí por volta de meio dia em busca de um boteco para encontrar alguns amigos e beber, falar bobagem e olhar pras meninas (coisa que homem detesta fazer). Passei na casa do Daniel, amigaço desde o tempo de faculdade, peguei ele e o Carlim, e fomos procurar um boteco acessível. A região em que ele mora (bairro Anchieta) tem vários botecos (BH TODA é cheia de botecos) e começamos a rodar.
Passamos por alguns lugares que até tinham acesso, mas tinha pouca mulher, ou melhor, pouca gente, e continuamos a peregrinação. Nosso próximo destino foi a rua Pium-i, reduto de botecos da mais alta estirpe (e alguns copos sujos também). A rua em si neste pedaço com botecos não é muito boa, é uma descida bem íngreme, o que dificulta sair do carro. Mas é só parar em uma das ruas transversais e ir rodando até o destino. Na esquina com uma dessas ruas, a Passa Tempo, fica o Bar da Neca, esse sim um famoso reduto de boemia e destino certo para quem quer conhecer as atrações de Belo Horizonte.
Curtindo uma gelada com os amigos
As mesas ficam na calçada, totalmente acessíveis, e para minha surpresa eles tem até banheiro para deficiente! Eu já havia estado ali antes como cadeirante, mas nem perguntei porque achei que não tivessem. O banheiro é ótimo, bem espaçoso e com tudo ao alcance. Mas devido ao pouco uso, para chegar lá o garçom teve que tirar da frente uma pilha de caixas de cerveja (se não estivessem quentes, podia deixar dentro do banheiro comigo). Foi uma tarde ótima, chegaram mais dois cumpadres da velha guarda de Viçosa, Fabrício e Marbeny, tomamos algumas e comemos tira gostos deliciosos. Destaque para a Carne de Sereno, vale a pena experimentar.
Depois do boteco, fui levar meu amigo Marbeny na casa da Fernanda, namorada dele (o habeas corpus dele venceu rápido), e no caminho ele disse que precisava passar no Mercado Central para comprar ingredientes para o café da manhã (o cara tem altos dotes culinários).
Elevadores, banheiros adaptados e piso liso, mas as rampas são íngremes
Aí me toquei que eu não ia ao Mercado Central há mais de cinco anos, já que não tinha ido nenhuma vez como cadeirante. E eu adorava passear por lá, principalmente num sábado à tarde para tomar uma cerveja e comer uma porção de fígado com jiló (é uma delícia, acreditem). E seria também uma excelente opção para avaliar a acessibilidade do lugar. Eu já havia ouvido falar que há elevadores para descer do estacionamento, que fica por cima das lojas, e também rampas para passear pelos andares mais altos.
Marbeny me indicou as melhores lojas do Mercado
Realmente o estacionamento é bem adaptado, as vagas para deficiente ficam bem em frente ao elevador. A ascensorista de lá é uma figura, já chega chamando a gente de "moço bonito" e dá uma beijoca em cada um (não se preocupem, namoradas, ela não é muito atraente). E aí a pessoa adentra o surpreendente e incrível mundo do Mercado Central de Belo Horizonte, com barracas lotadas de milhares de itens, especiarias de todos os lugares do mundo, artesanato, aquários, e muita, muita comida, de queijos a pimentas, doces a frutas. Sem contar os botecos e restaurantes. Lá se come de tudo e se encontra de tudo, é impressionante a quantidade de coisas que enchem nossos olhos (tem que ter cuidado para não ficar zarolho).
Eu sou o ponto verde perto das panelas
Foi um grande barato rever aquilo tudo, o movimento, as comidas e milhares de itens. E lá dentro é bem tranquilo para rodar, tem banheiros acessíveis e rampas para os andares superiores, mas elas são bem íngremes, só dá para subir ou descer sozinho se agarrando nos corrimões. Mas vale a pena, é um lugar único e cheio de atrações, principalmente o preço, consegue-se comprar centenas de itens a preços mais baixos do que em lojas e supermercados. Aproveitei para comprar uns presentinhos para a patroa, que ia chegar no dia seguinte. Afinal, tive que fazer uma média depois de passar o dia no boteco...

Abaixo assinado para isenção de impostos para deficientes

O Tiago Pinheiro me mandou uma dica legal para divulgar no blog: um abaixo assinado que está rolando na internet para cobrar do governo isenção de impostos de importação para produtos tecnológicos voltados para auxiliar na acessibilidade e inclusão de deficientes. Vejam o vídeo acima e depois cliquem no link abaixo para assinar o abaixo assinado.

domingo, 24 de julho de 2011

5 anos


Hoje faz cinco anos que sofri o acidente de moto que me deixou paraplégico.
Há cinco anos eu era um cara cheio de planos e expectativas, tinha uma vida muito ativa, estudava, morava na praia, viajava muito, saia todo fim de semana, namorava muito, praticava esportes...
Mas hoje... Sou o mesmo cara, só que ando sobre rodas. Ainda faço de tudo, só que com mais planejamento e adaptações. Minha vida está mais definida, encontrei minha cara metade, tenho um bom emprego e conheci um monte de gente bacana através deste blog, onde compartilho experiências e busco melhores condições de acesso para todos.
Portanto, comemoro hoje cinco anos de uma nova vida, uma nova chance que ganhei de continuar em busca dos meus sonhos e de uma vida melhor. Para mim e, porque não, para todos nós.
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sábado, 23 de julho de 2011

Shopping despreparado para cadeirantes

Domingo passado fui conferir uma dica do meu amigo Alfredo no Boulevard Shopping: uma exposição de carros antigos. Como sou entusiasta de automóveis, não podia perder.
Aproveitei que tinha levado meus sogros ao aeroporto e resolvi ir direto pra lá. Como na ida o porta malas estava cheio, não deu para leva minha cadeira de rodas, então pensei em pedir uma emprestada no Shopping, afinal todos eles têm, e neste não devia ser diferente. E esse foi meu erro: acreditar que o shopping tinha estrutura tão boa quanto os outros. Afinal, é o mais novo de BH, inaugurou há alguns meses.
Chegando lá, primeira bola fora: nas primeiras vagas para deficiente que encontrei, perto de uma das entradas, descobri que não tinha elevador, só escada rolante. Dá pra acreditar? Os caras delimitam vagas para deficiente em uma entrada sem elevador. Parece brincadeira.
Escadas rolantes e, ao fundo, vagas de deficiente. Sem rodas, claro.
E quem me contou isso foi o manobrista que chamei para pedir a cadeira. Fui direcionado para outro estacionamento para deficientes (desta vez perto de um elevador) e me preparei para o chá de cadeira que ia tomar esperando a cadeira chegar (ainda bem que estou acostumado com cadeira). Depois de uns 15 minutos apareceu outro cara numa moto do shopping informando que a Gi teria que ir lá no segundo andar pegar a cadeira e deixar um documento. Aproveito para manifestar minha indignação com esta prática, que já vi em outros shoppings, de ter que deixar um documento para buscar a cadeira. E se o cadeirante estiver sozinho? Vai se arrastando? Ou num carrinho de supermercado?
Mas regras são regras, e lá foi a Gi buscar a bendita cadeira. Mas quando ela chegou não acreditei. Olha só o que eles chamam de cadeira de rodas! 
Isso no máximo é um carrinho de rodas, afinal o cara não consegue tocar sozinho. TEM que ser empurrado. E além disso, é pequena. E muito desconfortável. Até achei que a Gi havia se enganado e pego o modelo errado, mas ela me garantiu que só tinham esse. É mole? Definitivamente, um cadeirante não deve ir a esse shopping sozinho. Vai ter que escolher outro. Nota 3 em acessibilidade.
Troco as duas por modelos mais novos...
Mas já que eu estava ali, fui pra tal exposição. Mas antes dei uma passada na loja que arrancou minha unha do dedão do pé para ver se eles mudaram a vitrine assassina. Que esperança... Tá tudo igual. Deviam pelo menos colocar um aviso: "Cuidado Cadeirantes, mantenham distância!"
Mercedes Gullwing, o Asa de Gaivota
Depois de mais essa decepção, finalmente a exposição. Gostei muito, é muito bem organizada e tem exemplares lindíssimos, inclusive uma réplica do primeiro carro do mundo, o Mercedes Wagen (na foto com a Gi). Achei muito legal uma fila de Corvettes que mostra a evolução do modelo até o início dos anos 70, com um belíssimo exemplar do famoso modelo Sting Ray, com rodas de competição e motor de mais de 400 cv! 
Mercedão cromado. No sol, cega até os guardas!
E a grande estrela da exposição, um Mercedes Benz 300C, de 1933, todo cromado. Show! Valeu a pena, apesar de tudo, recomendo. Mas leve sua própria cadeira.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Prejuízo na volta

Me despedindo da ponte
Pelos últimos posts, deu para perceber que minha estada em Floripa foi tudo de bom, o curso foi ótimo, me lembrei de vários bons momentos, sai para uma balada acessível e conheci pessoalmente minha amiga Kaká. Mas tinha que dar alguma coisa errada...
Na quinta feira, tive o último dia de curso, com uma prova no final para conseguir certificação. Ou seja, fiquei sentado o dia inteiro. E meu vôo para BH era só às 19:50. Acabei a prova pouco antes de cinco e meia, e fui para o hall do hotel dar um tempo antes de chamar um táxi para o aeroporto. Aproveitei para mudar um pouco de posição e pulei para o sofá do hall.
Pedi o táxi, que demorou um pouco, mas cheguei no aeroporto a tempo, faltando 40 minutos para o embarque. Mas no check in, me avisaram que o voo iria atrasar vinte minutos. Eu, preocupado, avisei que tinha conexão lá às 22hs, e a moça comunicou com o pessoal de lá, e eles garantiram que ia dar tempo. Fui embora tranquilo e embarquei em Floripa às 20:10. E como sempre faço, tirei a almofada Roho da minha cadeira e eles a levaram para o porão do avião.
Chegando em Guarulhos, às nove e vinte, começou o desembarque e eu, como sempre, fiquei por último. Nada contra, é o padrão de desembarque, depois de todo mundo sair é que buscam o cadeirante. Mas aí me vieram com uma cadeira da TAM (por onde eu estava viajando), e logo protestei, preocupado com minha cadeira. Disseram que ela foi despachada direto para Confins. 
Ah, e disseram também que minha conexão estava atrasada, ia demorar um pouco, a previsão era para meia noite. É mole? Eu cansado, dia inteiro sentado, e ia esperar mais duas horas e meia até embarcar de novo. Bem, como não tinha escolha, coloquei minha almofada na cadeira deles e desembarquei. Mas aí dei o grito: naquela cadeira eu não ia esperar. A alternativa deles foi me levar para a sala VIP. Apesar de começar a curtir a ideia, não era animador ficar tanto tempo esperando, sem contar que eu ainda tinha que trabalhar no dia seguinte.
Fui pra sala VIP da TAM, que é enorme, mas encontrei um sofá tipo chaise em uma das salas e me estirei nele. Lá estavam também dois casais cariocas e seus filhos a caminho de Londres. Um dos caras foi super solícito comigo e trouxe refrigerante e salgados, mini sanduíche, tudo que eu pedi. Um cara muito gente boa. Fiquei vendo TV e curtindo a salinha, e finalmente às 11:40 foram me buscar. O voo só saiu meia noite e vinte. Fui meio dormindo, chegamos em BH uma e pouco da manhã.
Saudade da minha almofadinha...
E quando pousou... veio a revelação e a tristeza. Lembrei que esqueci minha almofada Roho na cadeira do Ambulift. Ai que ódio. Tem só seis meses que a comprei. Falei com o pessoal da TAM, eles tentaram contactar o pessoal de Guarulhos e nada. O cara pegou meu telefone e e-mail, e no dia seguinte liguei pro achados de perdidos e pro pessoal da TAM, mas nada encontraram. Entrei em contato até com a ouvidoria, mas nada. Gente, pelamordedeus, se alguém ver uma almofada dessas dando sopa em uma cadeira de Guarulhos, pega pra mim?
Pior foi ir pra casa sentado no assento duro da cadeira...
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Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...