Ainda me me surpreendo muito com a falta de acessibilidade em BH. Mas esse exemplo de hoje beira o ridículo. Falo do restaurante Rokkon, localizado na rua São Paulo, 2164. Já conhecia o restaurante, fui várias vezes no que fica no Shopping Pátio Savassi, perto da minha casa, passei o último dia dos namorados lá. É especializado em comida japonesa, uma dos melhores que já comi em BH. Mas hoje me decepcionou muito. A rua é uma leve descida, e não encontrei nenhuma vaga de deficiente, mas consegui estacionar perto.
É uma casa que foi adaptada para o restaurante, e ficou bem charmoso, com uma varandinha muito agradável. Aí começa o absurdo. A varanda termina no nível da calçada (como podem ver na foto abaixo), mas a entrada é mais embaixo, e tem uma escada com três degraus na porta. E não tem rampa móvel, nem entrada alternativa, só mesmo pedindo aos garçons para te levarem escada acima.
Aí me pergunto: será que custava fazer a entrada do outro lado aproveitando o nível da calçada e deixando o lugar mais acessível? Custava fazer uma rampa móvel que pudesse ser colocada em cima da escada quando necessário?
E um lugar que não tem acesso, obviamente não tem banheiro adaptado. Pra que? Quantos clientes seriam atendidos a mais? São poucos os usuários de cadeira de rodas e mesmo assim não saem de casa, então não tem porque se preocupar, certo? Errado. Além de atender mais um cliente, este pode trazer seus amigos, familiares, e o estabelecimento ainda fica bem visto por se preocupar em atender a todos, pois não são só cadeirantes que se beneficiam com melhor acesso, há os muletantes, idosos e diversas outras pessoas que terão outros motivos para voltar.
Pelo menos a comida é muito boa, hoje experimentei polvo grelhado com batata e combinado de sashimi e sushi. E como sou brasileiro, que não desiste nunca, faço questão de sair de casa, conhecer novos lugares, provar novos sabores. Esses estabelecimentos devem, então, para garantir acesso de todo mundo, pagar academia para seus garçons, pois a qualquer momento pode aparecer um cadeirante por lá. Se não tiver lido esse post, claro.