quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ralando

O post abaixo foi o de número 100. E eu que achei que ia escrever uns dois por mês... A criação deste blog foi uma grande sacada, sugestão de um amigo meu, e além de servir como uma forma de externalizar experiências vividas e opiniões, ainda pode ajudar pessoas na mesma situação que eu ou que tenham interesse no assunto. Quando fiquei paraplégico, senti falta de um canal de informação como este, que narrasse de forma espontânea e leve os desafios e desse dicas sobre a vida em uma cadeira de rodas.
Porém ultimamente não tenho tido tempo para escrever e atualizar mais frequentemente o blog, pois o mestrado tem me tomado muito tempo. E como aqui na UFMG é bimestral, acabei esta semana o bimestre e tenho até o final do mês para entregar três resenhas, uma crônica e dois artigos, para fechar as disciplinas. É gente, mestrado não é fácil não, mas vale a pena. Estou gostando muito das aulas, e só o fato de exercitar a mente de novo já vale o sacrifício. Aí é que está um dos pontos fortes do mestrado: as discussões em sala de aula são de alto nível, tanto que muitas vezes parece mais um bate papo com o professor do que uma aula expositiva, onde o professor dá a matéria e os alunos no máximo tiram algumas dúvidas.
Mas tem uma matéria que me surpreendeu: análise financeira avançada. É uma aula de quatro horas por semana, e a cada aula o professor dá referências bibliográficas, todas em inglês (os melhores livros de finanças são em inglês), o aluno estuda, e na aula da semana seguinte o professor dá uma hora de aula e distribui uma folha com três ou quatro questões sobre o assunto pra cada grupo (sorteado por ele). Depois de dar uma geral sobre o assunto, dá 50 minutos para os grupos se reunirem, responderem às perguntas e montarem uma apresentação para apresentar os resultados. E os temas são cabulosos, análise de lucratividade, ganhos sustentáveis, análise de crescimento, etc, tudo em inglês. E ao fim da disciplina temos que entregar três resenhas sobre os temas apresentados e um artigo. Pesado, né?
Mas como eu disse, tá muito bom, botar o tico e teco pra correr de novo está me fazendo muito bem. E o blog me ajuda a escrever melhor, a desenvolver idéias e manter coerência, tudo isso muito importante para escrever resenhas e artigos. Mas apesar da correria vou procurar escrever sempre por aqui, mesmo que com distância de alguns dias. Bem, deixa eu ralar mais um pouquinho..

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Os melhores dias de nossas vidas


Esses dias lembrei de um filme com cadeirantes que vi em que o protagonista reclamava que nem se suicidar ele podia. Custei mas lembrei o nome do filme, "Os melhores dias de nossas vidas" é o nome no Brasil, o título original é "Por dentro estou dançando".
Me identifiquei com o personagem pelo desprendimento, pela audácia e vontade de curtir a vida, mesmo em uma cadeira de rodas. Apesar dos excessos que ele comete, e da falta de noção em algumas situações, a mensagem é fantástica, e mostra o quanto ainda temos que evoluir em direção a aceitação e a tolerância das pessoas. O Diretor Damien O'Donnell ensina no longa se utilizando do “diferente”, que a melhor maneira de aprendermos nossa lição é vivendo a vida da melhor maneira possível, sem tempo para demagogias, acreditando que podemos sim ser melhores sempre. Veja a sinopse do filme:
"Rory O’Shea é o típico jovem descompromissado com a vida e com as pessoas. Aquele adolescente que irritaria qualquer mãe, não tem papas na língua, portanto, fala o que pensa e não se preocupa se vai magoar alguém ou não, um cara anárquico, sem levar ao pé da letra.
Seu amigo Michael (Steven Robertson, de Cruzada), tem características bem opostas, vive a mesmice de uma série de impossibilidades, a base de regras e convenções pelo simples fato de ser diferente.
Dois personagens com estilos divergentes, mas muito próximos um do outro, a começar que ambos dependem plenamente do ser humano, pois, Rory e tetraplégico e Michael tem paralisia cerebral. Acrescentando a esses dois perfis temos a atriz Romola Garai, que interpreta Siobhan, uma enfermeira “gostosa”, que irá cuidar dos dois amigos inseparáveis.
Um longa que tem como utilidade pública, única e exclusivamente, servir como uma lição de vida, “Os melhores dias de nossas vidas”, cujo título original é “Inside, I’am Dancing”, comove, toca e instiga, nos leva a auto-reflexão de nossas vidas, aproveita nos mínimos detalhes para alfinetar o quanto o ser humano está despreparado para lidar com o diferente.
Inseparáveis não pela distância de suas cadeiras de roda, mas pela dependência mutua de compreensão e interação entre os personagens, percebemos que a real intenção do filme é de tocar o coração do público, no intuito de que compreendam que mesmo sendo “diferentes”, todos temos as mesmas necessidades de carinho, respeito e atenção. Além daquela velha lição de moral de que não se deve reclamar da vida porque sempre haverá uma pessoa em estado pior do que você."
Taí a dica, é um filme excelente, pra qualquer pessoa, mas principalmente para que é cadeirante e revoltado com a vida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mais um ano

Leitores e visitantes do blog, hoje é meu aniversário. Que data bonita, 01/10, não é mesmo? 36 anos bem vividos, e o terceiro aniversário em cadeira de rodas. Isso não me abalou nem um pouco, já estou completamente adaptado e acostumado com a cadeira. O que abala mesmo é sentir a proximidade dos 40, sendo que me sinto com cabeça de 30 ainda. Pensando bem, não abala também não. Se nem a perda dos movimentos abalou, o que é a idade perto disso? O importante, mas o importante mesmo, é manter a frase "bem vividos" em todos os aniversários. E que venham os próximos!!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Herança bendita


Ao que tudo indica, a "febre" da gripe suína está acabando. Não vejo mais ninguém na rua de máscara e os dados de óbitos pela gripe diminuíram. Mas essa gripe trouxe um bom hábito a todos, lavar as mãos com frequência e, no meu caso, carregar este frasquinho aí de cima no "kit".
Não sei como não pensei nisso antes, para nós cadeirantes deve ser item obrigatório no dia a dia, afinal é sempre difícil encontrar uma pia que encaixe a cadeira e dê distância para lavar as mãos. Depois que passei a usar o álcool gel percebi o quanto já comi de bactérias por pegar sanduíches, pãos, biscoitos e afins com as mãos sujas. Por mais que se limpe a cadeira frequentemente (minha namorada limpa umas três vezes por semana) o aro sempre contém sujeira, pois fica muito perto do chão, e no gira-gira traz um sem número de impurezas, poeira, etc. Se passamos por uma poça na rua, com certeza respinga no aro, e depois vai para nossas mãos.
Portanto, a herança bendita que a gripe suína nos trouxe foi o aumento da higiene no dia a dia, pois a maior parte das pessoas não lava a mão antes de comer. Uma vez que vira hábito a gente não esquece de higienizar as mãos e garante assim menos exposição a bactérias e mais qualidade de vida.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O "Kit"


Entre as diversas mudanças de hábito que a cadeira de rodas me trouxe, uma delas eu apelidei de "kit cadeirante". Como não dava mais para colocar a carteira no bolso de trás da calça, passei a carregá-la no bolso da frente. Com o tempo percebi que até isso é complicado de fazer quando não dá pra dar uma levantadinha. Também percebi que não bastava mais carregar só a carteira onde quer que eu fosse, tinha que levar também chave, documento do carro, e as novidades: coletor urinário, saco coletor, caixa de remédios, e muitas vezes acrescentar material para fazer o cateterismo.
Como fazer então para levar essa tralha toda sem cair tudo? Que "recipiente" eu poderia usar, já que a moda das pochetes ficou enterrada (felizmente) nos anos 80? Poderia carregar uma pochete assim mesmo, porque uma vantagem da cadeira de rodas é que as pessoas olham mais pra ela do que pra você, e no caso os fins justificam os meios. Mas achei mais "muderno" e menos mico carregar uma bolsa tipo necessaire. Pra não ficar falando esse nominho grande e afrescalhado achei melhor colocar outro nome, e kit veio a calhar, porque afinal de contas, é um kit mesmo.
Kit cadeirante! Em breve à venda em uma farmácia perto de você! Brincadeira, apesar da boa idéia não tenho queda para ser comerciante. E também já existem no mercado algumas alternativas interessantes, como as bolsas e pochetes da Modus Ateliê. Mas eu ainda prefiro meu kit... bem que a Nokia podia perceber o merchandising que fiz aqui e me dar um celular novo, heim?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pesquisa sobre Mercado de Trabalho para Deficientes

Conheci através do blog a Beatriz Minervino, estudante de administração de empresas na UNIP - Campos Paraiso em Sao Paulo, que está fazendo uma pesquisa de final de curso sobre a Capacitação e o Desenvolvimento da Pessoa com Deficiência para o Mercado de Trabalho. É um tema muito importante e de utilidade pública, todos sabem o quanto é complicado o deficiente físico conseguir um cargo relevante e que considere todas suas limitações e necessidades.
Para realizar a pesquisa ela precisa de voluntários para responder à pesquisa sobre os deficientes e o mercado de trabalho. Quem se candidatar é só preencher as questões abaixo e mandar para a Beatriz no e-mail biaminervino@gmail.com. Vamos contribuir!!

PERFIL

Nome:
Idade:
Onde mora:
Tipo de deficiência:
Adaptabilidade Necessária:
Nível de escolaridade:

QUESTIONÁRIO

1. Descreva por favor sua experiência profissional. Onde já trabalhou, em qual função e por quanto tempo

2. Qual sua experiência com o pré-conceito e com a super proteção?

3. Você já participou de algum programa de capacitação ou curso? Em caso positivo, por favor, descreva como e onde foi esse programa.

4. Após o processo de capacitação, você se sentiu mais preparada para o trabalho?

5. Quais são suas potencialidades e dificuldades?

6. Em relação à lei de cotas, qual sua opinião?

7. Você já recebeu algum auxílio do governo?

8. Qual medida você sugeriria ao governo para auxiliar as pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

9. Qual mudança você sugeriria a empresa que você trabalha (ou a escola em que estuda) para facilitar/ estimular seu desenvolvimento profissional?

10. Quais são seus objetivos e planos para o futuro?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Campanha do milagre

Fantástica a campanha criada pela PragmaDDB para a Comisión Especial de Discapacidad – Congreso de la República del Perú (Comissão Especial sobre Deficiência – Congresso Nacional do Perú) sobre a falta de respeito que muitas pessoas têm sobre as vagas reservadas aos deficientes físicos em diversos estabelecimentos.
Uma bela lição aos espertinhos que acham que ninguém vai perceber se ele parar "só uns minutinhos" na vaga para deficiente. Deviam fazer por aqui também.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...