quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Iveco Daily Elevittá

Finalmente uma forma inclusiva de viajar de van e micro ônibus
Em 2014 estive na Itália, e aproveitei para conhecer os museus e a fábrica da Ferrari. São dois museus, um em Modena, onde nasceu a Ferrari, e outro em Maranello, a pouco mais de 20 km de distância, onde fica a fábrica. Entrei em contato com o museu, disse que iria fazer a visita e questionei sobre a acessibilidade, informando que iria fazer matérias para meu blog (veja a matéria aqui). Se mostraram muito receptivos, disponibilizaram uma pessoa para me receber no museu e transporte adaptado gratuitamente para mim e minha esposa.
Largado, triste, no porta malas do micro ônibus na Itália
Chegando lá, fui bem recebido em Modena, conheci a casa onde nasceu a Ferrari e um museu interativo enorme, tudo muito acessível, com bom espaço para circular e banheiros adaptados. Depois de rodar por tudo solicitei o transporte. Chegou então um micro ônibus, com quinze lugares, e elevador para cadeirante na traseira. Entrei pelo elevador e na hora me senti um mala. Não que eu não seja... mas naquela situação, com uma barreira de bancos na minha frente, me senti uma mala de verdade, uma carga no fundo do ônibus, totalmente separado da minha mulher, o que dificultava até nossa conversa. Sem contar que balançou horrores, e nem cinto de segurança tinha.
Gustavo Serizawa no lançamento da Daily Elevittá, em São Paulo
Na época pensei: "será que não tem outra forma de transportar um cadeirante nesses veículos?" Dois anos depois, finalmente tive a resposta para minha pergunta. Há dois meses meu agente entrou em contato comigo para fazer fotos de uma adaptação inovadora. Eu precisaria manter segredo, pois era um produto sem igual no mercado. Aceitei na hora, e quando cheguei ao estúdio fiquei impressionado com o produto: era um micro ônibus da Iveco, o Daily Elevittá, com dezoito lugares mais o motorista, que permite levar até três cadeirantes nas poltronas do próprio veículo. "Mas como o cadeirante vai subir na poltrona?" eu perguntei na hora. Quem me respondeu foi o Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco, e idealizador do produto: "Não precisa, a poltrona desce até o cadeirante". E em seguida demonstrou o produto. Fiquei fascinado, finalmente alguém pensou em simplificar o processo de embarque de cadeirantes! Fiz o test drive e me impressionei ainda mais: como a gente passa para a poltrona, já coloca o cinto de segurança e desce os apoios de braço, a subida é suave e segura. Não há trancos nem instabilidade, a poltrona é puxada por uma espécie de esteira e em poucos segundos está de volta ao lugar de origem. Para outros cadeirantes embarcarem, basta transferir para a poltrona do lado, e a poltrona móvel pode buscar outra pessoa. Fantástico!
Embarcando com tranquilidade no Daily Elevittá
Mas o mais importante do sistema é que os cadeirantes viajam junto com as outras pessoas, interagindo, conversando e se divertindo, e não fica isolado no porta malas, balançando e inseguro. Isso sim é inclusão! O cadeirante não fica longe, nem em outro nível, é apenas mais um passageiro. Pessoalmente, nunca gostei do sistema de elevador, por isso nunca uso táxi adaptado. Prefiro usar táxi comum e guardar a cadeira no porta malas. Esta é outra vantagem da Elevittá: cabem até três cadeiras de rodas no porta malas, dobráveis ou monobloco. Ao transferir para a poltrona no carro ou van, a gente pode movimentar mais as pernas e manter o tronco ereto sem fazer força. Na própria cadeira, não dá para fazer isto, pois ela é feita para que nosso corpo encaixe ali e faça menos movimentos possíveis.
Tenho outro exemplo da importância deste produto: sou cliente da Automax Fiat, e a concessionária oferece o serviço de levar e buscar o cliente quando deixa o veículo para revisão ou concerto. De hora em hora uma van fica por conta de fazer este trabalho. Porém, como subir nela? Me arrisquei a fazer isto duas vezes, só consegui sendo carregado para entrar e sair. Na segunda vez, uma das pessoas que estava me carregando tropeçou e cai sentado na beirada da porta. Felizmente não me machuquei, mas nunca mais utilizei o sistema, mas a Automax resolveu disponibilizando um táxi para mim sempre que eu levava o carro. Um alto custo para a concessionária, que fez o possível para atender o cliente, mas se tivesse um veículo como este, atenderia a todos com segurança.
Vejam acima o vídeo de lançamento e abaixo as considerações dos gerentes da Iveco.
“O Daily Elevittá é a primeira van do Brasil a contemplar 18 lugares com até três cadeirantes, mais o motorista. Preservamos a inclusão para os passageiros e a rentabilidade para o operador em um conceito de experiência em acessibilidade ampliada” ressalta Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco Bus para a América Latina.
Se o bem-estar dos ocupantes está garantido no modelo, o transportador também acumula benefícios ao adquirir o Daily Elevittá. Leis de acessibilidade do transporte de passageiros, para a categoria M2 (veículos para o transporte de passageiros com mais de oito lugares, além do condutor, com Peso Bruto Total inferior ou igual a cinco toneladas), seja escolar, urbano ou fretamento, sinalizam que, nos próximos anos, entre 2017 e 2018, todos os veículos que realizam o transporte público de passageiros deverão proporcionar acesso a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, entre outros).
"Lançamos um produto economicamente viável para os empresários do setor e nos antecipamos aos concorrentes. O Daily Elevittá abre uma nova era no transporte de passageiros", destaca Humberto Spinetti, diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina. O executivo afirma ainda que o cliente contará com o apoio da rede de concessionárias Iveco, com revendas estrategicamente distribuídas pelo país. "Nosso produto contribuirá para que as pessoas possam se deslocar e realizar suas atividades diárias sem nenhum tipo de constrangimento", completa Spinetti.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

10 anos de lesão medular

Após o acidente, essa foi a marca da freada
24 de julho de 2006. Aos 32 anos, depois de uma discussão com a ex namorada, o cara vai saindo de Viçosa em direção a Belo Horizonte, quando vê na loja de um amigo uma moto amarela, esportiva, convidando a uma voltinha. Aproveitando que está cedo e não tem pressa para chegar, resolve parar para trocar ideia com o pessoal e pede para dar uma volta na moto. Com experiência em pilotagem, não acredita que correrá muito risco, mesmo se der uma aceleradinha. Aproveitando que é época de férias, vai para a Universidade Federal, onde há longas retas, que estão vazias em plena segunda feira à tarde. Como pretende acelerar, vai para a reta mais afastada, verifica em volta se não há movimento, e acelera forte. Primeira, segunda, terceira, e já passa de cem por hora. Quarta, quinta, e ao entrar a sexta marcha olha para baixo para conferir a velocidade: 140 km/h. Em um piscar de olhos olha para a frente, e um pequeno trator, com carretinha e tudo, atravessa de repente na sua frente. Sem ter o que fazer, aperta forte os freios. A moto rabeia, e como está com pneus lisos, não parece que vai parar. O cara tenta se separar da máquina, e começa a deitá-la - é o procedimento correto nesses casos. Só que o pneu liso tem uma quina - não é arredondado como outros - e esta quina pegou no asfalto e fez efeito alavanca, jogando a moto - e o piloto - para cima. O cara voa por cima da moto, em um mergulho direto para o asfalto. O peso do corpo sobre a cabeça - com aproximadamente 600 kg (cálculo de acordo com a velocidade e o peso) esmaga a vértebra T2, paralisando imediatamente o corpo todo dos mamilos para baixo.
A moto que me mudou minha vida. Ao fundo, o capacete que salvou minha vida
Esse cara sou eu! Estava de férias do mestrado na UFSC, em Florianópolis, sofri o acidente e não voltei mais para lá. E minha vida mudou radicalmente. Pensa bem, eu morava em um lugar lindo, estava só estudando, voltando a curtir vida de estudante, estava solteiro, curtindo balada, fazia esportes todo dia - o carro ficava na garagem, eu ia pedalando para Universidade todo dia, fazia trilha nos fins de semana, trekking, viajava pela região nos fins de semana, tinha feito muitos novos amigos, enfim, estava curtindo demais, e de repente caí numa cama de hospital com o corpo todo paralisado e nenhuma perspectiva de me recuperar. Era para entrar em depressão, certo? Errado. Quando percebi que a situação era irreversível, que teria que me adaptar a um monte de coisa, tratei de correr atrás logo. Fui para o Hospital Sarah Kubitchek, referência em reabilitação no Brasil, aprendi tudo que pude e fui me informar sobre as possibilidades da vida na cadeira. Mas afinal, como fiz para superar?
No hospital, todo estrupiado. Mas feliz, por estar vivo.
A primeira coisa que fiz para dar a volta por cima foi entender e aceitar a situação. A probabilidade de andar era mínima, então desencanei imediatamente de voltar a andar, pois se isso acontecesse seria lucro. Não ia adiantar nada ficar desesperado para voltar a andar, buscar mil e um tratamentos ou rezar para tudo quanto é santo. Sempre fui otimista e prático. Se era para ser cadeirante, seria o cadeirante mais bem humorado e de bem com a vida. Porque não era uma cadeira de rodas que iria mudar quem eu era. Claro que tem obstáculo, tem hora que a gente passa raiva, mas o segredo é não se deixar abalar. Isso eu sei fazer como ninguém.
O fato é que não penso hora nenhuma em voltar a andar. Juro. Desde o início. Tem gente que vai me trucar "ah, você vive postando nas redes sociais os tratamentos, alternativas de voltar a andar, etc, etc., então deve ficar pesquisando." Negativo operante. Não gasto um minuto do meu dia pensando em voltar a andar, procurando tratamento, nada disso. Há muitos anos coloquei um alerta do Google para meu email com algumas palavras chave como "célula troco", "deficiente", "cadeirante", etc, aí recebo emails quando aparece alguma coisa. Dou uma lida rápida para ver se não é falso e publico. Porque sei que tem gente que se preocupa com isso e quer saber o que está acontecendo.
No logo do blog, um pouco do que realizei desde a lesão.
E como vai minha vida hoje? Nesses dez anos, realizei todos os sonhos que eu tinha antes de sofrer a lesão, e outros sonhos que foram surgindo ao longo do tempo. Aos 32, antes da lesão, eu queria acabar o mestrado e buscar um bom emprego, em que eu pudesse fazer o que gosto - o emprego que tenho hoje, é o melhor que já tive na vida. Eu queria muito conhecer outros países, nesse meio tempo fui aos EUA, quatro países da Europa e Argentina - esse era o único que eu já conhecia. Sempre gostei de fazer esportes, como ciclismo, mergulho, trekking, paraquedismo, kart e voltei a fazer tudo isso, adaptado. Eu sempre gostei de sair com meus amigos, gosto de conhecer gente nova, fazer novos amigos, hoje tenho muito mais amigos que na época, muitos deles cadeirantes como eu. Queria encontrar uma mulher para formar uma família. No ano seguinte ao da lesão, eu e Gi nos entendemos e iniciamos nosso relacionamento. Esse ano, tivemos um casal de gêmeos. Tudo, absolutamente tudo que quis fazer, eu fiz. E a cadeira não me impediu de nada. É o que quero que as pessoas entendam. Qual a diferença entre quem eu sou hoje e quem eu era antes da lesão? A forma como me locomovo! O resto a gente corre atrás, adapta, resolve e vai ser feliz. Porque a vida continua!
Vejam o vídeo abaixo, sobre os dez anos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Bike Cadeirante - Como fazer

Uma forma barata e prática de passear de bike com um cadeirante
Eu sou um apaixonado por bicicleta - bike para os íntimos. Fui ciclista minha vida inteira e sempre defendi que andar de bike é uma das atividades mais completas que existe, porque dá prazer, é um ótimo exercício, permite socializar, curtir a natureza ou a cidade, e ainda é barato e não agride o meio ambiente. Passear de bike é muito bom, e não tem limite de idade. E é muito fácil, basta pegar a magrela, encontrar um lugar seguro e pedalar. Só que passear com um cadeirante é um pouco mais complicado, pois pessoas com dificuldade de locomoção não conseguem andar de bike. Felizmente há as adaptações, como as handbikes - que eu utilizo - e triciclos, sem contar as bikes elétricas.
Prender a bike à cadeira pode ser bem simples, barato e seguro
Pensando em possibilitar uma amiga passear com sua filha, cadeirante, o mineiro Luiz Valente resolveu projetar uma adaptação para unir uma cadeira de rodas a uma bicicleta, usando como inspiração alguns vídeos que ele viu na internet. A ideia parece simples: substituir a roda dianteira da bicicleta pelas rodas traseiras da cadeira de rodas, transformando-a em um triciclo - ou melhor, quinciclo, pois ficará com cinco rodas, as quatro da cadeira mais a traseira da bike. Mas na prática foi preciso muita criatividade para ligar uma coisa na outra, mantendo o custo baixo. 
Detalhe da barra de aço que segura o garfo e atravessa o quadro da cadeira
Ele utilizou uma cadeira dobrável da filha da amiga e uma bicicleta doada por um amigo, comprou uma barra de aço inox com rosca de 8 milímetros, porcas de pressão e ruelas de 8 milímetros, junções de 8 milímetros e algumas fitas hellerman - aquelas usadas para lacrar bagagens. Gastou quarenta e cinco reais com todo o material. Então ele fez dois furos no quadro da cadeira de rodas e atravessou a barra de aço de um lado ao outro da cadeira, próximo ao eixo da roda traseira. Ele usou as junções para dar mais força na barra e também para prender o garfo da bike.
As porcas de pressão vão nas duas pontas da barra, para fixar com segurança.
Detalhe da fita hellerman que prende o guidão da bike na cadeira, com fita isolante por cima
A fita hellerman prende o guidão da bike no punho de empurrar da cadeira. Foram utilizadas duas fitas grossas de cada lado, e ele ainda passou fita isolante para reforçar. É importante que esta fixação fique bem firme. A dirigibilidade do conjunto demanda atenção, pois as rodinhas dianteiras da cadeira de rodas não ultrapassam facilmente desníveis e buracos. É preciso ficar atento para não dar trancos no cadeirante nem causar acidentes. Outro ponto de atenção é nas curvas. Como as rodas dianteiras não viram com a bicicleta, ao fazer curvas fechadas a bicicleta tende a virar para fora da curva. Por isso é preciso deitar o corpo para dentro da curva, para balancear. Com estes cuidados, é uma delícia rodar com um companheiro ou companheira pelas ruas e ciclovias da cidade!
Vejam no vídeo abaixo entrevista com o Luiz Valente, criador da Bike Cadeirante, e o test drive que fiz com ele. Agradeço a ele pela oportunidade de mostrar este trabalho 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Hélio Mobilidade Sempre

Novidades na sede e nas linhas de produtos
A melhor adaptadora automotiva de Belo Horizonte está de cara nova. A Hélio Adaptações agora é Hélio Mobilidade Sempre. Fizeram uma grande reforma na sede, ampliaram a linha de adaptações automotivas e, principalmente, a gama de produtos para deficientes. Belo Horizonte é uma das maiores e mais importantes capitais do país, mas ainda tem muitas deficiências estruturais. Uma dos mercados mais carentes é de equipamentos e produtos voltados para pessoas com deficiência.
Cadeiras de rodas da alemã Ottobock em primeiro plano
Quando sofri o acidente em 2006 e precisei comprar a primeira cadeira de rodas, fiz uma compra cega, mandei as especificações para a Ortobrás e recebi a cadeira em casa sem nunca ter experimentado. Era uma dobrável, que felizmente serviu bem, apesar de ceder o encosto com o tempo. Dois anos e meio depois, resolvi adquirir uma monobloco, e como não havia nenhuma para venda, muito menos exposição aqui em BH, precisei ir a São Paulo conhecer, experimentar, e adquirir uma M3. Mais alguns anos e precisei de uma cadeira mais leve, e apesar de começarem a aparecer algumas monobloco a venda em BH, não haviam modelos importados, de qualidade e leves. Precisei ir aos Estados Unidos para comprar a um bom preço.
O espaço ficou bem bacana!
Agora, com inauguração do novo espaço no segundo andar, a Hélio Mobilidade Sempre dispõe de showroom com modelos nacionais e importados de alta qualidade, que atendem aos mais exigentes consumidores. Além disso, está com marca própria de adaptações automotivas, a Asaflex, que mantem a qualidade e custa bem menos que as importadas. Não deixe de conferir, vá tomar um café com o Leonardo Moura e conheça mais esta novidade!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Fertilização na prática

Na fertilização dá para acompanhar o momento de inserir os óvulos fecundados
Já contei aqui em um post de setembro do ano passado, como chegamos à decisão de ter filhos e expliquei brevemente como foi a fertilização. Vou voltar ao assunto, a pedidos, fazendo um passo a passo do procedimento e contando outros detalhes. Lembrando que falo sempre do ponto de vista de um homem com lesão medular, que é o meu caso. O primeiro passo é definir que método é mais indicado. Para isto, é fundamental consultar com um urologista, preferencialmente um que tenha experiência com lesado medular. Quem faz acompanhamento no Hospital Sarah pode solicitar uma consulta com um urologista de lá. Neste momento o casal já deverá ter definido se o procedimento será realizado na rede pública ou particular.
O urologista deverá solicitar um espermograma para identificar se há espermas de qualidade e em quantidade suficiente na ejaculação retrógrada. Este tipo de ejaculação é muito comum em homens com lesão medular, a ejaculação acontece no ato sexual ou na masturbação mas não sai para fora do pênis, vai para dentro da bexiga. O espermograma então é feito pela masturbação e em seguida um cateterismo, então o médico avalia se há espermas bons na urina. Se houver, pode ser possível utilizar colher os espermas direto na urina ao invés de fazer a punção. A punção é a coleta dos espermas diretamente no testículo.
Fizemos na clínica Vilara, no Hospital Vila da Serra
Em seguida, a mulher consulta com um ginecologista, já na clínica escolhida, para verificar como está sua saúde e definir quanto remédio tomará para estimular a produção de óvulos. No nosso caso, pesquisamos por uns dois meses até escolher a clínica Vilara, que fica no Hospital Vila da Serra. O valor do processo todo ficaria entre quinze e vinte mil reais, a variação se deve à quantidade de remédios que a mulher toma, quanto mais velha, mais remédios. No nosso caso, a Gi estava com 37 anos, tomou o máximo sugerido, e acabamos gastando quase o máximo.
Foram introduzidos três óvulos fecundados, dos quais dois vingaram
A mulher começa então o tratamento tomando os remédios que estimulam a produção de óvulos e o médico vai acompanhando por ultrassons. Assim que a mulher atinge uma boa quantidade de óvulos, é marcada a retirada dos óvulos, e na mesma data é marcada a punção. A Gi produziu oito óvulos, e na data marcada ela foi encaminhada para uma sala onde foi feita uma espécie de raspagem, com sedação leve. Em seguida fui encaminhado para a punção, em uma sala ao lado. Eu poderia tomar anestesia local, mas como minha sensibilidade é pequena na área, dispensei. O médico fez a primeira coleta de espermas na parte externa do testículo, e levou para o laboratório, que fica ao lado. Na hora não resisti e falei para o médico: "é doutor, esse é o único exame em que o paciente não quer ouvir que não tem porra nenhuma!" Todos riram na sala. E logo veio a resposta do laboratória, não tinha espermas de qualidade.
Acompanhar o crescimento deles pelos ultrassons foi muito bom!
Aí o médico fez um corte na bolsa escrotal (o saco),  enfiou a seringa dentro do testículo e retirou mais uma leva. Mandou para o laboratório, e desta vez haviam espermas em quantidade e com boa mobilidade. Logo em seguida já iniciaram os processos para a fecundação. Na sala, outro médico fez o resto do trabalho, costurando a bolsa escrotal. Mais uma vez eu não aguentei e falei: "é cara, esse seu trabalho é um saco." O cara riu muito. E eu completei: "tá vendo, quem manda não sedar o paciente?" Não tem jeito, nem nessa hora eu fico sério.
O ultrassom 3D deu para ver a carinha deles
Aí fomos para casa e aguardamos notícias do médico. Em uns quinze dias eles nos ligaram, haviam fecundado quatro óvulos e marcaram para colocarem no útero da Gi. Fomos para uma sala com telas na parede e pudemos acompanhar a inserção dos óvulos, foram introduzidos três. Foi muito emocionante ver aqueles três pequenos pontinhos sendo colocados dentro do útero dela. A partir de então, fomos acompanhando a evolução dos óvulos em ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam crescendo, mas a partir da quinta semana um deles involuiu. Os dois continuaram crescendo e deram origem aos meus filhos, Anne e Max. Vejam no vídeo abaixo meu depoimento sobre a fertilização.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O amor da minha vida

Sabe quando tudo parece se encaixar e não precisa mudar nada? Assim é nosso amor!
Nossa história começa em Viçosa, onde estudamos, no final dos anos 90. Na época ela fazia graduação em engenharia civil e eu fazia pós graduação em administração. Uma amiga da pós me chamou para sair e chamei um amigo, e ela ficou de chamar uma amiga também, e nos encontramos em um boteco. Ela era a amiga dela, conterrânea da mesma cidade. Ficamos batendo papo, eu já estiquei um olho para ela e comecei a lançar minhas cantadas infalíveis. Depois de algumas cervejas, dei a ideia de ir para outro bar. Depois de algum tempo jogando charme dei o golpe de misericórdia e a beijei. 
Ficamos juntos até eu levar todos em casa, afinal era o que único que tinha carro. Fui deixar ela em casa por último, e tentei arrastar para “um lugar mais tranquilo”, mas ela resistiu, não sei como. Fui embora e ficamos um tempo sem nos ver, até nos esbarrarmos em uma boate. Conversamos um pouco até ela não resistir novamente ao meu charme. Depois de muitos beijos ardentes usei a mesma estratégia, fui deixar ela e as amigas em casa deixando ela por último. Mais uma vez ela resistiu a ir para outro lugar. Estava se fazendo de difícil.
Depois disso ficamos mais uma vez em um bar, mas eu precisei ir para casa mais cedo já que tinha namorada na época e morava com ela numa cidade perto de Viçosa. Depois disso ficamos muito tempo sem nos ver, alguns meses. Até que um belo dia eu estava comprando pão em uma padaria e a vi. Mexi com ela e ela fingiu que não me conhecia, mas logo se lembrou - afinal, com 1,95 metro eu não era tão fácil de esquecer. Fui levar ela em casa, como estava de bike, fui acompanhando ela a pé. Chegando lá dei uns pegas nela na porta da casa dela. Depois disso começamos a ficar com mais frequência, e ela finalmente descobriu que eu tinha namorada. Depois de me chamar de cachorro várias vezes, caiu na velha história que eu estava mal com a namorada, terminaria com ela logo, e continuei enrolando. Algum tempo depois ela começou a pressionar para eu terminar com a namorada. Aí percebi que a Gi era uma pessoa bacana, gostava mesmo de mim, então terminei com a outra.
Namoramos por quatro meses, até que resolvi partir para novos horizontes. Terminamos algum tempo depois do baile de formatura dela e nos distanciamos um pouco, mas ainda mantivemos contato por e-mail. Eventualmente trocávamos mensagens e nos encontrávamos. Até que, 2006, eu estava solteiro, fazendo mestrado na UFSC em Floripa, e vieram as primeiras férias. Vim para BH e liguei para ela – eu sempre dava uma olhadinha se alguém estava mexendo nas minas gavetas. Ficamos juntos e na semana seguinte fui a Viçosa para encontrar outra ex namorada e no dia de voltar para BH sofri o acidente. Como eu estava na casa daquela ex-namorada, acabamos voltando o namoro. Dali a dois meses acabou tudo de novo, e comecei a namorar uma das enfermeiras do hospital em que eu estava. Nesse meio tempo, o contato com a Gi se intensificou.
Ela estava morando em Salvador, mas disse, em um certo momento, que sempre gostou de mim e mudava pra BH o mais rápido possível se eu largasse a enfermeira e investisse nela. Resolvi aceitar a proposta e em um mês ela estava em BH e reiniciamos o relacionamento. Logo ela já mudou de mala e cuia pra casa dos meus pais, onde eu estava morando, e em pouco tempo nos mudamos para um apartamento "só nosso".
Desde então somos companheiros em tudo, viagens, aventuras, enfrentando os problemas de acessibilidade e para completar nossa linda história de amor, fizemos duas pessoinhas lindas!
Em suma, temos um relacionamento maravilhoso, como já namoramos antes pulamos aquela parte chata dos ciúmes descabidos, das briguinhas bobas, vivemos muito bem há nove anos e meio e nos amamos profundamente. O negócio é ser feliz, independente das diferenças!

sábado, 4 de junho de 2016

Test drive de cadeirantes

Test drive, só "compartilhado"
- Pai, estou querendo trocar de carro.
- Que bom, já escolheu o modelo.
- Sim, já. Mas preciso de uma ajudinha...
- Hmmm lá vem. De quanto você precisa?
- Não é dinheiro, preciso de um test driver.
- De que?
- De um test driver. Um motorista para fazer um test drive por mim...
Esse diálogo é fictício mas pode acontecer com qualquer um que não possa dirigir um veículo que não seja adaptado, como quem sofreu lesão medular e usa cadeira de rodas. Eu mesmo já pedi a um amigo que estava para trocar de carro para me chamar quando fosse fazer test drive em um veículo que me interessava. Porque não podemos fazer test drive? Simplesmente porque não há veículos adaptados para test drive nas concessionárias. Nem em lugar nenhum! Pelo menos aqui em Belo Horizonte.
E porque é importante fazer test drive? O test drive é uma das etapas mais importantes na aquisição de um veículo. Primeiro a gente levanta os fundos – no bom sentido – pesquisa as opções na faixa de preço que podemos pagar, faz um comparativo dos itens de série que cada um oferece, e vai à concessionária conhecer o escolhido para fazer o test drive. Afinal, sentar no veículo é uma coisa, dirigir, sentir a direção, estudar as dimensões do veículo em manobras, e muitas outras coisas só é possível experimentar se fizer um test drive. Só que o comprador é cadeirante, e aí? Como podemos, então, fazer test drive em um carro se não há veículos adaptados para deficientes nas concessionárias? A solução é pedir a alguém de confiança para fazer o test drive por nós. Ou ir a uma feira de tecnologia assistiva, como a Reatech, para fazer o test drive nos veículos que temos interesse. Na feira as montadoras aproveitam para disponibilizar os veículos que tem mais saída para deficiente Se o veículo que a gente quer não está na feira, temos que recorrer ao "test driver" mesmo...
Verificar se o porta malas é bom para acomodar bem a cadeira de rodas
Na impossibilidade de fazer o test drive, que itens devemos observar em um veículo na hora da compra? Em primeiro lugar, devemos testar a facilidade para transferir para o carro do lado do motorista. A primeira observação deve ser em relação à porta. Quanto mais a porta abrir, mais perto vai dar para chegar com a cadeira, e mais fácil será para transferir. O segundo ponto a se observar é a altura do banco. Carros mais altos são mais difíceis para transferir. Mas isto não precisa ser fator de eliminação, pois é possível desenvolver técnicas para subir em carros mais altos sem fazer muito esforço. Só não dá para ser muito difícil, afinal é uma tarefa que será realizada quase todo dia – isso para quem trabalha.
Outro ponto importante é o espaço interno. Isto é especialmente importante para quem é alto, como eu. Como o veículo deve ser adaptado, se a adaptação for como a mais comum, uma barra embaixo do volante para aceleração e frenagem, tem que ter espaço suficiente para passar as pernas embaixo. Eu já machuquei os joelhos em um carro com pouco espaço interno. Outro item que considero crucial - que é opcional, mas muitos carros já tem de série, são comandos no volante. Como temos sempre uma mão ocupada com acelerador e freio, a outra mão deve sempre ficar no volante, e os comandos de rádio, telefone e piloto automático no volante fazem a diferença. Outra facilidade são as borboletas para trocar marcha atrás do volante. Em carro com câmbio automático é desnecessário, mas se for automatizado, elas permitem subir ou descer marchas mesmo no modo automático. Facilita muito em subidas e descidas para manter o motor no giro ideal.
Agora vem a segunda etapa do test drive – o porta malas. Cadeirante que compra carro sem considerar o tamanho e formato do porta malas pode ter muito aborrecimento pela frente. É muito importante verificar se a cadeira de rodas entra com facilidade no porta malas e deixa algum espaço para bagagem. Veja no vídeo acima minhas considerações.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...