sexta-feira, 13 de junho de 2014

Medidas da cadeira de rodas

As medidas da NBR 9050 só servem para cadeiras dobráveis
Taí um tema que pode dar muito prejuízo e dor de cabeça: medidas de uma cadeira de rodas. Ao comprar uma cadeira, você deve ter em mente que ela será a extensão do seu corpo. Portanto deve encaixar perfeitamente em você. Quanto mais justa ao corpo, sem apertar, melhor. O ideal é que não tenha nenhum espaço entre o corpo e a lateral da cadeira. Mas é fundamental que não esteja apertando. Como a gente não tem a sensibilidade normal, tem que ser no visual mesmo, e fazendo o teste, enfiando o dedo na lateral não deve ser difícil retirar. 
Medidas do formulário de compra da TiLite
Para definir as medidas ideais para sua cadeira de rodas, você deve consultar um fisioterapeuta com experiência nessa área. As medidas são separadas por segmento, sendo tronco, pernas e braços, o fisioterapeuta faz todas as medidas. Na norma NBR 9050 há algumas medidas padrão utilizadas em cadeiras de rodas dobráveis ou em X, estas da primeira figura. Elas servem para ter uma ideia de quantas medidas estão envolvidas em uma cadeira de rodas, e olha que faltam ali as medidas de ângulos, como do encosto e do apoio de pés, estes que constam do formulário de compra da cadeira TiLite, na figura acima.
Mesmo seguindo todas as medidas de um fisioterapeuta experiente, uma recomendação que sempre dou: faça test drive. Em um test drive é possível determinar também as melhores medidas de ângulo, caso não esteja familiarizado. O negócio é experimentar cadeiras com ângulos diferentes e identificar qual é mais confortável. Não varia tanto quanto parece, há ângulos pré determinados.
 A melhor opção para testar cadeiras hoje em dia é a Reatech, a feira de tecnologia assistiva, apesar de não ter sido lá essas coisas neste ano... Mas ainda é uma opção, e como acontece só uma vez por ano, a alternativa no resto do ano é visitar uma grande loja que venda cadeiras. Aqui em Belo Horizonte, assim como na maior parte dos estados brasileiros, não há uma loja com vários modelos em exposição para testar. A solução é partir para São Paulo ou Rio de Janeiro para ir a uma loja. Vale a pena pagar a passagem de avião para testar uma cadeira de rodas.
Um dos piores erros ao comprar uma cadeira de rodas é errar na largura. As outras medidas geralmente são customizáveis, mas a largura não tem jeito. Se a pessoa insistir em usar uma cadeira maior ou menor do que o ideal na largura, vai ficar dançando nela (e estragando ainda mais a coluna) ou ficará apertado o dia todo, o que pode gerar escaras com o tempo.
Portanto, fica a dica: não vacile nas medidas. Faça test drive. Senão as consequências podem ser cruéis.

sábado, 31 de maio de 2014

Test Drives em carros - e ônibus - adaptados

Test drives adaptado, só em evento
Sim minha gente, a única coisa que valeu mesmo a pena na Reatech deste ano foram os test drives. Fiz quatro, em carros de várias marcas, sendo um deles em um ônibus automático adaptado! Muito legal a experiência de dirigir um veículo tão grande adaptado. É um pouco complicado transferir para o banco do motorista, pois não dá para chegar perto com a cadeira. Mas a direção é macia, fácil de tocar e manobrar, apesar do tamanho do bichão. Achei bem interessante guiar aquele monstro, muito legal ver no retrovisor tanto "carro" para trás. E ainda tem uma vantagem: se eu perder o emprego, já tenho outra opção! Vou virar motorista de buzão!
O primeiro test drive em carro foi no novo Fiat Linea, que está mais bonito, moderno e ainda caiu de preço. O carro vem com botões no volante desde a versão de entrada, o que é importante para cadeirantes, e ainda ar condicionado, som com USB e piloto automático. Ele estava equipado com o comando manual F1 Evo da Guidosimplex, uma adaptação diferente das normais, ela não fica próxima ao volante, mas sim ao lado do câmbio, presa ao chão do carro. Ela tem algumas vantagens em relação às adaptações de volante, que percebo: não é necessário ficar com o braço elevado, portanto cansa menos; fica próxima à marcha, o que facilita em carros manuais adaptados ou para eventuais trocas em automatizados, e ainda funciona como freio de mão e tem um botão para a buzina. Gostei do carro e da adaptação, o Linea tem excelente espaço interno e porta malas, e a adaptação é bem fácil de tocar e precisa. Com câmbio Dualogic e já as isenções, ele sai por menos de quarenta e cinco mil reais. Ótimo custo x benefício.
O segundo test drive foi no novo Focus, um carro que cogito muito adquirir depois do Bravo. Gostei muito da última atualização do design, e o motor com injeção direta otimiza o desempenho, aliado ao câmbio powershift de dupla embreagem e seis velocidades percebi excelente resposta às investidas no acelerador, o que melhora também as retomadas. A gente puxa e o carro responde, imediatamente. O porta malas também está bem grande, apesar de não ser dos maiores da categoria. De pontos negativos, o pouco espaço interno, a falta de borboletas atrás do volante para passar marchas, e a versão de entrada, que é a única abaixo do limite de isenção, é pouco equipada e tem muito plástico nos painéis de porta, parece de categoria inferior. O Focus estava com uma adaptação manual comum do lado esquerdo.
Outro carro que dirigi lá foi o novo Corolla. Ele está muito bonito por fora, mais ousado, e cresceu por dentro e no porta malas, ponto positivo para cadeirantes. A direção é bem macia, e apesar de ter crescido não é nenhuma banheira, bem tranquilo para manobrar. A maior vantagem desta nova versão foi a adoção do câmbio automático CVT, continuamente variável, que elimina completamente os trancos. O melhor, na minha opinião. Só não gostei muito do desenho do painel, muito reto e projetado para a frente, parece de Kombi. E a versão de entrada, também a única que fica abaixo do limite de isenção, é muito pelada, nem sensor de estacionamento tem. A adaptação também era do tipo comum, uma barra embaixo do volante.
Os testes foram ótimos, mas ficou evidente como estamos cada vez mais limitados para adquirir um carro zero com isenção, já que o limite está em 70 mil desde 2009. Do jeito que vai, daqui a pouco só será possível comprar carros de pequeno porte com câmbio automatizado, e olhe lá. O problema vai ser guardar cadeira de rodas em mini porta malas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mineirão para cadeirantes

Outro estádio, outro nível. Mas ainda tem que melhorar...
No final de março realizei mais uma vontade de muito tempo: fui conhecer o Mineirão depois da reforma. Antigamente eu ia muito, quando meu pai ainda morava aqui em BH, nos principais jogos do Cruzeiro. Antes da reforma, o local para cadeirantes era péssimo. Eram dois cercadinhos na área inferior com demarcações para cadeiras de rodas, um de cada lado. Não havia espaço para acompanhantes, só cadeirantes, um do lado do outro. Se lotasse, dava congestionamento. Pior que eu ficava na área para cadeirantes e meu pai nas cadeiras da parte de baixo. Como era horrível, eu preferia ficar na parte central, na chamada "Tribuna de Honra", onde ficavam familiares dos jogadores e até jogadores "baqueados". O lugar era aberto, mas para um cadeirante chegar era preciso descer três degraus. Na ida era tranquilo, mas na volta a gente pedia ajuda a alguém que estivesse por ali ou a algum funcionário do estádio.
Vagas não faltam, mas bem que poderiam tirar esse cones... só que não
Até que, em 2010, o Mineirão foi fechado para a custosa reforma para a Copa do Mundo e só reabriu os portões no final de 2012. Como meu pai já tinha se mudado de BH, fiquei aguardando uma oportunidade, até que em uma visita dele resolvemos ir em um jogo pelo campeonato Mineiro, Cruzeiro e Boa Esporte. Para comprar o ingresso tive que ir ao Mineirão no meio da semana, pois deixaram apenas 760 ingressos para serem vendidas na sede que fica perto do centro! Não bastasse a viagem só para comprar o ingresso, cheguei lá e quase caí para trás com o preço (só não caí porque estava sentado): R$ 130,00 cada ingresso! E não tem desconto para cadeirante. E em um jogo sem muita importância do campeonato mineiro! Disseram que este preço era por causa da localização das vagas para cadeirantes. Sério? Cadeirante que ganha pouco não pode ir? Quase desisti, mas estava muito curioso para ver o estádio.
A saída do elevador é em frente ao portão C... que não tem lugar para cadeirantes!
Chegando lá fomos para o estacionamento do estádio, e apesar de ter diminuído de tamanho (não entendo como fizeram essa mágica, já que há vários andares agora), há muitas vagas para deficiente próximas ao elevador. Ao sair do carro, já fui abordado por um funcionário, que se dispôs a me acompanhar até o lugar reservado. Subindo pelo elevador, veio o primeiro problema: a entrada para cadeirantes ficava só no portão D, e a saída é no portão C. Tive que rodar por muitos metros até chegar na entrada correta. Incoerência total a entrada ficar longe do elevador. Chegando à entrada correta, outro problema. O elevador que dá acesso à arquibancada estava "inoperante" de acordo com os funcionários, então eu teria que descer uma rampa. Uma longa rampa, diga-se de passagem. O funcionário se ofereceu para segurar a cadeira, mas eu disse que o importante seria na volta. Ele disse que já havia pensado nisso, deu seu nome e celular para que eu ligasse quando o jogo acabasse, caso eu não o visse.
Passagem própria para cadeirantes na entrada
Entrando no estádio, fiquei impressionado com a qualidade dos materiais e com a beleza interna. Também me chamou a atenção a proximidade do gramado, antes havia uma enorme lacuna entre o fim da arquibancada e o começo do campo, agora isso foi reduzido, eliminaram o enorme "fosso" que existia ali. A área reservada para cadeirantes ocupa toda a lateral de um dos lados do campo, é uma fileira que vai do início ao fim do gramado, sem obstáculos na frente, e em um nível mais alto do que as próximas fileiras. Isso garante boa visibilidade do gramado mesmo se as pessoas da frente ficarem de pé.
Sem o elevador, só por essa longa rampa
A área em que eu estava não dava acesso para o setor atrás do gol, e como eu queria conhecer mais, fui para a parte interna do estádio. Lá, tudo novo também. Havia um funcionário guardando a passagem para o outro setor, e ele disse que eu não poderia ir lá, mas depois de insistir ele deixou. Mesmo porque o acesso aos banheiros adaptados seria somente por ali. Mais um vacilo? Disseram que não, é que não estava aberto naquele dia. Os bares ficaram muito bons, mas os preços foram lá em cima. O famoso feijão tropeiro, um ícone do Mineirão, passou de 4,00 para 10,00 reais! Não experimentei porque já havia almoçado, mas na próxima não passa. Os banheiros para deficiente são separados dos outros, e há feminino e masculino. Mandaram bem. Uma coisa achei interessante, o estádio foi dividido em quatro grandes partes, com cores diferentes, e em seis setores. Ficou fácil se orientar lá dentro.
Bares estão ótimos, mas os preços...
Na hora do jogo, minha cadeira deveria ficar mais no canto - há marcação até para as cadeiras de rodas - e havia lugares vagos mais no meio do campo. Perguntei se poderia mudar, mas negaram, pois aquela ala estava "fechada naquele dia". De novo? Insisti novamente, estava tudo vazio, conversaram aqui e ali e deixaram. Bem melhor a vista de lá, bem no meio do campo, dá para acompanhar todos os lances tranquilamente. O jogo ficou 2 a 1 para o Cruzeiro, confirmando meu pé quente em jogos no Mineirão, nunca vi derrota, no máximo um empate.
Eu e o coroa aprovamos a estrutura, e o jogo!
No fim das contas, gostei da experiência. Apesar dos problemas, que disseram estarem sendo resolvidos, os funcionários estão muito bem treinados, a estrutura está muito boa e a diversão está garantida. Só precisa baixar o preço. Quero ver na Copa, comprei ingresso para três jogos, para levar a Gi, meu pai e minha irmã, pois cadeirante tem direito a um acompanhante. O ingresso custou 180,00 cada, dividindo por dois, dá 90, bem mais barato que o ingresso que paguei. Tem que melhorar, mas o caminho é este. Bora pro campo!
Vejam aqui um mapa do Mineirão

domingo, 4 de maio de 2014

Serra da Piedade para cadeirantes

A igreja matriz está em reforma, mas logo reabrirá
O Santuário Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, no município de Caeté, é um dos lugares mais lindos do nosso montanhoso e belo estado. Conheci o santuário no final dos anos 90 e fiquei maravilhado com o lugar, que tem uma bela igrejinha de arquitetura barroca na parte mais alta, outra igreja mais moderna, vários mirantes, um observatório da UFMG e um restaurante com um visual de babar. Voltei lá algumas vezes, mas desde que virei cadeirante, em 2006, não tinha ido lá ainda. Porém, com dicas da minha amiga Rosa Spindola, que esteve lá e disse que está acessível, aproveitei a visita dos meus sogros para dar uma voltinha por lá.
Panorâmica da vista de Igreja Nova das Romarias
O santuário fica a 50 quilômetros de Belo Horizonte, seguindo pela rodovia BR-381 e entrando em direção a Caeté. Mais na frente há placas que levam até a Serra da Piedade, aí prepare-se para subir, subir, subir... Até chegar a quase 1750 metros acima do nível do mar. Nessa altura, dá para imaginar o visual. Sim, é um dos visuais mais lindos de Minas Gerais, e deve ser o mais bem estruturado. Inclusive para cadeirantes. Ao chegar na portaria, perguntei sobre a estrutura para cadeirantes e fui informado sobre os carrinhos elétricos para transporte de cadeirantes e idosos. Bastava solicitar a um funcionário do santuário.
Carrinho elétrico para cadeirantes e idosos. Eles levam a cadeira atrás.
Chegamos ao alto da montanha e havia um funcionário por perto, ao qual informei ser cadeirante e perguntei sobre a acessibilidade. Ele foi muito educado e disse que me levaria em um carro elétrico onde eu quisesse, mas se eu preferisse poderia ir de carro em todas as atrações do santuário, inclusive na antiga igreja no alto da montanha. Preferi esta última opção, pois ficaria mais tranquilo, sem me preocupar em monopolizar o carrinho. São dois, e são utilizados para levar idosos também. Achei interessante eles colocarem em cima do meu carro um imã com o simbolo de cadeirante, para que outros funcionários ajudassem ou abrissem as áreas restritas, como a da igreja antiga.
Igreja Nova das Romarias
A primeira atração que fui ver foi a Igreja Nova das Romarias, na parte mais baixa do santuário. Ela é moderna, com bela arquitetura, bem grande por dentro e fica de frente para um belo mirante. A nave da igreja é impressionante, o teto é suportado por uma bela estrutura de concreto, o altar é imponente e há uma linda escultura da Nossa Senhora da Piedade. Nas laterais da igreja há vários painéis que contam a história do santuário e detalhes sobre a arquitetura e imagens lá presentes. Muito interessante.
Bela igreja, arquitetura modera, porém, sem acesso...
Porém, nem tudo são flores. Não há rampa de acesso em nenhuma das cinco entradas, e os banheiros, apesar de dar para entrar com a cadeira, não é adaptado. Vi uma faixa lá dentro informando que o santuário está em reforma, e que 80% está pronto. Espero que entre os 20% faltantes esteja a melhoria da acessibilidade da igreja.
Gi com seus pais na imagem de Cristo na cruz, com Maria e São João.
Em seguida fomos ao observatório, que estava fechado e não vi acesso para cadeirantes. Depois fomos ao restaurante, que tem um visual fantástico, um self service bem variado e de qualidade, e de quebra dois banheiros adaptados, masculino e feminino. Há também uma lojinha de lembranças e uma pedra enorme bem no meio do restaurante. Muito legal. Porém, prepare-se: você vai voltar alguns quilinhos mais gordo. Isso porque as sobremesas disponíveis lá são muitas e deliciosas! Tinha rocambole de doce de leite e de chocolate, pudins, goiabada cascão, doce de leite, cocada... Ai ai, ganhei alguns pneuzinhos nessa brincadeira.
Lá de cima dá para ver nove cidades!
Depois do almoço fomos para a atração principal, a Ermida da Padroeira. É proibida a entrada de veículos, mas como o meu estava identificado, me deixaram entrar. O lugar é enorme, conta com uma loja de artigos religiosos, uma escultura de ferro com Jesus crucificado no calvário, a Ermida da Padroeira e ainda tem belíssimas vistas dos dois lados. A Ermida estava fechada para reforma, não pudemos entrar - aliás, eles não puderam entrar, porque devido às escadas na entrada eu não poderia de qualquer forma. Mas me disseram que deverá ser adaptada para cadeirantes também.
Vista da parte de cima do restaurante
No fim das contas, é um mais um destino turístico incrível para quem vem visitar Minas. E por isso vale a pena visitar Belo Horizonte. Muita gente fala que não tem muita atração turística em BH, mas não é bem assim. Além de haver mais opções do que a maioria conhece, em um raio de 100 quilômetros da capital há lugares incríveis como Inhotim, Piedade, Serra do Cipó, Macacos, Sabará, Lavras Novas, Mariana, Ouro Preto, entre outras. Tudo entre as montanhas, com visuais belíssimos!
Panorâmica da Ermida da Padroeira

sábado, 19 de abril de 2014

Reatech 2014

A fila estava grande... e nem adiantava pedir preferência!
Este ano a Reatech decepcionou... tanto pela falta de novidades, quanto pela falta de stands. Apareceram mais stands de montadores de carros, diminuíram os stands de empresas de cadeiras de rodas e acessórios. Senti falta da Mobility, que trouxe muita coisa interessante ano passado, principalmente cadeiras da TiLite, e da Performance, que trouxe acessórios para subir escadas, além de outras empresas menores. Percebi também que alguns stands encolheram. Não sei se está muito caro montar ou se falta interesse em mostrar novidades. Por outro lado, apareceram alguns stands novos, com destaque para o stand da Guidosimplex, fabricante italiana de adaptações para carros e vans, levada pelo Hélio Adaptações. O stand ficou muito bonito, com painéis e vídeos mostrando o piloto de rallye Albert Llovera, que é cadeirante e corre com adaptações da Guidosimplex (vale a pena conferir o site dela, basta clicar no nome).
Stand da Guidosimplex
De novidade mesmo, vi pouca coisa, e ainda senti falta de muita coisa do ano passado. O stand da Cavenaghi era um dos mais movimentados, levaram cadeiras da Invacare, marca americana, destacando os modelos Reveal, por quase 6,5 mil, e T7A, por pouco mais de 7 mil. Em promoção também estava a Otobock Ventus por 4,8 mil já com almofada Roho, e a Ortobrás M3 por menos de 2,7 mil reais. Esta última, apesar de ainda muito cara, está chegando perto do que vale. Há pouco tempo era quase quatro mil reais. Levaram também motores elétricos para cadeiras e adaptações automotivas, incluindo um Jac T8 com rampa atrás e elevador na lateral.
Cadeiras da Invacare
A Vemex lançou oficialmente a cadeira de rodas Falco, feita em alumínio sem soldas, e com peso de 8 quilos sem as rodas. Também próximo de 8 é o preço dela, que estava na feira por 7.990,00, e será comercializada inicialmente pela internet, no site da marca. Quem estava lá demonstrando a cadeira era seu garoto propaganda, Evandro Bonocchi, que demonstrou alguns detalhes da cadeira que achei interessantes, como o apoio de pés, regulável de várias formas, e o puxador, que rebate para dentro, para facilitar na hora de colocar dentro do carro. A cadeira está muito boa e leve, mas o preço ainda está puxado. Lá estava também o modelo Strix, que tem amortecedor nas rodas traseiras, ainda em demonstração, será lançada em breve..
Lançamento da Falco, com o Evandro Bonocchi
As outras novidades eram muito poucas. A mais legal e prática que encontrei foi um pegador. Um não, dois modelos de pegador, daqueles que a gente usa para pegar objetos à distância, que nem um brinquedo muito popular nos anos 80. Infelizmente não estão a venda em lugar nenhum, eram os últimos lotes de uma importadora falida. Haviam também alguns modelos novos de rampas para veículos grandes, mais leves e fáceis de montar, sem alterar muito o carro. A Jaguaribe estava com um stand bem legal, exaltando a fabricação nacional de suas cadeiras, com um modelo de dobrável nas cores da bandeira. Havia também uma cadeira motorizada de fabricação nacional. O stand da Jumper trazia cadeiras de alumínio e titânio, além das tradicionais cadeiras para Hardcore Sitting.
Pegadores que ajudam no dia a dia
O que mais gostei na feira foi encontrar e conhecer gente. E ouvir suas histórias. Conheci o Sérgio, cadeirante de São José do Rio Preto que é engenheiro aeronáutico e está construindo um ultraleve para ele! Ao invés de adaptar, está fazendo do zero. Vai ficar show. Encontrei novamente a moça gente boa que pediu para tirar foto comigo ano passado, conheci o marido e a cunhada dela, e de novo esqueci de perguntar o nome. Conheci também o Robson Risso, que veio me agradecer pessoalmente por dicas dadas no passado, cara muito gente boa e divertido. Conheci pessoalmente também o Cairo, que é de Uberlândia e foi para São Paulo de ônibus, sem nenhuma garantia do motorista que teria alguém para ajudá-lo a descer do ônibus. E ainda o Evérton, cara super animado e que me deu uma valiosa dica sobre a feira!
Bate um papo com o Robson Risso
Mas para mim, a novidade mais interessante estava do lado de fora. A auto escola Javaroti levou um ônibus automático para test drive! E eu não podia perder esta, tanto que vou deixar um post só para os test drives que fiz na feira. Tudo filmado!

domingo, 6 de abril de 2014

Show do Paralamas no Chevrolet Hall

Cadeirante arrebentando no palco!
No último sábado de março realizei um projeto de mais de cinco anos: estive em um show no Chevrolet Hall, uma das maiores casas de shows de BH. E justo em um show de um cadeirante, o Hebert Viana, do Paralamas do Sucesso. Não estive lá antes por falta de vergonha na cara, já que morei bem próximo de lá por cinco anos, dava para ir a pé. Ou melhor, a roda. Dava até para tomar uma cervejinha no show... Mas agora, morando a dez quilômetros de lá, com lei seca e tudo, só deu para tomar refri!
Primeiro elevador para chegar aos camarores
Eu já sabia que o lugar era acessível, lendo relatos de outros cadeirantes que estiveram lá. Nos shows, eles reservam um "quadrado" para os cadeirantes no canto esquerdo do palco, e para chegar lá o caminho é sinuoso, mas totalmente acessível, com um elevador no meio. Mas eu não fui para ficar na pista, a Gi ganhou dois ingressos de camarote! Estávamos ensaiando ir ao show do Paralamas desde o ano passado, e desta vez eu estava disposto a ir de qualquer jeito, já tinha visto preço de ingressos, e de repente somos premiados com este mimo.
Camarote do Chevrolet Hall, menos vip que eu esperava
Se a pista era acessível, imaginei que o camarote seria mais ainda, por ser "vip". Que ilusão... O caminho para lá até que é bem tranquilo, apesar de ainda mais sinuoso que a pista. Rodei por um corredor, até o fundo do prédio, passando por um mini elevador (esse da foto acima), depois mais uma curva, outro elevador, que pelo menos era grande, e então outro corredor, e finalmente o camarote. Fiquei decepcionado, achei muito simples e nada vip. E para piorar, sem acesso para ficar perto da grade. Tem um "buraco" ao longo de todo o camarote, como se fosse um banco, mas de cimento mesmo, que é acessado por dois degraus, nas pontas e ao longo do buraco. Não tem rampa, mas poderia facilmente ter em uma das pontas.
Dei um jeito de chegar perto da grade para curtir melhor o show
Como eu queria porque queria chegar próximo à grade para ter uma visão melhor e ficar ao lado da Gi, pedi aos seguranças para providenciarem a descida. Veio um homem e... uma mulher. Não ia dar conta de me segurar, afinal eu precisaria ser literalmente carregado. Um cara que estava ao lado se ofereceu e me carregaram para o "buraco". As pessoas ficam sentadas no chão, no duro mesmo, e tem um bar que vende bebidas e salgados, bem simples. Banheiro? Tem dois, masculino e feminino, nenhum deles adaptado. Os dois com portas estreitas. Se eu quisesse ir ao banheiro, só no térreo, teria que pegar o caminho todo de volta. Não podia ficar apertado...
A visão do camarote é muito boa, e estava bem cheio
Quanto ao show, foi muto bom, curti muito, revivi as décadas de 80 e 90 com as melhores músicas dos Paralamas, como "Meu Erro", "Alagados"e "Ska". A parte mais legal foi durante a música "Óculos", em que o Hebert Viana mudou um dos refrões, em que diz "por trás destes óculos também bate um coração" e falou "em cima destas rodas também bate um coração". Bem oportuno, pois a música fala do preconceito sofrido por ele quando chegava de óculos nos lugares e as pessoas olhavam diferente, não davam ideia. A acústica do lugar não é muito boa, já tinha ouvido falar, e acho que no camarote é pior ainda. Eu cantava as músicas e tudo porque as conhecia, mas quando o Hebert falava ao microfone, eu não entendia nada. Parece que o som rebate em algum lugar e volta, misturando tudo. Bem ruim.
Disposição da banda, incomum, mas harmônico
Achei interessante que ele ficou durante o show sobre uma plataforma, na mesma altura do baterista, e o Bi Ribeiro, baixista, ficou no meio, de pé, e o rosto deles ficou na mesma altura. Diferente, já que na maioria das bandas o vocalista é que fica no meio. Ao final do show ele desceu e foi lá na frente, mas não deu muita ideia para os cadeirantes que estavam no "quadrado" e fizeram esforço para chegar mais perto do palco nesse momento. Ele foi ao centro do palco, agradeceu, foi ao outro lado e vazou. Poderia ter sido mais atencioso.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Irmãos cadeirantes

Um dos benefícios de criar este blog é a possibilidade de trocar experiências com outros cadeirantes e pessoas interessadas em assuntos afins. Há algum tempo conheci dois irmãos cadeirantes, moradores de Guaxupé, interior de Minas. Me interessei pela história deles e bati muito papo com a Roberta, caçula da família. Ela também é blogueira, posta sobre moda e beleza no blog "Make sobre rodas" e o irmão dela, Marcos, trabalha na Cooxupé e curte fotos e vídeo. Eles fizeram uma matéria sobre a acessibilidade em Guaxupé, e até uma campanha para melhorá-la, e deu certo! Belo exemplo. Convidei-os para uma entrevista, que segue abaixo.
- Qual o nome e idade de vocês?
Roberta, 22 anos e Marcos Paulo, 28 anos.
- Por que motivo estão em cadeira de rodas?
Nós nascemos com uma doença chamada Amiotrofia Espinhal, que é degenerativa e de origem genética. Essa doença nada mais é do que o enfraquecimento muscular, que nos impede de fazer algumas atividades que uma pessoa “normal” faria.
- O que vocês fazem no dia a dia?
Nós dois trabalhamos normalmente, sendo necessário apenas algumas adaptações no serviço. Eu estou cursando faculdade de Administração de empresas e meu irmão já é formado em Pedagogia.
Marcos e Roberta entre os pais
- E em fins de semana, para se divertir?
Nos finais de semana a gente adora sair com os amigos. Sempre vamos a algum barzinho ou qualquer lugar que seja mais tranquilo.. Rsrs  Também viajamos bastante!!
- Tem algum hobbie?
O meu hobbie é blogar e assistir seriados. Sou fanática por Dr. House e Gossip Girl.. Rsrs   Já o meu irmão adora ouvir uma música alta. Rsrs
- Como é a acessibilidade na cidade de vocês?
Na verdade nós não temos muito o que reclamar da acessibilidade daqui, mas isso graças a uma campanha que nós iniciamos junto com nosso pai. Há mais ou menos sete anos atrás, a gente saía todos os dias entregando panfleto para os comerciantes da cidade, a fim de conscientizá-los para que eles fizessem uma rampa de acesso. Claro que isso é uma obrigação e não tinha nem que ser pedido, mas pelo menos funcionou.. Nós também infernizamos (literalmente) o prefeito da cidade, para que ele mandasse fazer rampa em todas as esquinas, pelo menos da área central da cidade. Depois de muitos anos lutando com os comerciantes e com o prefeito, hoje podemos dizer que temos uma cidade 70% acessível!!
- Quais as maiores dificuldades que encontram?
Com certeza é o preconceito!! Infelizmente, aqui na minha cidade ou em qualquer outro lugar, isso ainda existe. Sentimos muita dificuldade na hora de fazer amigos, principalmente.
- Contem sobre as vantagens e desvantagens de serem irmãos cadeirantes.
Eu não vejo nenhuma desvantagem e, pra falar a verdade eu até gosto de ter um companheiro para compartilhar dos mesmos sentimentos que eu, afinal, nós estamos na mesma situação.. (Espero que meu irmão pense da mesma forma que eu, rsrs).  Eu só acho engraçado quando alguém pergunta se somos irmãos gêmeos ou se somos namorados.. Não é porque temos o mesmo problema que temos que ser gêmeos e também não é porque somos cadeirantes que temos que namorar um cadeirante. Rs

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...