sábado, 23 de novembro de 2013

Voo experimental de parapente em Alfredo Chaves

Iniciando o voo, direto para os ares!
Em agosto publiquei aqui uma matéria com o Weverson, primeiro piloto de parapente cadeirante de Minas Gerais, quem sabe até do Brasil. Fiquei fascinado com a ideia, pois eu sempre gostei de voar; antes de ser cadeirante, há muitos anos (quase vinte) eu fiz um curso de paraquedismo em Juiz de Fora, saltei sozinho e tirei até brevê de paraquedista! Já cadeirante, em 2011 fiz um salto duplo de parapente em BH, foi muito bom sentir novamente o prazer de voar. E agora, com essa possibilidade de pilotar, minha vontade voltou com força! Ainda mais que meus pais moram em Guarapari, o que facilita a aventura.
Preparado para voar, curtindo o visual
Peguei o contato do Marcelo Ratis, instrutor do Weverson, e marquei um voo experimental em Alfredo Chaves, onde ele mora e dá o curso. A diferença deste voo para o voo duplo é que o instrutor dá uma noção geral dos controles do parapente e permite que o futuro aluno conduza por alguns instantes o parapente, para sentir o comportamento do velame (o tecido do qual ele é formado) em pleno voo, trazendo uma emoção a mais à experiência.
Momentos antes de decolar
O diferencial do Marcelo, além de já ter treinado com sucesso um cadeirante, é que ele morou nos EUA por um bom tempo, aperfeiçoando suas técnicas, e trabalhou em uma empresa de cadeiras de rodas, aprendendo assim a manusear como ninguém um cadeirante na preparação para o voo. Diferentemente do meu salto em BH, ele prefere iniciar a decolagem com o cadeirante fora da cadeira, sendo sustentado por dois ajudantes pelos tirantes que ligam o duplo ao condutor. Assim fica mais fácil, se necessário, correr um pouco para levantar voo. No voo que fiz, não foi necessário, pois o velame se inflou rápido e saímos do solo.

Visão do parapente em pleno voo
Pilotar o parapente foi emocionante, uma sensação ainda mais libertadora do que o voo em si. E a didática do Marcelo impressiona, ele é mesmo fera no que faz. O voo foi super tranquilo, e o pouso mais ainda, não senti impacto algum, ele "freiou" o parapente no momento certo e pousamos suavemente no chão. Gravei tudo com uma câmera no capacete, abaixo compartilho com vocês o vídeo. O Marcelo está vendo se pode vir a BH dar o curso para mais alunos, quem tiver interesse me contacte por e-mail ou facebook.
Após o pouso perfeito, com o Marcelo e o Dario
Para um cadeirante pilotar sozinho, porém, são necessárias muitas aulas, além de um acessório para a decolagem, chamado Flychair, este da foto acima. Encontrei no site Flychair.fi, fabricado na Finlândia, e custa mais de três mil euros. O Weverson não quis desembolsar essa grana toda e fabricou seu próprio Flychair, e se prontificou a fabricar para quem tiver interesse, sob encomenda. Vejam abaixo o vídeo do voo que fiz. Agradecimentos ao Marcelo, ao Dario e ao pessoal que auxiliou lá em Alfredo Chaves.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pousada Pilar - Arraial do Cabo/RJ

Decoração rústica e ambiente agradável
Uma pousada, por definição, é um hotel modesto, rústico, ou próximo à natureza. Adaptar uma pousada para deficientes, portanto, demanda mais do que boa vontade, muitas vezes é preciso alterar a estrutura existente e perder um pouco do charme natural. Além disto, como são poucas acomodações, não vale a pena adaptar, certo? A Pousada Pilar, que fiquei em Arraial do Cabo, prova que não é bem assim. Com alguns equipamentos estrategicamente instalados e pequenas mudanças de layout, eles adaptaram dois dos oito quartos disponíveis para deficientes.
A recepção já remete ao fundo do mar
Instalaram um pequeno elevador externo que possibilita a um cadeirante e um acompanhante acessarem os quartos adaptados, no segundo e terceiro andares. Como a pousada tem decoração rústica, o elevador não podia ficar de fora, e tem aquelas grades treliçadas que fecham por segurança. É pequeno, mas suficiente para um cadeirante e um acompanhante utilizarem sem aperto.
Elevador panorâmico cabe um cadeirante e acompanhante
O quarto é bem amplo, tem uma cama gigante, tão grande que eu ficava com saudades da Gi pela manhã! E o banheiro também não fica atrás, dá para fazer uma festa do roupão lá dentro. A pia é enorme, tem vão livre embaixo para entrar com a cadeira e fácil alcance às torneiras. O chuveiro, porém... não tem chuveirinho. E eles só tem uma cadeira de banho. Como o Gustavo chegou primeiro, pegou a cadeira de banho, sobrou para mim somente uma cadeira de plástico, que não resolve, mas ajuda. A cadeira de banho deles, como me contou o Vagner, gerente/proprietário da pousada, não é adequada, pois não solta os braços. O ideal é uma cadeira com braços removíveis e rodas grandes, como a deste link.
Área externa, com piscina e restaurante gourmet
Nos quartos há varanda com vista para a piscina da pousada, que fica nos fundos em meio a muito verde. Há rampa para chegar lá, e além da piscina há uma churrasqueira e uma cozinha gourmet, com forno de pizza e tudo. Por todo lado há bandeiras, enfeites, um lustre feito de cabaças, e até um espelho feito de escotilha que reflete a água da piscina, dando a sensação de estar vendo o mar. Bem original! Na foto dá para perceber, ao centro. Tem também uma sauna, mas esta não é acessível para cadeira de rodas.
Hall/restaurante/bar/sala de descanso/etc/etc. No meu colo, a gata pirulita!
A parte mais charmosa da pousada, na minha opinião, é o hall principal, que é também o restaurante, o bar, a recepção, tem uma salinha de descanso e de TV, e tem até uma fonte de água e um pequeno altar. Muita coisa, né? Mas tudo em seu espaço, muito bem decorado e confortável. E há uma saída para uma varandinha que também dá para a piscina. As janelas da cozinha são escotilhas de um antigo navio japonês, e há vários itens como abajures e mesas com peças de navios antigos. Muito legal!
O chão do estacionamento é bem irregular
O ponto mais negativo, entretanto, fica por conta da garagem. Ela é muito apertada, é preciso parar os carros próximos para caberem todos, e o chão é de pedras irregulares cheias de ressaltos, bem difícil de passar com a cadeira. A única forma de minimizar o problema é parar próximo ao início da rampa que dá acesso à pousada. A rampa tem um início mais íngreme, mas é tranquila de ser vencida. Tem corrimão ao longo de toda a rampa. Além disso, se necessário o Vagner auxilia a subir ou descer, ele tem experiência com cadeirantes.
Vagner mostrando uma das inúmeras bandeiras da cozinha gourmet
O ponto mais positivo da pousada é o tratamento. Seu João e seu filho Vagner tratam os hóspedes com muito carinho e cuidado, procurando saber as necessidades e limitações de cada um. Estão totalmente abertos a sugestões e reclamações, inclusive ficaram de providenciar uma outra cadeira de banho mais adequada e pensar em uma forma de melhorar o estacionamento. Eles estão de parabéns por pensar nos deficientes, com poucas alterações a pousada ficará totalmente acessível. Recomendo muito a pousada, pelo charme e experiência diferenciada.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Check Out do curso de mergulho adaptado em Arraial do Cabo

Gustavo, Will e eu, ao final do check out. O sinal é de "OK" viu?
Sabe aquela expressão "aos 45 do segundo tempo?" Foi assim meu check out, ou batismo, do curso de mergulho adaptado que fiz no início de outubro. Este batismo é necessário para concluir o curso e receber a certificação da HSA, que regulamenta o mergulho adaptado. É necessário que seja em águas abertas, conhecido popularmente em Minas por "marzão". E foi aos "45 do segundo tempo" porque no dia seguinte ao check out estava marcada minha viagem para Fernando de Noronha. E eu precisava da certificação para aproveitar bem os mergulhos em Noronha. Dividimos a turma ao meio, pois só há duas pousadas em Arraial do Cabo que tem dois quartos adaptados cada uma. Gilberto e Múcio ficaram na maior, Varandas ao Mar, e eu e Gustavo fomos para a Pousada Pilar. É uma pousada pequena, apenas oito quartos (e ainda assim dois adaptados!), mas bem charmosa, com belíssima decoração, bem próxima do porto, de onde saem os barcos de mergulhadores. Falarei dela em outro post.
Na estrada, depois de trânsito e chuva, consegui andar bem.
Como eu trabalharia até o dia 1º de novembro, precisaria fazer o check out nos dias 2 e 3, para então viajar para Fernando de Noronha no dia 4. Tudo bem, dava tempo, mas o detalhe é que Arraial do Cabo, no estado do Rio, fica a 600 km de BH! E a única opção seria ir de carro, dirigindo sozinho o tempo todo (a Gi não "curte" estrada). Mas topei o desafio, trabalhei na parte da manhã, saí às 16hs, peguei a Gi, abasteci o carro, e saímos de BH às 16:30. Pela previsão do GPS, levaria 7 horas para chegar lá, só que o GPS não me contou que haveria chuva e trânsito no caminho... Mesmo assim, aproveitando os trechos "bons" da BR 040 e de algumas estradas no Rio, cheguei em Arraial do Cabo exatamente às 00:00hs, na frente da pousada, que na minha cabeça era "Varandas ao Mar". Tocamos na recepção, entrei com o carro na garagem, a Gi tirou a cadeira, pegou uma das malas, fomos para a recepção, e todo mundo olhava pra gente com cara de surpresa. Enquanto procuravam a reserva inexistente, a Gi preenchia a ficha e eu conferia o e-mail da Daniela da Mar a Mar, quando cai em mim e percebi a confusão. Quase apanhei da Gi, que teve que guardar mala, cadeira, e tocamos para a pousada certa. 
Cadeirante a bordo!!
Desfeita a confusão, chegamos, desembarcamos, tomamos um banho e fomos dormir por volta de uma e meia. Eu estava exausto, capotei na cama e acordei às sete e meia, tomamos café e fomos encontrar o Will na outra pousada, de onde saímos para o porto. O primeiro desafio foi entrar no barco, pois mesmo ancorado ele se mexe bastante devido às ondulações do mar, mas com jeitinho e três caras ajudando, fui "içado" para dentro do barco. Me posicionei de lado e travei a cadeira, e saímos para o primeiro ponto de mergulho. Assim que o barco parou o William nos deus as primeiras instruções e começou a "luta" para vestir a roupa de neoprene. Assim como na piscina, a melhor forma de vestir é deitado no chão do barco, com alguns ajudantes para agilizar. 
Murchando a barriga para colocar o cinto de lastro.
Depois vem o cinto de lastro, bem apertado na barriga para não descer, e o equipamento, colete com cilindro e regulador, tudo bem fixado e apertado. Coloca-se a máscara e snorkel e é só cair na água! Ou ser jogado, sei lá... A gente fica bem na beirada do barco, põe o regulador na boca e a mão na máscara, e cai na água já virando para ficar com o rosto para cima. Estando tudo ok, fazemos o sinal para o barco e para os colegas de mergulho. Mais algumas instruções do Will, e fazemos o sinal de "afundar", com o dedão para baixo. A primeira dificuldade que encontramos é estabilizar as pernas na descida. Como não controlamos, é necessário descer devagar, mantendo o tronco ereto, evitando que as pernas subam muito e causem uma "cambalhota". Ao atingir uma boa profundidade, o instrutor faz o comando para virar de peito para baixo, e iniciar o mergulho. Neste check out, fizemos vários exercícios e simulações, para ver se estamos aptos às possíveis situações que podemos encontrar em um mergulho. Outro desafio é manter a flutuabilidade, sem ficar afundando ou subindo demais. Uma vez dominada esta técnica, nosso trabalho é nadar utilizando somente as mãos, sem encostar na vida marinha.
Ao fim do curso ganhamos uma "chuva de champagne"!
Depois de "passar" nos exercícios, a gente pode curtir um pouco o visual. Dei muita sorte nas mergulhos que fiz, logo de cara nos deparamos com uma tartaruga, nadando tranquila, consegui seguir ela um pouco. Depois vi moréia, estrelas do mar, diversos peixes e outra tartaruga, que estava comendo alguma coisa no fundo. Fui em direção a ela e filmei um tempão ela se alimentando. A água é muito fria naquela região, na saída da água é importante nos aquecer bem. Saí da água e aguardei o tempo necessário para voltar a mergulhar - é importante dar um tempo entre um mergulho e outro, isso a gente também aprende no curso. Há até uma tabela que mostra o tempo mínimo entre um mergulho e outro.
Ao final de dois dias de mergulhos, tudo OK!
No domingo saímos cedo novamente, fizemos mais exercícios, vimos mais animais, corais, esponjas e peixes, e ainda deu para curtir um pouco o balanço das ondas e o sol na proa do barco. Depois dessa maratona, almoçamos, fechamos a pousada, preparamos o carro e caímos na estrada de novo. Mais 600 km até BH, sete horas e meia, e finalmente, caminha de casa! Para dormir um pouco antes de sair para o aeroporto de Confins, pegar quase cinco horas de vôo, troca de avião, e enfim, Fernando de Noronha! Foi muito legal voltar a ver de perto este mundo tão diferente do nosso! O Will realmente é um tremendo instrutor, mandou tão bem no mar quanto na piscina. Fiz muitos vídeos, mas não tive tempo para editar. Nos próximos posts vou contar sobre a experiência de mergulhar em Noronha!

UPDATE: Confundi os mergulhos, o tubarão lixa eu vi foi em Noronha! É que um foi dois dias depois do outro, dá um desconto... rsrs
Vejam abaixo o depoimento do Gilberto Porta, que fez o check out com o Múcio, nos dias 31 e 1.
http://www.bhlegal.net/blog/mergulho-adaptado-em-aguas-abertas/

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Surf adaptado na pororoca

André arrepiando nas ondas - Foto: arquivo pessoal
O título ficou com dupla interpretação, mas pororoca não é o que você está pensando, é só o fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. A mais famosa é do Rio Amazonas, muitos surfistas vão para lá se aventurar. E não é que um cadeirante do Rio, o André, conhecido como Andrezinho Carioca, cismou de surfar estas ondas? Corajoso o cara!
Ele conheceu o surf adaptado no Rio de Janeiro, onde mora, e se apaixonou pelo esporte. E logo já se impôs um desafio: surfar na pororoca! Muita coragem dele, a pororoca é uma onda interminável, dura vários minutos, e pode ser bem traiçoeira.
Me identifiquei muito com o André em algumas coisas, como o bom humor, o otimismo e a superação da condição física. Logo após o acidente ele já comentou com a mãe que a sequela que ele iria carregar seria "virar atleta paralímpico". Mais fácil do que contar em detalhes a história do André é ver os vídeos dele, vejam abaixo.

domingo, 20 de outubro de 2013

Tiro com Arco Paralímpico

7º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco Paralímpico
Mês passado, estava eu na sala de espera de um médico e chegou uma cadeirante, muito bonita e simpática. Comecei a conversar com ela sobre modelos de cadeiras de rodas, e ela disse que foi em uma feira na Alemanha parecida com a Reatech, chamada RehaCare, que geralmente acontece no fim do mês de setembro. É uma ótima oportunidade para conhecer o que há de melhor no mundo em tecnologia assistiva. Boa dica para quem pretende ir à Europa. Trocamos contatos e nos adicionamos no Facebook.
Anne atirando no Capeonato Brasileiro
Há alguns dias vi fotos dela praticando tiro com arco, uma modalidade paralímpica que tem poucos adeptos no Brasil. Nas fotos ela estava participando do 7º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco Paralímpico, que aconteceu aqui em Belo Horizonte nos dias 9 a 13 de outubro. Tiro com Arco é o nome correto do esporte, que a maioria das pessoas conhece como Arco e Flecha. É um esporte que demanda concentração, disciplina e postura, além de uma técnica bem apurada, e é um dos mais antigos esportes olímpicos.
Área para treinos e competições da Federação Mineira
A iniciativa de buscar o esporte foi da Anne, ela presenciou atletas praticando em Londres e aqui em Belo Horizonte entrou em contato com a Federação Mineira de Arco e Flecha, e o Evandro Azevedo, um dos instrutores credenciados, topou o desafio de treiná-la e hoje ela é a única mulher cadeirante credenciada em todo o Brasil! Em apenas três meses ela já participou do campeonato brasileiro e fez uma excelente pontuação. Mesmo sendo a única mulher, e obviamente ficando em primeiro lugar, ela seria segunda colocada se competisse com os homens. Parabéns Anne!
Testei minha mira no tiro com arco, achei bem divertido.
Os treinos acontecem ao lado do Mineirinho, na Pampulha, onde eles tem duas grandes áreas com a estrutura necessária para a prática do esporte. Há rampas para circular de cadeira, mas há um pequeno trecho de grama para chegar à área de treinos. Nada muito complicado para rodar, a grama é bem cortada. Eu também dei alguns "tiros" com o arco, e descobri que é bem mais difícil do que parece. À primeira vista, parece fácil esticar o arco, mirar e soltar a flecha, mas não é simples não. Para quem tem uma lesão medular então, é ainda mais complicado. E é aí que está uma das vantagens do esporte para nós, a necessidade de manter o corpo estável e equilibrado na preparação da flecha e na mira. Isto exige que a gente utilize toda musculatura existente de abdômen e quadril. Na ausência desta musculatura, é preciso compensar como puder. A Anne me mostrou uma técnica para "armar" o arco levantando-o para o alto antes de puxar a corda. Desta forma é possível conseguir um equilíbrio. Quem me instruiu foi o Denis, ele explicou os fundamentos básicos do esporte e o que um cadeirante precisa fazer para praticar. Ele tem muita didática e paciência, explica muito bem.
Momento em que a flecha saiu do arco... em direção ao céu!
Senti dificuldade em manter o corpo estável ao mesmo tempo em que segurava o arco e ainda precisava mirar. E deve ser bem por aí o treinamento, segurar o corpo, manter a respiração e focar no alvo. Gostei bastante da experiência, achei divertido, apesar de não ter acertado nenhuma flecha no alvo. Já tive uma pistola de chumbinho e treinava com alvo há muitos anos. Quem tiver interesse, pode procurar o pessoal lá no Mineirinho, os treinamentos são às terças e quintas pela manhã e à tarde, e nos finais de semana. Para mais informações, entrem no site da Federação Mineira (www.arcoeflecha.org.br) ou liguem para (31) 9362-7473, com Viviane. Tem ainda a página da Federação no Facebook. Obrigado à Anne e ao Denis pela introdução ao esporte!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Curso de Mergulho Adaptado

Primeira turma de mergulho adaptado de Minas Gerais
No final dos anos 90, pouco depois que me formei em Viçosa, vim para BH, e, ao fazer um curso em uma faculdade daqui, fui convidado para fazer um trabalho de organização administrativa na Mar a Mar, uma empresa de cursos e material de mergulho, onde fui muito bem acolhido e fiz bons amigos. Desde então tive a oportunidade de conhecer de perto o mundo do mergulho autônomo, aquele com uso de cilindro de ar. Fiz algumas aulas nos momentos de folga mas não concluí o curso e não tirei a certificação, pois fui chamado para trabalhar no interior de Minas poucos meses depois. 
Quando sofri o acidente de moto que me deixou paraplégico, estava morando em Florianópolis. Uma das vantagens de morar naquele paraíso, cheio de belas praias e ilhas, era poder praticar o mergulho livre, com uso de máscara e respirador (ou snorkel), com mais frequência. Na época, conheci a cidade de Bombinhas, um balneário famoso pelos belos pontos de mergulho, um ponto de encontro de mergulhadores de todo o Brasil, o que voltou a despertar meu interesse pela atividade. Mas como o mestrado me tomava muito tempo, fui adiando o mergulho autônomo.
Aprendendo sobre o equipamento
Já cadeirante, após aquele período inicial de adaptação, voltei a fazer as atividades que sempre curti, voltei a pedalar com uma handbike, saltei de parapente, sempre buscando novas aventuras, e eis que no ano passado, em uma rede social (odeio quando alguém fala assim, foi no Facebook mesmo), a Adriana Buzelin, uma tetraplégica mineira, comentou que queria fazer um curso de mergulho adaptado e deu a ideia de montarmos um aqui em BH, pois só havia em SP. Muita gente opinou, eu disse que animava, que ajudaria a montar a turma, mas como a coisa não andou ela desistiu e partiu para São Paulo para fazer o curso lá, se tornando assim a primeira mineira credenciada pela HSA - Handicapped Scuba Association, a entidade que regula os cursos de mergulho para deficientes. 
Vestir a roupa de neoprene é bem difícil, só com ajuda
Pensei em fazer o mesmo, ainda mais que meus irmãos moram em São Paulo, mas como ainda tinha esperança de trazer esse curso para BH, fui até a Mar a Mar conversar com a Paula, proprietária, sobre essa possibilidade, e ela, depois de refeita do susto de me ver em uma cadeira de rodas, topou imediatamente o desafio, apesar da estrutura da empresa não prever acesso para cadeirantes. Demos uma rodada por lá e descobrimos que o banheiro da loja poderia ser adequado, invertendo a porta, e que as aulas poderiam ser dadas em uma salinha usada como oficina. O acesso à piscina seria feito pela lateral, onde há uma boa rampa. Paula mandou arrumar tudo, e fiquei por conta de conseguir os alunos.
Não foi fácil juntar a turma, tentei marcar uma vez, chamando algumas pessoas que tinham interesse, mas ninguém deu certeza, e em um encontro com um amigo, me lembrei que ele era mergulhador antes de ser cadeirante, e o chamei para o curso. Depois de trocar muita ideia com mais dois amigos pela internet, conseguimos fechar a turma! Na verdade a turma ficou maior do que eu imaginava, só tinha três confirmados e apareceram mais dois! Fechamos com cinco, eu, Gustavo, Gil Porta, Múcio e Brisa, esta última é repórter da Rede Minas e fez uma grande matéria para o quadro Ação Ilimitada, dentro do programa Mais Ação.
No curso a gente aprende os detalhes do mergulho autônomo voltado para deficientes, além de toda teoria da certificação básica da PADI. Aprendemos a manusear o equipamento, a manter o corpo flutuando, a nos comunicar embaixo d'água, e ainda como compensar a falta das pernas e como agir em alguma emergência. Foram quatro dias de teoria, no nosso caso foi na parte da manhã, e quatro dias de mergulho na piscina. Como o mergulho deve ser feito individualmente, dividimos o horário para que todos pudessem ficar pelo menus uma hora e meia na água. Foi muito bom voltar a sentir o corpo todo submerso, sem pontos de pressão, e sem limitações. Isto é o principal, já que um cadeirante está acostumado a encontrar obstáculos todos os dias, desde que levanta, e debaixo da água tudo isso some, a locomoção é fácil e não tem degrau ou buraco que nos impeça de "andar". O William Spinetti, instrutor da HSA que veio nos dar o curso, é um excelente profissional, com muita paciência ensinou a todos com as melhores técnicas e deu um show nas aulas, tanto teóricas quanto práticas. Agradeço aqui publicamente por ter vindo e nos ensinado com tanta dedicação. E também aos demais instrutores da Mar a Mar, que nos ajudaram bastante no aprendizado. E especialmente à Paula, que viabilizou o curso e tratou a todos com muito carinho.
Debaixo d'água que nem um peixe... sem nadadeiras traseiras!
Mas para mim, pessoalmente, a maior vantagem do mergulho adaptado é a possibilidade de fazer uma atividade recreativa, divertida e interessante sem ficar acabado ao final. Muito pelo contrário, o mergulho só me faz bem! Eu já vinha fazendo hidroterapia para controle da dor, pois a água relaxa o corpo e, sem a constante pressão da cadeira, a tendência é a dor sumir. E foi o que aconteceu! Eu saia das aulas de piscina totalmente relaxado e sem dores.
O mergulho é muito prazeroso, e apesar de não podermos contar com as pernas para ajudar a nadar, não cansa muito, pois o correto é nadar vagarosamente, admirando a vida marinha. É uma atividade de contemplação, quanto mais a pessoa "viajar" no ambiente, na experiência, melhor. Agora o próximo passo é fazer o "Check Out", ou batismo, no mar. Já estou de viagem marcada para Fernando de Noronha em novembro. Vou contar tudo aqui!
Sempre defendi aqui no blog que os cadeirantes podem fazer tudo que tem vontade, devem buscar realizar seus sonhos e desejos, independente do que seja, pois com adaptações, é possível fazer de tudo. E sempre defendi também que cadeirantes devem fazer esportes, atividades físicas e de lazer. E o mergulho é tudo isso junto!

Vejam o vídeo que o instrutor William Spinetti fez sobre o curso:

Abaixo link para matéria veiculada no MG TV da Rede Globo.
http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/grupo-de-cadeirantes-aprende-tecnicas-de-mergulho-em-belo-horizonte/2870481/
Não deixem de ler a excelente matéria do Gil Porta, um dos alunos do curso:
http://www.bhlegal.net/blog/mergulho-adaptado/

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Desafio Intermodal

Melhor modal para cadeirante!
Todo ano acontece nas principais capitais do país o Desafio Intermodal, que apesar do nome complicado, nada mais é do que avaliar qual a maneira mais rápida, econômica e prática para se deslocar em um grande centro urbano. O deslocamento é realizado por voluntários em diferentes modais de transporte, individuais ou coletivos, motorizados ou não, que saem de um ponto de encontro combinado e vão até um determinado ponto na cidade, cada um com as facilidades e dificuldades de seu meio de transporte.
E esse ano fui convidado para participar. Pela primeira vez em BH chamaram um cadeirante, a ideia era perceber a diferença que a cadeira de rodas traria para o deslocamento, e qual alternativa um cadeirante tem para se locomover na cidade. Como a escolha era livre, optei pelo triciclo elétrico, que é um pouco mais largo que uma moto, tem boa autonomia da bateria, roda bem pelo asfalto e por ciclovias, e ainda pode pegar atalhos. O trajeto também era livre, e as pessoas podiam fazer uso de GPS.
Alguns participantes do Desafio Intermodal
O ponto de encontro escolhido foi a Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, e os voluntários chegaram por volta das 18 hs, já que o horário de partida definido foi 18:15. A Poliana foi a responsável por checar se todos estavam presentes e monitorou a largada oficial. Tudo foi coberto pela Rede Minas de televisão, que filmou o pessoal saindo e foi até a chegada entrevistar o pessoal. Saímos pontualmente na hora programada e nos primeiros quilômetros acompanhei as bicicletas, depois uma delas sumiu na minha frente, e as outras ficaram para trás.
O trânsito estava tranquilo no início, mas quando chegou próximo à Via Expressa, o bicho pegou. Mas como o triciclo é tão estreito quanto uma moto com baú, consegui me enfiar nos corredores entre os carros e deixei todo o trânsito para trás. E ainda pude atravessar as avenidas com segurança e utilizar as ciclovias quando valia a pena.
Resultado final do Desafio Intermodal 2013
Trinta e um minutos depois de sair, cheguei ao ponto final combinado. Ainda perdi uns dois minutos na chegada, pois não lembrava onde era a portaria principal da PUC e fiquei parado na secundária, aí me toquei e continuei até o final. Fiquei quatro minutos atrás da moto. Mas o que surpreendeu mesmo foi o primeiro lugar, um atleta de ciclismo. Mais impressionante foi ele ter ficado longos sete minutos na frente do motociclista! Bicicleta é um excelente alternativa de locomoção, é um ótimo exercício e é prazeroso!
Só que, para cadeirante, handike não é uma alternativa legal no meio do trânsito. Primeiro, porque é baixinha, mesmo sinalizada, corre-se o risco de passarem por cima...  Segundo, porque é osso subir morro com uma handbike, e morro é o que não falta em BH. Andar de cadeira motorizada na cidade também é arriscado, já que não dá para andar em todas as calçadas, que tem árvores, degraus, buracos, muito menos nas ruas, pois corre-se o risco de também ser atropelado. A solução então é o triciclo elétrico! Como provado no desafio, é seguro, rápido e prático! Além de ecológico!!

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...