quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Acessibilidade e Cidadania

Até meu chefe foi prestigiar a palestra
Nessa semana está ocorrendo no BDMG, onde trabalho, a SIPAT, Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho, e fui convidado pela CIPA, da qual faço parte, para dar uma palestra sobre acessibilidade, abordando as necessidades que as pessoas com mobilidade reduzida tem e as dificuldades que encontramos na cidade. Além disso, procurei falar sobre uma solução simples para um problema de acessibilidade que encontramos demais pelas cidades: na maior parte dos lugares há um ou dois degraus que impedem nosso acesso, e a construção de uma rampa móvel pode resolver. Claro que acessibilidade não é só uma rampa na porta. Mas já é um começo.
O problema da acessibilidade é uma questão cultural, pois as pessoas não têm o hábito de imaginar que os locais possam ser utilizados por pessoas em cadeiras de rodas ou com problemas de mobilidade, e geralmente privilegiam a outras características, como diferenciação, beleza, design, e outros atributos. O fato é que as pessoas só começam a pensar em acessibilidade quando há alguma necessidade própria ou de algum parente ou amigo.
O assunto gerou discussão e cometários positivos
Na minha opinião, o maior problema é a falta de bom senso, tanto de comerciantes como de proprietários de imóveis, que podem, com criatividade, aliar tudo que necessitam à acessibilidade, conseguindo assim um atributo ainda mais importante em seus imóveis: democracia!
Abaixo o vídeo que preparei para a palestra, complementando uma apresentação em power point.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Deficiente é obrigado a votar?

Apesar dos políticos... vale a pena votar
Nessa semana um leitor do blog me deu a ideia de falar sobre a obrigatoriedade ou não dos deficientes votarem. Pesquisei um pouco e descobri que a resposta à pergunta acima é: sim e não. O deficiente, a priori, é obrigado a votar, mas pode pedir a dispensa, desde que fundamentada. Ou seja, no fim das contas, é facultativo, já que ele pode pedir para deixar de votar. E fiquei sabendo que, na prática, basta informar qual é a deficiência e pedir a dispensa, nem precisa fundamentar tanto.
Nos termos da resolução 21.920 art. 1º, a regra é que o Deficiente físico é obrigado a alistar-se e também ao ato de votar. Porém, no parágrafo único do art. 1º existe uma exceção: "Parágrafo único. Não estará sujeita a sanção a pessoa portadora de deficiência que torne impossível ou demasiadamente oneroso o cumprimento das obrigações eleitorais, relativas ao alistamento e ao exercício do voto."
Se o eleitor enquadrar-se nesse contexto ele deve proceder ao que prescreve o art. 2º:
"Art. 2º O juiz eleitoral, mediante requerimento de cidadão nas condições do parágrafo único do art. 1º ou de seu representante legal ou procurador devidamente constituído, acompanhado de documentação comprobatória da deficiência, poderá expedir, em favor do interessado, certidão de quitação eleitoral, com prazo de validade indeterminado.
A Resolução do TSE nº 21.920/2004 não impede o portador de deficiência de exercer o direito de votar, antes, faculta-lhe o de requerer, motivadamente, a dispensa da obrigação, dadas as peculiaridades de sua situação.
Portanto, de acordo com o TSE, o deficiente físico não é obrigado a votar. O Tribunal Superior Eleitoral aprovou a formulação desenvolvida pelo ministro Gilmar Mendes, uma vez que a Constituição Federal de 1988 não cuidou do assunto. A resposta do TSE foi dada à uma consulta feita pela Corregedoria Regional Eleitoral do Espírito Santo.
O ministro Gilmar Mendes defendeu a “facultatividade do alistamento e do voto aos cidadãos que apresentem deficiência que impossibilite ou torne extremamente oneroso o exercício de suas obrigações eleitorais”. Ele ressaltou que a Constituição Federal “nada diz sobre os inválidos” nessa questão eleitoral. Os ministros do TSE acolheram a formulação feita por Gilmar Mendes.
Apesar de ser desanimador pensar em escolher políticos no Brasil, é a única forma de participarmos do processo de escolha dos dirigentes do nosso país. Eu particularmente adoro votar, acho muito importante e recomendo. Já fui até mesário, por dois anos consecutivos em um colégio estadual aqui em Belo Horizonte. No último ano (geralmente te convocam por três anos) eu sofri um acidente de bicicleta e quebrei o maxilar uma semana antes, aí não compareci (depois justifiquei, claro). E para verem como eu gostava, geralmente as eleições caíam no meu aniversário (01/10), pois é no primeiro domingo de outubro, e ainda assim eu passava o dia todo lá.
Encontrei uma cartilha interessante da Prefeitura de São Paulo sobre o assunto, vale a pena ler, clicando aqui.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

NBR 9050 em revisão

A norma brasileira de acessibilidade, que tem o código NBR 9050, está em revisão. E para tornar o processo mais democrático, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) abriu uma consulta pública nacional, para que todos possam enviar sugestões e dicas de como tornar a norma mais eficiente, acrescentando aí experiências e ideias de pessoas interessadas ou enviolvidas com a acessibilidade.
E se tem gente que pode falar sobre isso somos nós, cadeirantes e deficientes em geral que usam cadeiras de rodas ou outros aparelhos para se locomover, como muletas, bengalas ou andadores.
A nova norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vai ditar como as edificações deverão ser construídas e reformadas para permitir a promoção do Desenho Universal, visando à participação de todos, sem discriminação.
Durante os próximos dois meses, todas as pessoas, com ou sem deficiência, profissionais e demais interessados, poderão acessar seu conteúdo e enviar considerações do que precisa ser alterado, acrescido ou suprimido.
Todas as sugestões serão avaliadas e compiladas pelo grupo que organiza a elaboração da norma e serão apresentadas em nova reunião aberta a todos.
Além da NBR 9050, outras duas normas estão em consulta simultaneamente: a norma sobre sinalização tátil de piso e sobre acessibilidade em estádios.
Para ver os textos propostos para a norma basta clicar no link a seguir:
As normas de acessibilidade fazem parte do CB-40. Para acessar o texto (visualizar, imprimir e gravar) é preciso fazer um login de acesso (passaporte) no site da ABNT. Depois esse passaporte será necessário para mandar suas considerações.
Para mais informações entre em contato pelo e-mail consultanacional@abnt.org.br.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Vagas para deficientes em BH

Oportunidades para vários níveis
O Projeto Oportunidades Especiais estará com um estande montado no Shopping Cidade, entre os dias 15 e 30 de setembro, para cadastrar currículos de pessoas com deficiência. 

Os futuros profissionais poderão concorrer às vagas ofertadas pelas empresas participantes do projeto como: Banco Mercantil, Sotreq entre outras. 
O objetivo do projeto é beneficiar pessoas com deficiência, propiciando um ambiente de acesso a um grande número de ofertas de emprego e uma futura inclusão no mercado de trabalho. Há vagas em diferentes áreas de atuação e para todos os níveis de escolaridade (ensino médio, técnico e superior). 
Ao final da etapa, os currículos serão encaminhados para as empresas que farão os seus processos seletivos de acordo com o perfil de cada profissional. 
As pessoas que se cadastrarem receberão, gratuitamente, cursos de aperfeiçoamento na área de informática (Word, Powerpoint, Excel, entre outros).


Local do Projeto
Shopping Cidade (Rua Tupis, 337 - Centro  Belo Horizonte - MG)

domingo, 2 de setembro de 2012

Triciclo elétrico rebocando cadeira de rodas

Solução para o Tribike!
Quando conheci o Tribike, da Electrobike, percebi que era um produto inovador que resolve um grande problema dos cadeirantes que utilizam ou tem vontade de utilizar uma cadeira motorizada: ele trafega no trânsito com facilidade e segurança, já que tem rodas maiores do que as cadeiras motorizadas convencionais, além de contar com setas, farol alto e baixo, acelerador manual, buzina, luz de freio, e os principais equipamentos que as motocicletas possuem.
Porém, por ter mais vocação para as ruas, é um pouco inadequado para lugares fechados, como bancos, supermercados e comércio em geral, apesar de ser perfeitamente possível, e há relatos de pessoas que usam em todos esses lugares sem problemas, já que, no fim das contas, trata-se de uma cadeira motorizada com cara de scooter. Mesmo sendo possível, acho que em um lugar mais fechado é complicado, pois ela é um pouco maior do que as cadeiras comuns.
Mosquetões de escalada
Para resolver este problema, pensei em uma forma de rebocar a cadeira de rodas no Tribike, para que eu pudesse passar para ela e entrar onde quiser (ou melhor, onde for acessível). Como recebi um modelo do Tribike com para-choques, imaginei uma forma de travar a cadeira de rodas nele de forma que suspendesse as rodas dianteiras, assim não corre o risco delas baterem em algum lugar ou trepidarem excessivamente. Percebi que o pedal da cadeira encaixa perfeitamente sobre o para-choques, então foi só buscar um "elo" para uní-los. Aí me lembrei dos mosquetões, que são elos utilizados em escalada para travar os ganchos e cordas que seguram o escalador.
Cadeira travada no para-choque do Tribike
Pesquisando, descobri que há uma loja de produtos de esportes de aventura pertinho da minha casa, a Nerea, e fui lá buscar o modelo ideal. Quem me atendeu foi o Bruno, e assim que expliquei minha ideia ele curtiu o negócio, e trouxe alguns modelos para eu escolher. Peguei os maiores, pois seria preciso passar pelos tubos da cadeira e do para-choques, cada um custou trinta e oito reais. E não é que deu certo? 
Para engatar a cadeira no Tribike é muito simples, basta se virar no assento, posicionar a cadeira sobre o para-choque e travar um mosquetão do lado esquerdo da cadeira. Depois, é só travar do lado direito e pronto! Aí é só sair acelerando! O mosquetão é dotado de um mecanismo de segurança e pode ser travado  para evitar que se abra sozinho. Como há um pouco de folga, nas curvas a cadeira de rodas gira um pouco, mas se a curva for muito fechada, ela quica um pouco. Mas isso não causa nenhum perigo, pois ela é travada dos dois lados. Fiz dois vídeos, o de cima mostra como engato a cadeira no triciclo e o outro era para mostrar o processo inverso, mas o Daniel, meu amigo "cameraman", finalizou a filmagem antes da hora, e eu só fui conferir o filme todo em casa. Quando der, faço outro.
O pessoal da Nerea gostou tanto da ideia que estamos fechando uma parceria, e me informaram que há uma trilha que está sendo adaptada para cadeiras de rodas, que vou conhecer assim que possível.
E quem tem interesse no Tribike, eu represento ele em BH e região, veja como comprar clicando aqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Box

Estava me sentindo o Myke Tyson!
Mais uma novidade na Aquafisiobh: na nova sala de atendimento há um saco de pancadas e luvas de box! Eu treinei um pouco lá e adorei a atividade. Nela são trabalhados os músculos do abdomen, para segurar o corpo quando a gente investe contra o saco, além dos braços e outros músculos do tronco.
Mas o mais legal é a diversão, bater, esperar o saco voltar e acertar ele novamente com a outra mão, ou então desviar. É um pouco mais difícil, pois não dá para sair muito da frente dele, teria que pegar no aro da cadeira, e com a luva de box não dá. Mas com o posicionamento certo da cadeira, é possível usar o jogo de tronco para desviar, o que acaba sendo um exercício a mais, que ajuda no fortalecimento do tronco. Claro que não consegui escapar de todas as "investidas" do saco e tomei umas "sacadas" no ombro e na cabeça, mas não machuca, pois o saco é macio, e eu ri muito.
Preparando para desviar.... ou tomar uma "sacada"
Este é mais um exercício inusitado, porém importante para auxiliar na manutenção e ganho de força para lesados medulares. E a diversão vem de brinde!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Evac Chair

Evac Chair guardada
Se eu contasse aqui que eu desci quatro andares pela escada ontem, pouca gente ia acreditar. Se eu disser que uma pessoa ajudou, a história ficaria mais convincente. Mas se eu disser que eu não estava na minha cadeira de rodas, vou ser trucado de novo. Para me carregar nas costas, o cara deve ser no mínimo halterofilista (não sou tão gordo, mas sou grande e peso noventa quilos). Bem, para acabar com o mistério, eis o que permitiu minha descida escada abaixo: a Evac Chair.
Preparando a Evac Chair
Mas o que seria a tal da Evac Chair? Pelo nome, dá para saber que é uma espécie de cadeira (chair), provavelmente para... evacuar? Sim, mas não a evacuação que você está pensando. É para evacuação de pessoas com mobilidade reduzida de algum lugar que esteja em uma situação de emergência (como um incêndio) em que não possam ser usados os elevadores. Serve também para uma pessoa que esteja passando mal ou desmaiada.
Transferindo para a Evac Chair
A Evac Chair utiliza uma espécie de mini esteira embaixo para deslizar sobre as escadas com pouco esforço. Ela é capaz de transportar pessoas de até 135 kg com ajuda de somente uma pessoa (que seja um pouco forte se o "passageiro" for pesado). Para treinar os novos componentes da brigada de incêndio do BDMG, onde trabalho, foi realizado um treinamento, e pegaram logo o cadeirante mais complicado do prédio para judiar do povo: eu. Complicado por causa do tamanho e do peso, já que no que dá eu ajudo.
Pronto para descer com as charmosas brigadistas do andar
É um pouco complicado passar para ela. Ela montada, com as rodas traseiras no chão, é mais alta do que a cadeira de rodas, mas como o assento é "fundo", o cadeirante corre o risco de "cair" de uma vez e levar um tranco. O ideal é uma pessoa segurar a cadeira a noventa graus para que o cadeirante possa se apoiar nela e passar lentamente até que consiga escorregar o corpo até o assento. Não é a coisa mais confortável do mundo ficar com as pernas meio para cima e balangando no ar, mas dá para aguentar. O problema que encontrei foi devido ao meu tamanho, minhas pernas são muito grandes e o assento pega bem no meio delas, o que me deixou com um pouco de dor.
Descendo as escadas com o Evac Chair
A descida das escadas não é tão macia quanto ela promete. A cada degrau a pessoa leva um tranco que, dependendo de quem conduz, pode ser bem incômodo. Mas depois que se pega a manha, a descida fica mais suave. Ao final do lance de escadas, é necessário elevar o Evac Chair até encontrar um tal de "ponto de equilíbrio" que os operadores tiveram um pouco de dificuldade, já que ele se apoia somente em duas rodas. As meninas que são brigadistas no andar em que trabalho tiveram um pouco de dificuldade, mas acabaram pegando o jeito.
No fim das contas, o objetivo do equipamento não é ser confortável, nem macio, e sim possibilitar o transporte de pessoas com problemas por uma escada com o menor esforço possível. E isso ele cumpre. Se a empresa em que você trabalha não possui esse equipamento, faça a sugestão. Mais informações no site do fabricante (que é brasileiro): www.evacchair.com.br.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...