terça-feira, 5 de junho de 2012

Transferindo para o avião

Precisava ser tão apertadinho?
Outro transtorno que cadeirante costuma passar em viagens é a transferência da cadeira para o avião. Primeiro, porque em grande parte das aeronaves a cadeira mal chega perto da poltrona, e mesmo quando chega, entra só a ponta da cadeira e no sentido contrário da poltrona. Segundo, porque o que se percebe é que não há um treinamento padrão para os comissários de bordo e todos até hoje se mostraram indecisos e questionadores neste processo. Portanto vou contar aqui a técnica que uso para fazer essa transferência com ajuda, que é a forma mais segura. Tem como fazer sozinho, já fiz algumas vezes, mas prefiro a assistida mesmo.
Fiz também um vídeo para exemplificar o processo. Na verdade fiz quatro vídeos, dois entrando e dois saindo, mas os dois entrando ficaram ruins, já que minha aprendiz de "camerawoman", não conseguiu um ângulo legal e o auxiliar da Gol entrou na frente dela. Pelo menos tenho dois ângulos do processo. Vou descrevê-lo, e serve para a maior parte das aeronaves em operação interna no Brasil, geralmente da série 737 da Boeing.
Posição que eu adoto ao fazer a transferência
Em primeiro lugar, peço ao comissário (ou outra pessoa que for ajudar) para entrar no corredor do avião na minha frente. Como a cadeira entra só a ponta, depois de uma pequena luta para fazer a curva, procuro deixar um espaço maior entre ela e a poltrona, dando uma pequena ré. Chego o corpo para frente, equilibrando na ponta da cadeira. Em seguida, jogo as duas pernas para o lado em 90 graus com a cadeira e em frente à poltrona do avião, deixando os pés o mais para a frente possível. Aí peço ao ajudante para pegar por baixo dos meus braços (no sovaco mesmo) e me ajudar a fazer a virada.
Os maiores cuidados a serem tomados são: a firmeza com que a pessoa te pega, pois o espaço é reduzido e ela tem que ter força suficiente para te carregar; o braço da poltrona, como geralmente não é móvel (grande falha, só em aviões maiores eu já vi), você tem que passar por cima dele. E ele é pontudo, pode te machucar no caminho ou até prender na sua calça e provocar um acidente maior. Se houver outra pessoa disponível para ajudar, ela pode prestar atenção neste local e ajudar protegendo com a mão ou mantendo o corpo longe dali. Além disso, deve-se ter cuidado para os pés não girarem demais ou agarrarem em algum lugar. Para evitar, o bom é já apontar os pés na direção da janela, e ao sentar girar eles para a frente. Abaixo os vídeos que fiz passando da poltrona do avião para a cadeira de rodas. Para o processo inverso, é só imaginar o vídeo de tráz pra frente, colocando as pernas primeiro, e depois girando o corpo.
Com essas dicas e um pouco de sorte, dá para transferir com segurança para o avião. E viajar sem susto!

sábado, 2 de junho de 2012

Ghost

Acelerador manual Ghost
Ghost - Do outro lado da vida... Quem tem mais de 30 anos deve ter se lembrado do clássico filme com Demi Moore (novinha e de cabelos curtos) e o finado Patrick Swaze. Mas não é do filme que estou falando, mas sim de um revolucionário sistema eletrônico de aceleração montado sob o volante, quase imperceptível, que permite que o usuário acelere através de um simples movimento rotativo (horário ou anti-horário), mantendo as mãos no volante. O sistema é uma evolução do acelerador de aro, aquele montado sobre o volante, com a diferença que naquele modelo a gente tem que empurrar o aro contra o volante.
No Fiat 500 ficou um charme o Ghost na mesma cor do volante
E o nome do equipamento se deve à discrição dele sob o volante. Olhando de cima, mal dá para perceber que há um acelerador de volante ali, só se percebe os encaixes no volante. E o funcionamento dele não poderia ser mais simples: basta deslizar os dedos por baixo do volante para um lado ou para o outro para acelerar o carro. Assim como o acelerador de aro, este mecanismo permite acelerar inclusive durante uma curva, o que pode ser muito útil na estrada ou mesmo na cidade em determinadas situações. Ele conta também com um botão de segurança que desativa o sistema, para o caso em que uma pessoa sem deficiência for dirigir o veículo.
Fiz o test drive do Ghost instalado em um Palio Dualogic pela Hélio Adaptações, representante da Guidosimplex no Brasil. Ele é muito fácil de adaptar, aprendi a lidar com ele na primeira curva. A aceleração é precisa e a resposta imediata, já que é eletrônico. Isso ajuda a ter o carro na mão com mais segurança, já que o sistema "analógico" é mais suscetível a falhas. Clique aqui para ver um vídeo muito interessante diretamente do site da Guidosimplex.
O Ghost é encontrado em Belo Horizonte exclusivamente na Hélio Adaptações, que dá garantia e manutenção deste e todos os outros equipamentos da Guidosimplex. Dirigi por pouco tempo, mas já deu para sentir que vale o investimento!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Rio Othon Palace

Entrada do Rio Othon Palace
No último fim de semana tive duas árduas tarefas: ir um casamento no sábado e um aniversário no domingo no Rio de Janeiro.  O drama na hora de um cadeirante viajar é sempre a busca pelo melhor hotel, ou melhor, pelo hotel com quarto bem adaptado, que tenha as medidas adequadas e os equipamentos necessários a uma boa estada.
Costumo procurar hotéis adaptados pelo site Booking.com, que permite selecionar somente hotéis com quarto adaptado depois de escolhida a cidade. Depois que faço a seleção e identifico um hotel bem localizado (mais próximo de onde vou ou de pontos turísticos) e com bom preço, ligo para lá e busco mais informações sobre a estrutura do quarto adaptado focando, principalmente, no banheiro. E nele que são dadas as maiores mancadas pelos hotéis, como o Tryp de Brasília, que me causou um queda.
Fiz a costumeira pesquisa e tive uma grata surpresa. Um hotel cinco estrelas, o Rio Othon Palace, estava com preços promocionais. Mais barato do que hotéis inferiores. Como nunca havia ido lá, liguei para saber como eram as adaptações e se o hotel fornecia cadeira de banho para deficiente. Falei com essas palavras e o atendente me disse que sim, havia cadeira de banho adequada. Sendo assim, reservamos.
A rampa na entrada tem boa inclinação
Fomos no sábado e chegamos no hotel por volta de duas e meia, mas o check-in só poderia ser feito às 15hs. Tudo bem, é regra, mas poderiam abrir uma exceção para um cadeirante quebrado de viagem. Pelo menos o hall do hotel tem sofás confortáveis, apesar de baixos, mas não atrapalha a transferência. Nos chamaram e subimos para o quarto 804.
Essa cadeira NÃO é para cadeirantes
Chegando ao quarto, fui direto para o banheiro conferir a cadeira. E mais uma vez fiquei decepcionado: a cadeira não é adequada para cadeirantes. É uma cadeira para idosos, que podem se levantar e sentar nele, igual ao do hotel de Brasília. Mas como eu estava com a Gi, nem reclamei, pois ela poderia me ajudar nas transferências. Porém, fica a dica, gerentes e proprietários de hotel: essa cadeira NÃO é adequada para cadeirantes. Nós precisamos escorregar a bunda até a cadeira, por isso o braço DEVE ser removível. O correto, correto mesmo, seria e adquirir uma cadeira de banho com rodas grandes, que permitem ao deficiente se locomover sozinho. Outra coisa, o banheiro tem um pequeno degrau, que é facilmente superado com uma cadeira de rodas, mas para aquela cadeira de banho de rodas pequenas, torna-se um empecilho. Desnecessário. Mas fora esses "detalhes", o banheiro conta com muitas barras, chuveirinho e pia vazada.
Duas camas juntas e o interruptor de pedal ao fundo
Mas as decepções não acabaram aí. Tiveram que juntar duas camas de solteiro para dormirmos juntos, pois  não há quarto de casal adaptado. Será que eles pensam que os deficientes sempre andam com um(a) ajudante, e não com o companheiero(a)? Bola fora. Mas o absurdo foi o mesmo encontrado no Tryp de Brasília: a luminária de canto fica muito no canto e o interruptor... é de pedal. Isso mesmo, acende quando a pessoa PISA no interruptor. Será possível que esses caras não percebem que um cadeirante não pisa??
Piscina com uma belíssima vista de Copacabana
Bem vou falar agora das coisas boas. O café da manhã é ótimo, com direito a vista do mar. O terraço, no 30º andar, tem uma bela piscina e uma vista espetacular. A comida do bar da piscina e do restaurante, é divina. Tomar um sol, ou uma cerveja no fim da tarde, é uma delícia! Aproveitamos bastante. Mas só recomendo se eles trocarem a cadeira de banho. E a luminária, claro.

sábado, 19 de maio de 2012

4 Pilastras

Deck do bar e restaurante com vista para as 4 pilastras
Quem morou ou já esteve em Viçosa/MG se identifica na hora com o título do post. As quatro pilastras são colunas de concreto que "separam" a Universidade Federal de Viçosa da cidade. Seguindo pela Avenida PH Rolfs e passando por elas, a gente entra em uma das melhores instituições de ensino do país. E delas para trás, está uma cidade repleta de jovens estudantes, repúblicas, festas e, claro, botecos.
E foi no mais novo bar e restaurante da cidade que homenageou as quatro pilastras adotando este nome. A novidade rendeu uma das maiores mudanças visuais na entrada da universidade desde a construção de duas torres de apartamentos na esquina do lado esquerdo de quem vai. Do lado direito, desde que conheço Viçosa há um posto de gasolina, que já teve várias bandeiras. Esse posto já tinha um bar/restaurante, o Presto Pasta, que serve massas e cerveja gelada.
Em uma grande sacada, o Juliano, que tocou por anos o bar Juca do Gás, construiu um segundo andar no posto e um deck por cima do lava jato, formando uma varanda. Quando cheguei a Viçosa no último fim de semana, fui a este posto e vi a estrutura, mas imaginei que eu jamais conseguiria subir lá, já que há uma grande escada na lateral. Mas à noite saí com a Gi para dar uma volta na cidade e descobri que atrás do bar tinha uma entrada no nível da rua! Não resisti e fomos lá conferir.
Entrada acessível
É preciso subir um morro para chegar lá, mas não há muitos obstáculos no caminho, só uma calçada de pedras no início. A entrada é boa, e logo me deparei com um banheiro para deficientes. E uma curiosidade: ele é compartilhado com o banheiro feminino. Ou seja, se nenhum cadeirante estiver usando, pode ser usado pelas mulheres. Entendi o objetivo, já que o banheiro das mulheres é o que geralmente dá fila, mas não acho legal dividir, pois a necessidade de o banheiro ser separa é evitar a proliferação de bactérias que podem nos prejudicar, já que usamos sonda. Mas se alguma mulher quiser entrar para me ajudar, eu aceito... (brincadeira, viu Gi?). O banheiro ainda está sem barras de apoio, mas o Juliano disse que está acabando de ajeitar e vai colocar.
Banheiro compartilhado
A circulação interna é meio apertada para uma cadeira de rodas, mas com uns poucos pedidos de licença fui passando para chegar à varanda, que ficou muito bacana. A vista é muito bonita, para as quatro pilastras e uma lagoa da universidade. Vai bombar no verão! A cerveja é meio restrita, só servem Heineken e Bavária, mas estava bem gelada e bem servida. E para beliscar, recomendo o Chiken Wings, assas de frango com coxa desossada recheada com bacon. Uma delícia! Continuarei cliente do Juliano, no 4 Pilastras. Muito bom!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tiro em cadeira de rodas

Preparar, apontar, fogo!
- Nossa, será que alguém atirou em um cadeirante?
- Não, caro leitor, na verdade o tiro partiu de um cadeirante.
- Meu Deus, será que é um cadeirante bandido?
- Claro que não, prezado leitor. Imagina se o cara ia se aventurar a ser bandido em uma cadeira de rodas, como é que ele ia atirar e sair correndo?
A verdade é que o título se refere a mais um esporte sobre cadeira de rodas, o tiro esportivo adaptado. E o "esquecimento" da palavra esportivo no título foi para chamar a atenção e jogar um pouco de humor sobre esse assunto sério e importante: esporte adaptado. E a história de hoje vem de longe, lá de Boa Vista, capital de Roraima, no relato do meu amigo Luiz Otávio Seabra, um cara super ativo e animado. Tão animado que resolveu praticar tiro esportivo em cadeira de rodas. E já está participando de competições.
Mexe com ela pra você ver, mexe?
Os cadeirantes de lá ainda estão tentando engatar no esporte, já que não tem patrocínio, mas fecharam uma parceria com uma loja especializada em vendas de armas (caça e pesca, em geral) e seus associados tem descontos na compra das carabinas 4.5 (necessária para a prática do tiro esportivo). Eles estão tentando fechar uma parceria com o clube de tiro para isentar o pagamento da taxa de filiação à associação, que está no valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) anuais. Não há, no momento, patrocínio de outra instituição, mas o objetivo é fechar parcerias com diversas instituições que se interessem em 'comprar' a ideia de apoiar o Esporte Paraolímpico.
O torneio idealizado e organizado pelo Clube de Tiro Tiradentes - CTT foi intitulado de I TORNEIO DE CARABINA DE AR COMPRIMIDO DE RORAIMA, e na programação inicial (eram esperados 100 competidores) estava prevista também a modalidade tiro com carabina de calibre .22, porém, devido à presença em massa dos competidores (por volta de 200 competidores), o presidente tomou a decisão de realizar somente a competição de Carabina de Ar Comprimido.
Luiz Otávio curtindo a liderança na competição
A competição foi mista (homens e mulheres), os cadeirantes participaram com os novatos, que nunca atiraram, e adolescentes. O Luiz Otávio ficou em primeiro lugar na modalidade Tiro Sem Luneta, mas na humildade admite que atirou apoiado enquanto os outros dois participantes, Maria do Carmo e Reginaldo, atiraram sem apoio, dificultando muito mais sua precisão em decorrência do equilíbrio de tronco, pois, além de tentar mirar no alvo eles tinham que sustentar o peso da carabina (que não é leve, em média, uma carabina pesa de 2,5 a 3kg) e manter o equilíbrio de tronco. Na modalidade Paraolímpica participaram três pessoas com deficiência (paraplegia).
O objetivo do pessoal é transformar e desmistificar a mentalidade das pessoas em relação a nós - Pessoas com Deficiência (é essa a intenção com o Esporte Adaptado). Nós podemos fazer tudo, basta querermos, persistirmos e nos dedicar aos nossos objetivos. Lembrando que o esporte é muito benéfico para esse nicho, em especial, pois através dele, é trabalhada também a autoestima das pessoas.
Essa turma aí atira pra todo lado!
Para quem se interessar, algumas informações sobre o esporte:
Apesar de pouco divulgado no Brasil, o tiro esportivo estreou nos Jogos Paraolímpicos de Toronto, em 1976. As disputas acontecem entre homens, mulheres e nos confrontos entre ambos (mistos). No Brasil, a modalidade que é administrada pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), começou a ser praticada em 1997, no Centro de Reabilitação de Polícia Militar do Rio de Janeiro. No ano seguinte, o País foi representado pela primeira vez em um torneio internacional, realizado na cidade espanhola de Santander. Em 2002, o CPB investiu em clínicas da modalidade para sua difusão no Brasil. Os atiradores Carlos Strub, Cillas Viana e Walter Calixto conquistaram a medalha de bronze por equipe no Aberto de Apeldoorn, na Holanda, em 2003. Nos Jogos Paraolímpicos de Pequim (2008), houve a primeira participação de um atleta brasileiro na história dos Jogos com Carlos Garletti. O Comitê de Tiro Esportivo do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) é responsável por administrar a modalidade. As regras das competições têm apenas algumas adaptações. Pessoas amputadas, paraplégicas, tetraplégicas e com outras deficiências locomotoras podem competir tanto no masculino como no feminino.
Olha o estilo do atirador cadeirante!
Classificação:
O tiro utiliza um sistema de classificação funcional que permite que atletas com diferentes tipos de deficiência possam competir juntos, tanto no individual como por equipes. Dependendo das limitações existentes (grau de funcionalidade do tronco, equilíbrio sentado, força muscular, mobilidade de membros superiores e inferiores), e das habilidades que são requeridas no tiro, os atletas são divididos em três classes: SH1, SH2 e SH3. Mas as competições paraolímpicas incluem apenas as classes SH1 e SH2. A diferença básica entre SH1 e SH2 é que atletas da SH2 podem usar suporte especial para a arma, que obedecem às especificações do IPC. Os atletas da SH3 possuem debilitação visual.
A classificação do Tiro é dividida em três classes principais:
SH1: atiradores de pistola e rifle que não requerem suporte para a arma;
SH2: atiradores de rifle que não possuem habilidade para suportar o peso da arma com seus braços e precisam de um suporte para a arma;
SH3: atiradores de Rifle com deficiência visual.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mané e Maria

Seu Mané e Dona Maria
Não, não é assim que eu e Gi somos conhecidos na roça, esse é apenas o nome de um restaurante e cachaçaria que conhecemos aqui em BH no último fim de semana. O Mané e Maria fica na rua Barão de Macaúbas, 111, bairro Santo Antônio. Servem uma deliciosa comida mineira e vendem doces, temperos, cachaça e outros produtos da roça. Tudo de ótima qualidade (a Gi comprou molho de pimenta e de alho, ótimos).
A entrada tem rampa, mas a varanda não
Só que na acessibilidade... deixam um pouco a desejar. Até tiveram boa intenção: a entrada é uma rampa que dá direto no salão principal, e lá dentro há banheiro adaptado. Só que a parte mais legal do restaurante, as varandas, não tem acesso. Como sou teimoso, pedi ao garçom para me ajudar a transpor o mega degrau que separa a rampa principal da varanda, e lá ficamos. Muito agradável, com vista para a rua. E não é difícil acabar de adaptar o lugar, basta rebaixar o chão ali em forma de rampa, não vai perder espaço de mesas e ficará mais seguro, pois como podem ver, o degrau é grande.
Pedimos uma maça de peito ao molho fumaça, uma delícia. E o prato é enorme, dá para três comerem com folga. Depois de dois chopes, resolvi testar o banheiro. Chamei o garçom novamente para me ajudar na descida (nada segura) e ele pediu para esperar, pois precisavam preparar o banheiro, tirar algumas coisas lá de dentro. Na boa, isso me deixa injuriado, sempre usam o banheiro de deficiente como depósito. E nesse caso ainda é ainda pior, eles deixam um freezer de sorvete na frente do banheiro, tiveram que arrastar para que eu pudesse entrar. 
Pelo menos dá para pegar um picolé do banheiro
Para piorar ainda mais, a porta estava quebrada. Um dos funcionários se desculpou e colocou a porta meio entreaberta e disse que eu poderia usar o banheiro tranquilamente que ninguém ia incomodar. Nada bom, a gente fica inseguro, e uma porta dessas é muito barata para trocar, não custava resolver o problema. Enfim, um lugar para conhecer e lembrar da roça, para quem gosta. Mas se for cadeirante, leve uma porta nova, e se contente em ficar lá dentro se não quiser se arriscar na subida da varanda.

domingo, 6 de maio de 2012

Vergonha da cadeira de rodas

Minha jangadinha é bem feinha
Não são raros os casos de cadeirantes que ficam meses sem sair de casa. Tem outros que só saem para ir ao médico ou ao Hospital Sarah, pois o ambiente tem mais a ver com um cadeirante. Também não é incomum ouvir histórias de pessoas que ficaram meses, ou até anos na cama, pois não aceitaram a cadeira de rodas. Afinal, qual o problema desse povo?
Há os motivos pessoais ou até psicológicos, mas muitas vezes o motivo é a vergonha da cadeira de rodas. Não exatamente de estar em uma cadeira de rodas, mas pelo fato de uma cadeira de rodas ser um objeto feio, esquisito e sem estilo. Como muita gente pensa, a vaidade não vai embora porque a pessoa vira cadeirante. Como todo mundo, a gente continua gostando de se sentir bonito, de estar na moda e de se vestir bem.
Que tal uma corzinha? Nem tanto, né...
Como a cadeira passa a ser um complemento constante do nosso corpo, devemos parar para pensar o quanto é importante se sentir bem com a aparência dela. E tudo começa pelo modelo. Convenhamos que as cadeiras dobráveis, tipo duplo X, são bem feinhas, mas podem ser melhoradas. A primeira coisa que pode mudar é a cor. O mais comum é o cinza claro, padrão destes modelos. Não tem porque manter ela na cor original, se você gosta de vermelho, mande pintar de vermelho. Se gosta de azul, a mesma coisa. É uma coisa simples, mas dá outro visual. Tem gente que não gosta, prefere o cinza justamente para passar despercebido, já que a cor chama a atenção. Acontece que passar despercebido em uma cadeira de rodas é impossível. Então, porque não colocar uma corzinha? Claro que não precisa pintar um arco íris na bichinha, mas escolher uma cor que combine mais com a pessoa cai bem.
As monobloco tem design mais "limpo"
Os modelos monobloco são bem mais bonitos, independente da cor. O design mais limpo, com menos ferros à mostra, é bem mais belo do que as dobráveis. E elas geralmente são disponíveis em várias cores, metálicas ou sólidas. Mas elas costumam ser um pouco menos confortáveis, já que geralmente não tem braços, mas acho que isso é questão de adaptação. Hoje eu não sinto muita diferença. Além do design, a facilidade em desmontar ajuda muito no dia a dia.
Além da cor, o encosto rígido que geralmente vem nas monobloco permite ainda aplicar um adesivo e personalizar ainda mais a cadeira. Nas cadeiras de mulheres, que tem ainda mais vaidade, fica bem bacana, dá até um certo charme. Há vários modelos, os mais comuns são os de borboletas, acho uma gracinha. Ainda mais que a borboleta é o símbolo da transformação, o que agrega ainda mais como simbologia. A da foto abaixo é da Tuigue, do blog Muletas Cor-De-Rosa.
Com adesivo fica um charme
Outra coisa que compõe bastante o visual de uma cadeira são as rodas. As que tem três ou cinco raios dão uma grande diferença no visual. As mais famosas são as X-core, que uso na minha cadeira, mudam completamente o visual. Ainda mais nas monobloco, no caso da minha, uma M3, acho bem bonito o desenho do eixo traseiro em alumínio, que fica aparente com essas rodas. Há também as de magnésio com três raios, também muito bonitas.
Enfim, não há porque ter vergonha da cadeira de rodas. Já que é impossível sair sem elas, que tenham a nossa cara e nos dê mais prazer em sair de casa. Porque, convenhamos, ficar dentro de casa todo dia não tá com nada!

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...