quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Adaptar o manual ou comprar um automático?

Essa é uma das questões mais frequentes que recebo no blog: a pessoa se torna cadeirante, quer voltar a dirigir, já tinha um carro com câmbio manual e não sabe se vale a pena adaptar seu carro ou vendê-lo e comprar um carro automático e então adaptá-lo.
As maiores dúvidas são: o que fica mais caro? O que vale mais a pena? É melhor comprar um carro zero quilômetro ou um usado? Dá pra comprar um carro zero com as isenções?
Muitas vezes a pessoa já tem o carro há muito tempo, tem até laços afetivos com ele, e morre de dó de vender o "possante". Mas a dica que sempre dou é: troque por um automático. O principal motivo é segurança: já que uma mão está sempre no acelerador, o ideal é não tirar a outra pra passar marcha. Além disso, tem o conforto que o câmbio automático trás. Sem contar as excelentes opções com câmbio automatizado, que trazem mais economia e menor manutenção.
Se dá pra comprar um zero ou usado, vai depender do ano do carro manual, senão fica muito caro. Mas faço aqui um comparativo que fiz outro dia pra um leitor do blog. Ele tem uma Palio Weekend ELX 1.6 manual ano 2000, ficou paraplégico e estava pensando em instalar uma embreagem automatizada para voltar a dirigir, pois acreditava que se vendesse o carro pra comprar um automático e adaptá-lo ficaria mais caro. Provei pra ele que não. Usando a tabela FIPE e o preço médio das adaptações, fiz a simulação:
- Palio Weekend ELX 1.6 ano 2000: 16.233,00
- Embreagem automatizada: 3.500,00
- Barra de aceleração/frenagem: 850,00
- Pomo giratório: 200,00
Total: 20.783,00
- Honda Civic sedan EX 1.6 16V automático ano 2000 (nacinoal): 18.958,00
- Barra de aceleração/frenagem: 850,00
- Pomo giratório: 200,00
Total: 20.008,00
Claro que é preciso verificar o preço de manutenção dos dois veículos, facilidade e preço de revenda, consumo e seguro, mas isso varia de estado pra estado. Também é necessário ver espaço interno, facilidade pra entrar e porta-malas. Mas o porta-malas dos Civic mais antigos é grande o suficiente pra guardar a cadeira, só o New Civic que fica apertado (340 litros).

De qualquer foram, esta comparação já dá pra ter uma idéia. E se o valor do carro usado passar de 25 mil, já vale a pena pegar um zero km com isenções (um Palio Dualogic fica em torno de 28 mil).

domingo, 14 de novembro de 2010

Reportagem pra Globo

Na sexta feira recebi em casa uma equipe da Rede Globo, que está fazendo uma reportagem sobre deficientes, para passar no dia 3 de dezembro, dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Será uma série de reportagens especiais para o MG TV, e fui um dos escolhidos para representar quem vive em cadeira de rodas.
Fizeram uma entrevista comigo e com a Gi, filmaram as adaptações que precisamos fazer aqui em casa e também eu postando no blog, o início deste post aqui. Até a Belinha, nossa gatinha, foi filmada. Acho que ficou bacana, apesar de que acho que falei pouco do blog, mas o suficiente: como começou, qual o objetivo e os principais assuntos que abordo aqui, como os problemas da cidade, lugares que não são adaptados e característica de carros para deficientes. A repórter, Luiza, me deixou super à vontade e conduziu tudo com profissionalismo.
Depois fomos pra uma choperia, a Exclusivo (Contorno, 8863), para avaliar a acessibilidade do lugar. Fui recebido lá pelo dono, o Luciano, que foi muito simpático e me falou sobre as adaptações que fez por lá, como um banheio exclusivo pra deficientes, fundamental para termos mais privacidade e conforto. A entrada tem um pequeno desnível com a calçada, porém é toda em forma de rampa, e ainda com antiderrapante.
As mesas também são adequadas, os pés são amplos, apesar de centrais, e dá pra entrar com a cadeira até encostar na mesa. Esse detalhe é importantíssimo, pois se os pés não forem separados o suficiente, não dá pra entrar com a cadeira e somos obrigados a ficar de lado pra alcançar as coisas, e é especialmente complicado pra comer. O ideal é ter pés paralelos, mas se for central, como da foto abaixo, precisa ter espaço entre as bases pra entrar com os pés.
O banheiro de lá é que me impressionou, totalmente adaptado, tem bastante espaço pra girar a cadeira lá dentro e tudo está ao alcance. Um exemplo a ser seguido.
Espero que a reortagem fique legal, e sirva pra estimular os donos de estabelecimentos a adaptar tudo, pois assim ampliam o leque de clientes e agem com responsabilidade social!
Aproveito para avaliar outros lugares que estive recentemente:
Piu Pizza (Rua Curitiba, 2154) - a entrada fica no nível da calçada e as mesas de pés paralelos, fáceis de entrar. Na mesma rua há uma vaga pra deficiente, mas meio longe da pizzaria. As mesas ficam um pouco juntas, mas há um corredor na lateral que permite ir até o fundo. Porém, não tem banheiro acessível, e pra piorar eles ficam na parte de cima, tem que subir escada. Se a pessoa tem alguma dificuldade de andar, já complica. Mas a pizza de lá é uma delícia, e a adega de vinhos bem completa.
Fabbrica Spaghetteria (Rua Felipe Santos, 27) - outro que fica no nível da calçada, mas as mesas não são boas, tem que ficar um pouco de lado pra chegar perto, mas movimentando a mesa resolve. Tem banheiro adaptado e exclusivo pra deficientes. As massas de lá são ótimas, na última vez comi uma Fritatta, uma espécie de omelete com espaguete no meio, uma delícia. Tomamos um vinho chileno muito bom, Terranoble.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Praça de BH será primeira a oferecer brinquedos para crianças cadeirantes

No dia 17 de novembro, a Unimed-BH em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, por meio da Secretaria de Administração Regional Centro-Sul, entrega à comunidade as obras de revitalização da Praça Floriano Peixoto, na zona leste da cidade. A acessibilidade recebeu atenção especial no projeto. A praça será o primeiro espaço público da capital mineira a possuir brinquedos para crianças cadeirantes. São três modelos: um balanço que permite encaixar a cadeira de rodas, uma travessia mais baixa, ao alcance do cadeirante, e um painel com diferentes atividades. O local também ganhou barras de alongamento, destinadas aos praticantes de caminhadas e corridas, e equipamentos de ginástica especiais para idosos.

No passeio central da praça, o lajeado de paralelepípedos foi substituído por blocos de concreto intertravados, que deixam a superfície mais uniforme e facilitam a locomoção de idosos, cadeiras de rodas e carrinhos de bebês. O acesso também foi facilitado na área central do local, onde há um amplo espaço com arquibancada, ao modelo de um teatro de arena. Além disso, toda a calçada que circunda a praça foi duplicada para cinco metros de largura e recebeu piso tátil para orientação dos deficientes visuais.
“Percebemos que só a manutenção das áreas verdes não iria resgatar o espaço de convívio e a importância histórica do local. Era necessário ir além e pela nossa identidade com Belo horizonte e com os mineiros decidimos que a revitalização cabia em nosso compromisso social”, afirma Helton Freitas, diretor-presidente da Unimed-BH.
Fundada há 112 anos, a Praça Floriano Peixoto era conhecida no início como Praça Belo Horizonte e é uma das 24 praças que estavam previstas na primeira planta de cidade. Hoje o local é tombado como patrimônio histórico e cultural da cidade. À época da construção do Hospital da Unimed-BH, localizado em frente à praça, a Cooperativa assumiu com o poder público o compromisso de manutenção do local, por meio do programa Adote o Verde. Entretanto, ciente da importância da área para a comunidade e em consonância com seu Programa de Responsabilidade Social, a Unimed-BH decidiu ir além: investiu cerca de R$ 2 milhões na revitalização.
Mais um bom exemplo de inclusão social, mesmo que pelas mãos de uma empresa privada. Parabéns à Unimed pela iniciativa.

Metrô sem elevador em SP

Sem elevador, metrô de São Paulo faz passageiro andar 2,4 km para acessar estação Tamanduateí

Mais um descaso, desta vez em plena São Paulo, um elevador com defeito desde o começo de outubro obriga os cadeirantes a rodar mais de dois quilômetros para acessar o transporte público. Um absurdo, pois até o trajeto até a outra estação é complicado, pois as calçadas tem diversos obstáculos.
Aqui em BH as estações geralmente são acessíveis (as que conheço), mas no nosso caso o metrô é de superfície, o que facilita construção de estações com acesso facilitado.
Veja a notícia completa aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/828337-sem-elevador-metro-de-sp-faz-usuario-andar-2-km-para-acessar-estacao-tamanduatei.shtml
Se a gente não reclama, ninguém faz nada!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Experiência como cadeirante

Gente, olha que bacana esse relato que a Taísa Giannecchini, de São Paulo, me enviou. É um olhar de uma pessoa "normal" sobre o mundo de quem vive em uma cadeira de rodas, através de uma experiência que ela passou. Se todos passassem por isso, acabava o preconceito e aumentava a preocupação de todos com a acessibilidade. Uma bela lição.

"Olá pessoal do Blog,

Meu nome é Taísa, tenho 38 anos, sou fonoaudióloga e moro em São Paulo com minha família há 15 anos.
Na última 4ª. feira, dia 03 de novembro, realizei uma cirurgia no joelho e, conforme o esperado, não posso andar pelos próximos 15 dias.
Acostumada à correria do dia-a-dia, comecei a enfrentar meus primeiros fantasmas: ficar parada, depender dos outros, esperar. Só este exercício já me fez avaliar melhor como seria a vida de um cadeirante e como principalmente no início, a adaptação incluiria outros fatores.
No sábado tive uma brilhante ideia: vamos ao Shopping passear e eu usarei uma cadeira de rodas! Todos prontos e arrumados, empolgados pela “aventura”, chequei pelo site se o Shopping escolhido por nós, o Villa Lobos, tinha este serviço de empréstimo de cadeiras. Informação confirmada, partimos.
Com relação ao Shopping, posso dizer que meu atendimento foi perfeito: funcionários atenciosos, vaga reservada para o carro e rampas disponíveis por todo lado.

Passamos uma tarde maravilhosa! Entre livros, jogos e um bom cafezinho, eu estava muito feliz, brincando com meu filho de 6 anos, trocando idéias com minha mãe e recebendo carinho e cuidados de meu marido! Ou seja, nada mudou pelo simples fato de eu estar sentada numa cadeira de rodas. Mas eu me surpreendi com a reação das pessoas e com a falta de preparo do mundo para encarar os cadeirantes, recebê-los e atender as suas necessidades. Recebi muitos olhares tristes, desconfiados, preconceituosos, como se não fosse possível uma jovem ser feliz em uma cadeira de rodas. Eu me senti observada e “estranhada” pelas pessoas ao meu redor. Tive vontade de gritar: “Tem um ser humano FELIZ aqui”!
Terminei meu passeio transformada. Quero lutar pela acessibilidade e principalmente pelo bem estar emocional dos cadeirantes e de qualquer deficiente.
Espero muito que o relato desta experiência ajude outras pessoas e autoridades a criar condições favoráveis à acessibilidade.
Se houver outra forma que eu possa ajudá-los, ficarei muito feliz.
Um grande abraço.

Taísa Giannecchini"

Parabéns à Taísa pela linda família e obrigado por compartilhar conosco estes momentos! E por ter uma opinião tão humana de nossa condição.

sábado, 6 de novembro de 2010

Exercícios novos na Hidro

Após alguns anos de experiência, identifiquei alguns aspectos pra diferenciar uma boa fisioterapeuta de uma ruim. Pra mim, a boa profissional deve buscar o máximo de informação possível sobre o paciente e identificar os movimentos e exercícios que trazem mais resposta e que deixam o paciente mais confortável, confiante e animado. Confortável nem tanto, pois minha teoria ainda permanece: fisioterapeuta só fica satisfeita se ver água descendo do paciente, portanto, se você não estiver suando, é melhor chorar. (kkkk)
Voltando às características, para encontrar os exercícios certos, deve ser criativa. E eu dou muita sorte com esse povo, tudo gente boa e super competente. Minha atual fisioterapeuta, ou melhor, uma delas, a Marcela, é tão criativa que assusta. Nas últimas sessões ela tentou me colocar de pé na piscina sem as talas. Tirou a cadeira do elevador, pisou nos meus pés e me puxou. Claro que não tenho força pra me sustentar, mas só o fato de tentar já estimula a musculatura e sinto até alguma resposta.
Pra completar ela me coloca sentado, trava as pernas e faz com que eu puxe a barra que ela segura, fazendo o mesmo tipo de força. Sinto também alguma resposta, e consigo me sustentar alguns segundos. São ótimos exercícios, mas cansam pra caramba. Tanto que combinei com ela que os últimos cinco a dez minutos são pra relaxamento, pra descansar os músculos. O problema é que dá um sono depois, dá vontade de ficar lá o resto do dia.
Outra coisa legal é que sempre me divirto nessas sessões, apesar de ter hora que dá vontade de afogar ela (eu já tentei algumas vezes), mas esse é mais um componente fundamental de uma boa fisioterapia. Aproveito pra mandar um grande abraço pra Andrezza, minha ex-fisioterapeuta. Aproveito também pra postar o vídeo do curso que a Joyce deu lá, no qual eu tive uma participação especial:

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Salão do Automóvel


Nesse fim de semana fui num evento que me fez virar criança de novo: o Salão do Automóvel de São Paulo, no Anhembi. Não foi a primeira vez, estive no de 2008 e na Bienal que acontece aqui em BH. Mas este foi especial, a quantidade de super carros e lançamentos fez história, nesta que é a 50ª edição. Além disso, fiz valer um direito de deficiente que me proporcionou uma experiência inimaginável em outros tempos.
Só que fui num dia nada recomendável para um cadeirante: o primeiro sábado, na parte da tarde, o dia e horário mais lotado de todos. E num lugar em que todo mundo está de pé, não é nada fácil chegar perto dos carrões, pois nos estandes mais exclusivos os carros ficam em cercadinhos, a alguns metros do público.
Na foto acima estou em frente à Ferrari 599 GTO, a mais rápida fabricada pela casa de Maranelo. São 670 cavalos num motor 6.0 V12 que a leva a incríveis 335 km/h. Quem já foi ao salão pode estar se perguntando: como tirar uma foto tão perto de uma máquina exclusiva destas se o cara nem é jornalista? Taí o direito que mencionei: eu estava tentando chegar perto do cercadindinho pra ver as Ferraris, me espremendo no meio do povo, passando em cima do pé de alguns (desculpe aí, heim), quando o segurança me deu a ideia genial: pedir pra entrar no estande. Como sou cara de pau demais, adorei a ideia, e corri pra lateral, onde tem uma entradinha com rampa. Fiz cara de cachorrinho pidão e chorei com o segurança:
- Ô moço, não consigo ver os carros, será que dá pra liberar aí?
Não é que ele deixou mesmo? Achei uma delicadeza do pessoal de lá, e realizou o sonho de uma criança grande. Depois disso chutei o balde (cadeirante chutando, é ótimo...), fiz a mesma coisa na Lamborghini, como podem ver na foto abaixo (mesmo com uma camisa da Ferrari... rsrs). Olha só que máquina!! Ah, o carro também é muito bonito.


Um dos carros que eu mais esperava conhecer lá era o Bravo, da Fiat. O carro é lindo mesmo, mais do que eu esperava, e o porta-malas é maior que o do Stilo. Já vão lançar com câmbo Dualogic, porém pra que possamos comprá-lo, uma lei tem que cair por terra: o limite de potência. Hoje, até onde eu sei, só conseguimos comprar um carro com isenção se a potência não ultrapassar 127cv. E o Bravo começa em 132cv. Já passou da hora de atualizar essa lei, hoje em dia até carros 1.0 estão chegando nos 100cv, esse limite nos deixa com cada vez menos opções. Não consegui entrar no Bravo pra fazer o "teste de entrada", pra ver a dificuldade ao passar da cadeira pro banco, pois ele estava em uma plataforma estreita, não ia dar pra equilibrar a cadeira.

Bravo!! Bravo!! Mas não resisti a entrar no Mercedes C63, apesar de ser meio apertadinho. Mas valeu o esforço! Só faltou a adaptação... E dinheiro pra comprar um desses...


E os carros adaptados? Infelizmente só vi de duas marcas, Honda e Nissan. E em carros que já avaliei aqui, um Fit e um Livina, portanto não vou me estender falando sobre eles, é só clicar nos nomes pra ler as avaliações. Os dois tinham cadeiras de rodas no porta-malas, mas ambos deram mole: se colocassem cadeiras monobloco, dava pra colcá-las montadas, demonstrando mais ainda a praticidade dos carros.

Quem quiser ver mais fotos que tirei no salão, é só clicar aqui.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...