Há algum tempo dei uma entrevista por telefone para uma repórter do portal R7, e agora a reportagem saiu!! Ficou bem bacana, falei sobre a vida a dois, como é o namoro sobre rodas e planos para o futuro. Enfim, cliquem aqui pra ler a reportagem. A foto foi feita na Praça da Liberdade, aqui em BH. Ficamos lindos, né?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Pau pra toda obra
Mulher de cadeirante tem mesmo que ser valorizada. Não é só porque tem que ajudar o cadeirante, nem porque passa raiva junto com ele pela falta de lugares acessíveis, muito menos porque tem que lidar com suas limitações todos os dias. Se tem uma área que mulher de cadeirante se desdobra é nas tarefas de macho em casa. Coisinhas simples como montar uma estante, colocar uma tv no suporte de parede ou trocar o chuveirinho do banheiro. Não são tarefas tão difíceis, mas convenhamos que são geralmente tarefas masculinas, que a grande maioria das mulheres não tem habilidade natural pra resolver. Colocar uma TV pode ser mais complicado, dependendo do modelo, se for uma de "tubo", de mais de 20", haja braço pra segurá-la no ar até conseguir encaixar direitinho no suporte.
Então dedico este post a estas guerreiras, que além de encarar as dificuldades, o preconceito e as diferenças do dia a dia, ainda tem que fazer o papel de faz tudo em casa. Claro que dá pra chamar um parente ou amigo pra resolver estes probleminhas, mas em alguns momentos tem que por a mão na massa mesmo.
Mas tem seus benefícios. Além da nossa força, reconhecimento e amor, tem também a admiração por batalhar pra resolver os pepininhos e deixar nossa casa funcionando em pleno vapor!
domingo, 11 de abril de 2010
Trocando de remédio (e de médico)
Terça passada fui ao neurocirurgião pra pedir um novo remédio pra dor, já que o topiramato não estava mais fazendo efeito. Como troquei de plano de saúde, busquei entre os médicos do novo convênio e felizmente descobri que todos os que me acompanham também atendem pelo plano novo, inclusive o que me operou, mas preferi ir a outro que atende em seu consultório, mais perto do meu trabalho, e eu poderia voltar logo pro trampo, já que a consulta seria rápida. Peguei o telefone dele pela lista do convênio e marquei para depois do almoço.
Cheguei no horário, como sempre faço, e esperei vinte minutos, como todos nós sempre fazemos em consultas médicas. Alguém já foi atendido pontualmente no horário marcado? Até hoje não consegui essa façanha... O médico em questão é muito gente boa, um cara novo e bem experiente na área, com muito conhecimento. E de muito bom papo, procura saber sobre o dia a dia do paciente, entender a situação, muito bacana.
A recepcionista mandou eu entrar no primeiro consultório à direita, mas quando cheguei lá só tinha um senhor bem mais velho. Sem entender, falei que achei que fosse outro médico, e perguntei se ele conhecia outro neurocirugião com o mesmo nome. É claro que conhecia, o filho dele, e mostrou fotos do cara na mesa do lado. Só eu pra fazer isso, marcar com o pai achando que era o filho. Isso que dá a falta de criatividade, colocar o mesmo nome no filho, só pra confundir o povo.
Mas já que estava ali, me atendeu com presteza, procurou saber do meu caso e me receitou justamente o medicamento que eu queria testar, devido a dicas dos leitores do blog: o Lyrica. Nem precisei falar, ele já veio com a sugestão. Deve ser o melhor mesmo, mas se resolver a dor no corpo causa uma outra pior, no bolso. O bichinho é caro pra caramba, quase cem prata a caixa. Pobre não pode ficar doente no Brasil não.
Mas é isso aí, comecei a tomar na sexta feira e hoje já estou sentindo efeito, meu corpo está bem melhor e até voltei a ficar de pé, não ficava há umas duas semanas. Vamos ver quanto tempo dura, geralmente nas três primeiras semanas faz efeito, depois...
Projeto "A Toda Velocidade"
Olha que bacana esse vídeo que a Giselle, fisioterapeuta do blog Fisioativa fez sobre o projeto que ela vai tocar em prol dos cadeirantes.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Morar perto do trabalho: não tem preço
Pouco depois de formado morei em Coimbra, cidade a 16 quilômetros de Viçosa, com pouco mais de 7 mil habitantes. Lá trabalhei na Prefeitura, e mesmo se eu não quisesse, teria morado perto do trabalho, afinal, a cidade é um ovo. Eu acordava às oito e quinze da manhã, me arrumava e saía de casa a pé dez pras nove, pra chegar às nove horas no trabalho. Isso porque eu ia devagarinho, conversava com o povo no caminho e costumava tomar um café na padaria. Maravilha, né?
E ainda tem outra vantagem, dá pra almoçar em casa e dar uma cochilada depois do almoço. Se tiver uma mulher ou empregada que cozinhe e faça boa comida, mais um estímulo. Mas a cochilada... é bom demais. Quinze ou vinte minutos de sono e a gente volta novo em folha pro trabalho. A ciência já provou que faz bem, os mexicanos já sabem disso há anos e cultuam a 'sesta' religiosamente.
Além da cochilada, deitar tem outras vantagens. Faz bem pra circulação e permite fazer alongamento. E isso pra quem é cadeirante faz uma diferença ainda maior. Como ficamos sentados o tempo todo, não levantamos e nem "esticamos as pernas", a mudança de posição e o alongamento fazem falta. Se a empresa não tem um lugar disponível pra dar uma alongada, poder ir em casa pra isso é fundamental.
No interior isso é fácil, mas em cidade grande, quem mora perto do trabalho tirou a sorte grande. Ou tem muita grana, pois apartamento em área mais comercial geralmente tem aluguéis muito altos. No meu caso dei sorte mesmo, quando fui chamado pra trabalhar já morava a menos de um quilômetro do trabalho. E eu já tinha uma empregada (não aguento quem fala "secretária") que vem duas vezes por semana e faz comida, boa comida, diga-se de passagem. Então, junto a fome com a vontade de comer, venho almoçar, dar uma esticadinha nas pernas, dou uma cochilada e volto pro serviço "novinho". Mas um pouco amassado...
terça-feira, 6 de abril de 2010
Recebendo amigos em casa
Diz o horóscopo que libriano é bom anfitrião, que gosta de receber os outros em casa. Não leio nem acredito muito em horóscopo mas nisso ele acertou. Sempre gostei de uma festinha caseira, juntar os amigos pra fazer um rango, ver um filme, jogar um poker ou só tomar uma cervejinha mesmo. E agora nessa "fase" cadeirante este programa se revelou especialmente importante.
Não que eu defenda que cadeirante tem que ficar em casa - totalmente pelo contrário. E pratico mesmo o contrário, não passo um final de semana sequer sem sair de casa. Mas que a festa em casa faz bem, isso faz. E taí uma ótima dica pra quem é cadeirante - transformar o cafofo no pólo de encontros da turma. Não precisa ter uma mansão pra isso, mas uma sala razoável é necessária. E alguma criatividade.
Eu sempre gostei de um carteado. Minha preferência é o poker, mas o mais democrático é o buraco ou canastra. Quase todo mundo sabe jogar e não precisa de fichas ou outro acessório. E gente de todas as idades gosta (mas as mais velhas, principalmente solteiras, são viciadinhas). Então é só procurar saber quem curte e marcar a jogatina. Eu já tenho alguns parceiros.
Outra coisa que sempre reune amigos é gastronomia. Aqui em casa fazemos noite de comida japonesa, comida mexicana, e em breve sairá uma comida árabe. Não precisa ter uma chef em casa, é só combinar de cada um trazer um prato, ou descobrir quem tem jeito pra coisa e fazer na hora mesmo. O preparo também é parte da diversão, o povo na cozinha enquanto prepara o rango é motivo pra muita gargalhada. Enfim, juntar amigos é sempre bom, sendo cadeirante ou não. Quem sabe ser cadeirante seja apenas mais uma desculpa pra juntar a galera? Boa desculpa!!
sábado, 3 de abril de 2010
Como chegar em um cadeirante?
Das diversas "consultorias" que já dei desde que comecei com o blog, desde dicas para comprar um carro adaptado até questionários para projetos de TCC, os que mais me surpreendem (e me deixam feliz) são os relatos de pessoas que se apaixonaram por um cadeirante e não sabem como chegar. Não sabem porque ficam com medo de o cadeirante achar que não gosta dele de verdade, que é por pena, ou que é "pegadinha", a menina não pode estar gostando de verdade do cara, afinal ele "é só meio homem". E eu já vi relato real de um cadeirante que deixou de ficar com uma garota que estava afim dele e acabou ficando com uma outra cadeirante, talvez por achar que ela sim, tá na mesma que ele e pode aceitá-lo daquele jeito.
Essa é a pior forma de preconceito, o autopreconceito. É o que a Luciana, da novela, andou fazendo antes de "aceitar" a relação com o Miguel. Não acreditar que dá conta do recado, ou que possa stisfazer uma pessoa "nomal", é o pior erro de um cadeirante nesse momento. O que afirmo é que sim, independente da cadeira de rodas, somos capazes de satisfazer a parceira em todos os sentidos. E que as limitações físicas podem ter até seu lado bom, abrem espaço pra criatividade, pra busca de alternativas que podem se mostrar melhores do que as vias normais. Acontece que nem todo mundo sabe disso (ou procura saber).
Mas se há essa barreira do autopreconceito, o que fazer para chegar no cadeirante, mostrar a ele que não se importa com a deficiência e que quer investir no cara, vencer as barreiras e ser feliz? A receita do sucesso não é segredo, é o que sempre sugiro a quem me pergunta: diálogo. Tem que conversar e se abrir, ter coragem para expor os sentimentos e dizer na cara dura que o lance da deficiência é só um detalhe, assim como há outras tantas imperfeições em outras pessoas. Não digo um detalhe como sendo uma coisa simples, mas como uma coisa pequena em relação a um sentimento. Se a pessoa gosta de verdade da outra, não haverá barreira que impeça de ficar junto, nem desaprovação de amigos e família (acontece muito), nem dificuldade de acesso a algum lugar
Mas é necessário um certo tato. Um cara numa cadeira pode estar mais sensível, ou pode ficar mais desconfiado. A mulher pode, então, mostrar que o interesse é real através de dedicação, se informar bem sobre o assunto, saber como pode ser uma parceira nos desafios típicos de um cadeirante. Mostrar programas acessíveis, equipamentos que melhorem a vida dele, e casos de casais que deram certo. Podem me usar como exemplo!!
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