segunda-feira, 6 de abril de 2009

Reatech V - Diversos

Como era de se esperar, haviam vários lançamentos de cadeiras de rodas, desde super leves até totalmente motorizadas, com controle pela boca, e coisas do gênero. Mas o que achei legal mesmo e tive vontade de comprar foi esse Handcycle acima. Deve ser muito gostoso pedalar com as mãos, e ainda poder ir a lugares com terreno acidentado, que as cadeiras de rodas tradicionais não vão. Tinha vários rodando pela Reatech e no stand da Tokleve/Ortobras, mas pra variar o preço é salgadinho.
Outra coisa que me chamou a atenção, voltado também para o lazer, foi o Kart adaptado, com controles manuais como os dos carros. Estava presente lá o campeão brasileiro desta modalidade, de boné branco na foto abaixo. Mais uma alternativa legal e 'inclusiva' - entre aspas pois não é todo mundo que consegue competir nem correr por lazer. Mas a iniciativa é muito interessante, eu já corri muito de kart e gostava da brincadeira. Se as empresas que mantém pistas para corridas recreativas investissem nisso haveria público, possibilitando até a competição com gente 'normal'.
No mundo das cadeiras de rodas, haviam muitos lançamentos, o principal deles no stand da Ortobras foi a M3, a cadeira mais leve e prática do mercado. Entre as motorizadas nada de muito novo, os preços continuam salgados (de 5 a 10 mil) mas contam com planos de pagamento em várias parcelas. Algumas cadeiras parecem até mini scooters, tem farol, cesta, buzina, etc, mas seu tamanho não permite o transporte em veículo (a não ser picape), portanto são indicadas para espaços amplos. Mas são bem bonitinhos, na hora imagino uma simpática velhinha dirigindo com alegria no condomínio...
Haviam também vários stands pequenos, com projetos de inclusão, massageadores, e até blogueiros, como o Evandro do Tocando a vida sobre rodas, grande figura, com suas camisetas bem humoradas. Minha namorada já está desfilando com a dela!

Reatech IV - Esportes e pet terapia

Que a prática de esportes só traz benefícios ao corpo e à mente, todo mundo sabe. Para o deficiente físico é ainda mais, é inclusão e sentir-se ativo e capaz de vencer desafios. Todo cadeirante que eu conheço que se dedica a alguma atividade esportiva conta com prazer o quanto esta atitude mudou sua vida, trazendo mais bem estar, contribuíndo inclusive para melhora das funções do corpo.
A ADD (Associação Desportiva para Deficientes) agitou a Reatech com a quadra ADD Sport Arena, onde aconteceram campeonatos e exibições de esporte adaptado, como basquetebol e futsal. Além das modalidades já consagradas, houve divulgação e incentivo de outras práticas como o frisbee e o rugbi adaptado. A arena também abrigou a II Copa de Futsal Surdos Grupo Evolução, o campeonato de futebol com deficientes visuais, handebol em cadeira de rodas, rugbi adaptado e diversos jogos amistosos.
Outro destaque da Reatech foi a fazendinha que tinha diversos animais como coelhos, cães, cabras e até cavalos para equoterapia. Foram ministradas palestras e explicações sobre a interação dos animais com pessoas com deficiência.
A pet terapia é feita com animais como o cachorro, coelho, jaboti, cabra, ovelha e pássaro. A Terapia Assistida por Animais é um método terapêutico e educacional voltado para reabilitação e educação, proporcionado ganhos motores e psicológicos. Indicada para pessoas com deficiências, necessidades educativas especiais ou com distúrbios comportamentais, a técnica estimula a aprendizagem, compreensão, memorização, equilíbrio e concentração; trabalha ainda a auto-estima, cooperação, confiança, tomada de decisão, socialização e espírito de grupo; além da reeducação postural (principalmente no caso do cavalo).

Reatech III - Espaços públicos

O maior obstáculo que um cadeirante enfrenta ao tentar levar uma vida "normal", na minha opinião, é sair sozinho na rua e chegar sem ajuda ao destino. Por mais perto de casa que seja, na grande maioria das vezes encontramos os mais diversos obstáculos, desde degraus na calçada a inclinações perigosas.
Mas nem tudo está perdido, a cada dia saem leis que exigem dos estabelecimentos acessos adaptados e as prefeituras trabalham (depois de muita reclamação) para tornar as ruas "viáveis" aos que tem limitações de locomoção. O pior mesmo é quando, apesar de haver acessos, as pessoas 'normais' estacionam seus veículos em frente às rampas e acessos, ou ainda ocupam as calçadas com os mais diversos obstáculos. Neste sentido me impressionou o Projeto PróRampas, desenvolvido pelo Instituto UniGente e pela empresa Via Urbana, com o aval do Governo da Paraíba. O projeto é tão bem bolado que conta com sinalização aérea e um poste com placas indicativas e para uso de propagandas de empresas (foto acima). Parte do dinheiro arrecadado com este serviço é destinado às associações de portadores de deficiência.
Outra iniciativa importante é feita pela Prefeitura de São Paulo, que tem um intenso programa municipal de adaptação e inclusão do deficiente. Contando com uma secretaria específica para este fim, a Prefeitura de São Paulo elaborou um compêndio listando as Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida, que contempla diversas deficiências e diversas áreas, como cultura, esporte e trabalho. Um exemplo a ser seguido pelas demais prefeituras brasileiras, ou pelo menos pelas capitais e governos estaduais, que podem efetivamente implantar ações pró-deficientes em todos os municípios. Vaja mais no link abaixo:
São Paulo também é a primeira cidade brasileira com serviço de Táxi adaptado, um Dobló com elevador para cadeira de rodas, exposto no canto direito da foto acima. Isto é muito importante para quem não tem carro, e acredito que em pouco tempo outras capitais disponibilizarão serviço semelhante. Já andei de taxi aqui em Belo Horizonte, mas foi muito incômoda a transferência e o taxista teve grande dificuldade em desmontar e guardar a cadeira no porta-malas. Mais informações e fotos: www.taxiacessivel.com.br.
Entre os equipamentos para possibilitar o acesso de cadeirantes a locais não adaptados, me chamou a atenção a esteira que sobe escadas. Sem saber que estaria na feira, eu utilizei uma destas logo que cheguei a São Paulo, no aeroporto de Congonhas. Como o movimento lá é muito grande, às vezes é necessário desembarcar por escadas, e o aparelho resolveu o problema para que eu desembarcasse. Nas fotos acima, eu sendo desembarcado em Congonhas e a esteira exposta na feira, que descobri depois se chamar Stair-trac (http://www.ortobras.com.br/garaventa_stair.html). Não é um equipamento barato, mas vale o investimento de empresas que, além de ampliar sua gama de clientes, ficam bem vistas pela sociedade com esta atitude de Responsabilidade Social. Cabe a nós cobrar dos governos e empresas ações como estas.

Reatech II - Adaptações em carros

As principais montadoras do país marcaram presença na Reatech mostrando os próximos lançamentos e as adaptações mais avançadas do mercado. A adaptação mais comentada foi o banco que gira e sai do carro, em vários modelos (foto acima). Desde o mecânico que gira e avança para facilitar a trasferência até o elétrico, que gira, sai do carro e ainda abaixa, este mostrado em uma SUV da Toyota (foto abaixo). A grande vantagem é que podem ser utilizados como cadeira motorizada, desengatando do carro e encaixando na base motorizada, possibilitando ao cadeirante sair por aí no conforto de um banco de automóvel. O único porém de todos estes bancos é que só servem para o banco do passageiro, mas um dos expositores me garantiu que estão desenvolvendo o do motorista.
Não faltaram também os elevadores e guindastes. Os elevadores tem a vantagem de levar a cadeira sem desmontar ao interior do veículo, que conta com espaços amplos, travas e até cintos de segurança. Alguns levam várias cadeiras, como o da foto abaixo. Porém só servem para veículos grandes, de vans pra cima, mas não vi nenhum que levasse a cadeira até o lugar do motorista, o que já é uma realidade no exterior.
Os guindastes facilitam para colocar no carro cadeiras motorizadas, que tem um peso significativo, porém demanda uma segunda pessoa para auxiliar no processo. Me impressionou ver carros pequenos, como o Linea, com esta adaptação no porta-malas. Mas o ideal mesmo é um carro grande, com espaço suficiente para o guindaste e a cadeira, como visto abaixo.
A melhor novidade, do meu ponto de vista, foram os lançamento que a Fiat reserva para o próximo mês. Serão lançados o Palio e o Siena com o câmbio automatizado dualogic. Para quem acha os veículos automáticos à disposição no mercado nacional caros (e são mesmo), serão uma excelente alternativa. Principalmente o Siena, que tem um porta malas muito espaçoso, cabe a cadeira e ainda sobra espaço.
Haviam também alternativas muito interessantes para aceleração e frenagem manuais, como no Siena da foto acima, que posibilita a aceleração sem tirar as mãos do volante. Agora é só aguardar os lançamentos que irão viabilizar os deficientes Brasil afora a saírem motorizados e ganharem essa importante liberdade de locomoção.

Reatech I - Casa modelo

A reatech é a referência em tecnologia de reabilitação, como o nome diz, e a partir de hoje publicarei minhas impressões da feira. Em continuidade ao post anterior, a casa modelo de acessibilidade faz o que promete, mas todo cadeirante sabe as necessidades de espaço em casa. Os principais pontos de estrangulamento são entradas, largura das portas e banheiro. Na imagem acima a entrada principal, com nossa tão querida rampa e ainda relevo tátil para cegos. A porta de entrada, assim como todas as internas, devem ter 90 centímetros de largura. E deve haver um espaço razoável para fazer as 'curvas' para cada cômodo.
O banheiro, com as barras necessárias para as transferências. O mais importante é a porta de entrada, não vi até hoje um apartamento com um banheiro que dê para entrar uma cadeira de rodas. Muitas vezes nem é possível adaptar, alargar a porta, pois há uma viga, armário ou bancada de pia no caminho. A solução é a cadeira de banho, mais estreita, porém geralmente não dá pra tocar sozinho.
O layout (em bom portugês, leiáuti) da casa, bem ampla, com três quartos, cozinha, sala e banheiro. A parte mais importante, ao meu ver, é o hall central, onde está o desenho de um cadeirante. Ali é possível girar em todas as direções para entrar nos cômodos. É o mais difícil de encontrar quando é necessário alugar uma casa ou apartamento.
A casa é muito bem montada, segue os padrões corretos, mas convenhamos que foge um pouco da realidade da grande maioria de nós. Poucos tem condição para adaptar ou construir uma residência nos moldes ideais, na maioria das vezes vamos mesmo é alugar um local mais adequado ou adaptar a residência que dispomos, própria ou alugada.
Considerando esta limitação, o que realmente chamou minha atenção foram os gráficos de medidas, mostrando as necessidades mínimas de espaço em uma casa para a locomoção de cadeira de rodas. O gráfico acima é do hall central, entre os cômodos.
Acima, as medidas necessárias para os comandos elétricos.
Finalmente, o grau de visão (pontilhado externo) e alcance (pontilhado interno) de quem está em uma cadeira de rodas.
De posse destas medidas, o cadeirante não precisa nem se deslocar muito ao buscar um apartamento ou casa para alugar, basta pedir a alguém que leve uma fita métrica aos locais de interesse para realizar as medições necessárias e procurar saber sobre a possibilidade de adaptação, pois grande parte dos proprietários de imóveis não deixa mexer nos mesmos. A solução, algumas vezes, é negociar sobre a adaptação, e depois de acertado o contrato, realizar as mudanças, sabendo que quando for devolver o imóvel elas devem ser desfeitas. Foi assim que consegui alugar o apartamento onde moro, minha namorada saiu com uma fita métrica na bolsa, fechamos o que mais se adequava e alteramos somente a porta do banheiro.

sábado, 4 de abril de 2009

Casa modelo de acessibilidade

A Reatech já abriu as portas e estou indo hoje pra São Paulo dar uma conferida nas novidades (depois de batizar meu sobrinho domingo de manhã). Adiantando, meu irmão, que faz doutorado na USP em arquitetura e dá aula na Uninove de acessibilidade, me mandou o link da casa que está exposta lá e é perfeita para cadeirantes. Segue o link, vale a pena a leitura, e semana que vem coloco aqui minhas impressões.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Rampas de acesso à calçada (aqui em Minas, passeio)

Se tem uma coisa que irrita mais um deficiente na cidade do que utilização de vaga reservada por pessoa não deficiente é o bloqueio das rampas de acesso por carro. Li no blog "Assim como você" o relato revoltante do Jairo sobre um "espertinho" que estaciona TODO DIA seu carro em frente a uma rampa de acesso em São Paulo (foto acima). Nos comentários dá pra sentir o quanto as pessoas se irritam com isso.
Eu passei por isso recentemente, fui levar o sobrinho da minha namorada ao zoológico, e logo ao chegar perguntei ao atendente da guarita onde tinha vaga exclusiva e o "delicado" respondeu "tá cheio de placa por aí." De fato havia várias placas, vários locais exclusivos ao longo do zoo, mas não custava ao infeliz me indicar a mais bem localizada, perto das principais atrações, principalmente porque o lugar é enorme, cheio de morros e jaulas em elevações. Tudo com acesso, bonitinho, até que a pessoa resolva atravessar a rua. Vi somente uma ou duas rampas não bloqueadas por carros. Nessa hora uns dizem "é gente simples, não faz por mal, deve ser falta de informação". Não conheço muita gente simples que tem um Fusion nem um Corolla, dois "exemplos" estacionados em frente às rampas.
Isso é um problema complicado, a pessoa que vê isso pode ligar para a empresa de transporte da cidade (BHTrans aqui em BH) e denunciar, eu mesmo faço muito isso, mas nunca o pessoal chega a tempo de multar ou (muito menos) rebocar o infrator. A maioria diz que não viu que tinha a rampa, já que ela fica do lado do passageiro, escondida no meio fio, difícil de visualizar. Uma solução interessante, pelo menos pra ficar mais visível, achei no site da cidadede São Miguel do Tapuio, cidade de menos de 20 mil habitantes no Piauí, e deveria ser copiada pelas demais cidades brasileiras. Veja só os acessos de lá:
Pelo menos acabaria com a desculpa do "não vi", e acredito que fará o "espertinho" pensar duas vezes, pois a exposição é muito maior. Mas o que falta mesmo é vergonha na cara do sujeito que para o carro em frente à rampa. Outra desculpa que ouço é "quase ninguém usa, pode ver durante o dia quantas vezes a rampa é utilizada". Mas pergunta pra ele se pararia em frente a uma rampa de garagem? Usa muito pouco, tem dias que nem é usada, mas HÁ a necessidade, pois num determinado momento será útil, e a pessoa não se beneficiará de um DIREITO seu.
O negócio é respeitar pra ser respeitado.

Taos Highline 250 TSI ficou mais bonito e equipado. Vale a pena?

Taos Highline 250 TSI 2026 - o SUV médio da VW recebeu um facelift na linha 2026 e passou a vir do México - antes vinha da Argentina. Tem fa...